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Ilustração Marco Joel Santos |
Por vezes dou por mim a pensar em coisas interessantes. Descanse
quem lê, que nem sempre tal acontece. São coisas passageiras, que normalmente não
duram mais de uns escassos minutos e que depois passam. Normalmente isso
acontece-me uma ou duas vezes por ano. Como esta não é uma dessas ocasiões,
poderia escrever sobre as eleições gregas, e de como aparentemente naquele país
se passa uma coisa interessante (em que eu não pensei, atenção), que é a dos
idosos terem saudades da ditadura militar e votarem em massa naquilo que mais
se assemelha. Faz-me lembrar algo…
Não, não vou escrever sobre as eleições gregas nem
tampouco sobre a clínica resposta Cristiano-ronaldense aos adeptos que mais o
odeiam em todo o mundo, os portugueses. Não, também isso é interessante e não
me lembrei de escrever sobre isso. Nem, pasme-se, sobre a maioria absoluta do
PS na França, que isso pode ser tomado por um assunto interessante e não, não é
uma dessas ocasiões. Estou mais numa de parvalheira ou, como diria um caro
amigo meu, de jabardice.
Então no que estou a pensar? Em religião. Ah, pois e tal,
isso já não é interessante e tal. Eu avisei, não me venham com essas lostras
agora! Mas, a sério, dei por mim a pensar numa questão que, não sendo
interessante, é tecnicamente relevante. E surgiu, como é frequente, em conversa
com a minha mãe que, apesar de tudo o que vai acontecendo, ainda conserva um
humor assinalável. Sim, pronto, não fui eu que pensei sozinho nisto, já sei. Eu
pago os direitos à minha mãe. Pela ideia. O desenvolvimento é mesmo meu, mesmo
não estando naquelas raras ocasiões de catarse que permitem pensar em coisas
interessantes. Catarse, não catorze.
Ora a ideia é esta: um gajo anda por cá uns anitos à boa
vida e tal. Às vezes não. Mas depois de uns anitos valentes, e tirando aqueles
casos de doenças prematuras e acidentes de viação e de trabalho, vai daí e um
gajo lerpa (e as gajas é mais ou menos o mesmo, mas mais tarde)! Ora, e tirando
de letra que a vida se assemelha a um jogo de cartas ilegal, o lerpanço ocorre
quando um gajo mija para os socos ou quando as meninas fecharam o museu por
risco de derrocada. Ou seja, quando somos septuagenários, octogenários, nonagenários
ou até centenários!
A minha questão é simples: ou o Arcanjo Gabriel tirou um
curso de geriatria ou o Céu com certeza faz subcontratação às Misericórdias… É
que tratar de tanta gente idosa lá por cima deve ser o cabo dos trabalhos! Não acredito,
de toda a maneira, que o S.Pedro (que não é um exemplo de juventude por si
mesmo, como frisou a minha mãe) reserve o direito de admissão por idade aos
utentes do Céu. Tipo: “BI! Tem mais de quarenta, Inferno com ele”. Até porque não
seria inteiramente justo, apenas parcialmente. Um idoso não tem culpa de o ser,
embora ser idoso lhe tenha permitido ter tempo para fazer mais cagada que os
outros – é certo. Mesmo assim, não me parece justo…
Consultei a legislação para me elucidar esta questão e
ela é mais ou menos omissa. Ou seja, pelos vistos, um gajo lerpa e tal e fica
por ali uns tempos à espera que o Filho do Patrão volte para sacar a massa aos
ricos que não pagam impostos e à Banca (pelo menos é o meu entendimento do que é
o entendimento de Fim do Mundo para a EU). E assim que ele aparece e dá essas
voltas, a gente recupera o corpo e passa a ir para o Céu. Isto é uma versão. Outra,
de que a legislação também fala, é a possibilidade de ir para o céu sem passar
na Casa Partida nem de receber 2000$00 (o Monopoly que eu jogava era dos
antiguinhos). Ou seja, não precisamos do corpo para nada e chegamos lá e
pronto, é só arranjar uma nuvem e sentar à direita do Pai. O que leva a outra
questão importante: se todos se sentam à direita do Pai, o Pai está à esquerda
de todos. Se estiver vento de Norte, é o primeiro a ir com os porcos. Mas isso
já seria quase interessante e eu não estou nesses raros dias de pensar em
coisas interessantes.
Assim sendo, como é que um gajo que lerpa com, digamos,
90 anos, se apresenta no Céu? Com o corpo de 90 anos, cheio de artrites e artrose e tromboses e o catano? Não me parece bem. Até porque viver uma
eternidade com um corpo daqueles deve ser visto como um castigo e não como
aquela espingarda de recompensa… Assim sendo, proponho que se altere a legislação,
ali pelo Apocalipse ou então uma breve referência numa das epístolas de Paulo
aos gregos (ou aos romanos, ou aos alemães, tanto faz), que estabeleça que um
gajo quando lerpa, independentemente da idade com que se dignou fazê-lo, dê
entrada nas Urgências lá do sítio com o corpo que tinha aos trinta anos. Que tal?
Não é um descanso? Eu acho.
Dirão alguns energúmenos que desejariam ficar com o corpo
que tinham aos vinte anos. Eu não discordo. Podem lerpar aos 100 e ficar com o
corpo que tinham aos 20, sem problemas. Descem é de andar, porque corpo de 20
anos dá para aguentar melhor as chamas…
Os gregos esqueceram-se de protestar nas urnas... Afinal, alguns perderam a coragem! Outros, lá, tal como cá, olham para uma direita passadista e mofada com os olhos turvos pelos anos e pelo esquecimento...
ResponderEliminarCéu? Pfffffffffff Coisinha mais sem graça!
Ora aqui está um assunto que não costumo ver abordado na blogosfera.
ResponderEliminarTema que daria para escrever um tratado.
A cremos no céu já estamos no dom´nio da religião cristã ou lá perto. Presumo que não seja do Islamismo, Hinduismo ou outra mais a Leste.
Desta forma, e assumindo que o fundamento destas divagações humoristicas é a Bíblia, quando se morre a carne (corpo) perece. Pois, não chegamos a porta de lada nenhum e muito menos com o nosso corpinho celeste.
Sou curiosa e tenho 'estudado a Bíblia (só o livro mais traduzido e com mais edições do Planeta) e S. Paulo exolica isso muito bem com a expressão do 'Corpo Espiritual'.
Outra coisita: à direita do Pai só está Jesus, Seu Filho, mais ninguém.
Nós somos de espécie diferente. Somos criação, não anjos ou outras entidades celestiais.
Não me alongo mais ou ainda vou ser corrida daqui.
Para mais conversa, estarei sempre ao dispôr.
Gosto destes assuntos, para além doutros, mas ficará para outra oportunidade.
Tudo de bom!
Malena, como sabes, concordo. Com a parte grega e com a outra. Já escrevi sobre isso...
ResponderEliminarPérola, bem vinda ao CM.
ResponderEliminarNão tome muitos apontamentos do que escrevo em posts como estes. O objectivo é satirizar a religião, não focalizar-me nela (Rá me livre e guarde...!)
Tudo de bom!