
Hoje há um assunto sério para debater, que, por ser sério, evitarei. Pelo menos, o máximo que puder. Claro que doze a um é sério demais para mim. Por isso, não sei do que falar.
De qualquer forma, de manhã, na ida para o emprego, obviamente atrasada porque deixei a carteira na "carteira" da minha esposa, pelo que tive de me dirigir ao seu local de trabalho recuperar as moeditas, passou uma notícia interessante na rádio. Passo a explicar: "carteira" de uma mulher designa um saco de viagem, normalmente não maior que uma mala grande, com desenhos mais ou menos artísticos, onde as mulheres metem tudo o que se possa perder, incluindo tijolos (pelo menos parece, pelo peso). Guardam lá tudo, desde as chaves de casa, que depois demoram 15 minutos a aparecer quando chove à porta da mesma, até utensílios mais ou menos inúteis, como batons que nunca foram utilizados ou utensílios de higiene íntima, até à carta de condução (esta foi mesmo chauvinista! - peço desculpas!). O resto da explicação seria acerca do facto da minha carteira aparecer na da minha mulher - mas isso seria história a mais.
A notícia a que me referia foi a do General Loureiro dos Santos. Sempre achei o homem algo equilibrado, isto para quem tem apenas três neurónios, um que desce, outro que sobe e outro que dispara. Não sei porquê, sempre simpatizei com o personagem, talvez porque as suas aparições televisivas eram preparadas três meses antes com copianços do tipo "guerra mau, paz bom" ou "nunca digas monhés em directo".
De qualquer forma, numa qualquer aparição pública (talvez numa qualquer tertúlia no Casino da Figueira da Foz), o dito General afirma que os europeus estão a esgotar os argumentos para recusarem ajuda aos EUA na situação no Afeganistão. Sabem, aquele Afeganistão que é considerado o mais perigoso país da Terra, onde se passava a acção do livro "O Vale dos Cinco Leões" - grande livro, que apreciei imenso, particularmente as cenas de sexo bem imaginadas por um eu com dezasseis anos. O Afeganistão que nunca, em toda a sua história, foi submetido a qualquer potência estrangeira, isto considerando que os persas não são bem estrangeiros. O Afeganistão que é a última verdadeira sociedade tribal do planeta, onde o poder político tem tanta importância como as inúmeras pedras que lá se encontram, e onde o verdadeiro poder reside nessa mágica palavra que todos conhecemos muito bem, pelo menos e espero eu, de nome: o ópio.
Para o nosso querido General na reserva, tenho um argumento de peso: nós, os europeus, temos uma coisa urgente, muito mais urgente a fazer que enviar contingentes de jovens para uma guerra que não pode nem será ganha: viver a nossa vida.
Já sei, já sei, vem toda a conversa sobre a guerra ao terrorismo, da segurança nacional, e mais não sei o quê. Até posso admitir que houve países atingidos por atentados depois de enviarem forças para o Afeganistão (não antes), como a Espanha ou o Reino Unido. Mas Portugal só pode interessar aos terroristas como campo de treino - é enviá-los a todos para a Madeira aprender umas coisas com o João e temos a Al-Qaeda a dominar o mundo ocidental em menos de um trimestre sem avaliações. E com pior linguagem, pois essa dos infiéis mudaria para filhos da puta num piscar de olhos.
Agora, com licença, preciso de umas férias das guerras arranjadas pela ex-única super potência, para poder tratar de assuntos pessoais, como... sei lá... a minha vidinha.
Os russos é que tinham razão, afinal... Eles é que andaram a derreter aquelas paragens sem grandes resultados... Quanto ao nosso dito General, é normal que ande nervoso, se não houver guerras a começar em directo às quatro da manhã em ponto, lá se vai o tacho televisivo. E que será feito do nosso "percebe de tudo" Nuno Rogeiro? Graças a Deus que existe Israel...
E prontos, foi o que se arranjou...