quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REPÚBLICA?

Imagem Google
Ontem, lá se comemoraram 100 anos de República. É uma grande efeméride, pois são 100 anos de um regime político implantado em Portugal. São 100, é um número redondo, e deve ser por isso que tanto se comemorou e porque tantas pessoas quiseram associar-se à festa. Só assim compreendo as demonstrações de afecto que vi por aí.
Na cerimónia oficial, enquanto Cavaco e Sócrates se preocupavam em enviar recados um ao outro e ao Passos Coelho, que não estava presente, por achar que a Fundação Champalimaud seria mais importante (pelo menos é coerente), um dos presidentes anteriores ainda vivos, o Gen. Ramalho Eanes, afirmou perante as câmaras da TV aquilo que muitos deviam afirmar. Afirmou-se frustrado pela República, por não ter atingido os objectivos a que esta se propõe, ao mesmo tempo que se afirmou responsável pelo estado da democracia em Portugal, pois já foi Presidente. Aumentou mais, se possível, a minha admiração por esta figura política portuguesa, que já antes apreciava. Disse aquilo que muito boa gente não tem coragem de assumir, as suas responsabilidades no estado do país por ser ou ter sido titular de cargos políticos.
Eu não embarco nas estrelinhas que nos lançam para os olhos. República não é sinónimo de Democracia, e em Portugal muito menos, ou já esquecemos que passamos 48 anos destes 100 em ditadura? Até ali o amigo Américo Tomás, o "Corta-fitas", foi Presidente! E diga-se que os primeiros 16 não foram lá aquela coisa em termos democráticos... Os últimos 36, ditos democráticos, sempre são melhores que os outros dois períodos, mas com defeitos, claro. É bem verdade que a perfeição é difícil de atingir. Não esquecer, no entanto, que Hitler não era rei. Mao não era rei. Estaline não era rei. Pinochet não era rei. E o gémeo de Salazar, Ataturk, não era rei. De onde surge então esta ideia que a Democracia e a República são sinónimos?
Por outro lado, a Democracia só pode existir se houver República? Então, a Inglaterra, a Holanda, a Suécia, a Bélgica... são todos ditaduras? Estou sempre a aprender... Ora, se o principal objecto dos desígnios republicanos for bem tratado, ou seja, se o povo for sempre o objecto dos melhores esforços dos políticos, tanto se me dá como se me deu ter em Belém o Cavaco como o Duarte. Mal por mal, venha o diabo e escolha. Aliás, o espanto que o Cavaco revelou pela comodidade das vacas aquando da ordenha é coisa que me põe ainda a pensar se o homem ainda tem a caixa dos pirolitos intacta. Quanto ao outro, decoração já o Palácio tem muita, mais um objecto ou menos um...
É interessante como todos acolhem a República, da esquerda à direita, dos mais revolucionários aos mais reaccionários, dos mais comunas aos mais fascistas. Quando, no entanto, é necessário acolher a Democracia, já muitos destes se encolhem e pensam em Abril como apenas um capítulo mais ou menos ridículo da história contemporânea portuguesa. A explicação é até simples. Enquanto a República serve a todos, pois todos podem sempre esperar, sob o regime republicano, que aconteça uma reviravolta qualquer que nos coloque numa nova ditadura fascista ou comunista, quiçá (embora isso sejam apenas sonhos), já a Democracia exige-se a si mesmo. 
Ora para mim, rematando, venha mais uma dose de democracia, sempre  mais e melhor (e não como nos últimos tempos, em que têm vindo a surgir na mesa doses cada vez mais pequenas). Isso é para mim o importante. Se há rei, se há presidente, isso é para mim secundário. Ou alguém pensa que se, por acaso, a monarquia se visse restaurada em Portugal, teríamos alguma ditadura absolutista? Tenham lá juízo! Velem pela democracia, aspirem sempre a mais. O resto... são pormenores e não o principal.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

REMODELAÇÃO MINISTERIAL

Vídeo Youtube

Ser Ministro da Educação em Portugal, assim como em qualquer país do Mundo, não deve ser fácil. É um sector difícil, sem dúvida. Mas parece-me que o trabalho da Ministra da Educação poderia ser feito com a mesma eficiência por alguém mais insuspeito, como este candidato a Ministro, que consegue na perfeição fazer igual à Ministra aquilo que ela fez de mais relevante neste seu mandato, que foi a abjecta mensagem enviada a todos os alunos e pais do país. Imagino muitos pais a verem aquilo, reunidos à volta do PC, à noite...
Reparem que este aluno apenas imita a Ministra. Ou seja, provavelmente, exprime-se melhor no dia-a-dia... O que nos leva a repensar seriamente as funções de Estado...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

DRA. GOMES E MENINA ANA

Foto Google
Há muitos anos atrás, durante o governo de Guterres, o tempo dos pântanos políticos e dos acidentes de Entre-os-Rios, que tiveram como consequência prática a admissão de Coelho na Mota, conforme sentença lavrada em tribunal, a figura de Ana Gomes granjeou em Portugal enorme simpatia. Se bem me lembro, era uma das caras que tratavam, a nível internacional, do problema de Timor Leste. Domínio, aliás, em que se destacou também Guterres, com uma posição contrária àquilo que tinha cá em Portugal, a de eterno dialogante, na União Europeia, em que foi absolutamente inflexível. Se não sabem da história, eu depois conto.
Ana Gomes parecia ser a mais correcta dos novos políticos portugueses. Até ter surgido o caso Pedroso e Casa Pia, e de todo o país ter visto a reacção acanalhada dela e de outros deputados pela prisão de Pedroso (lembro Manuel Alegre, para quem a prisão de Pedroso era uma espécie de "golpe de Estado contra a Democracia") e a ainda mais aparvalhada recepção de Ana Gomes ao colega Pedroso no dia da sua libertação por motivos "técnicos". Comecei, nessa altura, a ter algumas reservas sobre a senhora.
Mas agora percebi tudo. Ana Gomes tem na sua carteira um frasquinho. Nesse frasco, traz sempre consigo uma poção química. E toma essa poção química quando tem necessidade. Sem poção, a eurodeputada socialista porta-se como a Menina Ana, defensora dos valores da justiça e da igualdade: 
Mas, quando, mediante as dificuldades do dia-a-dia, é absolutamente necessário, toma a poção e torna-se a Dr.ª Gomes, temível animal político da ala neo-liberal e acérrima defensora do mais profundo capitalismo selvagem (mas penas por culpa do mesmo e dos "mercados" e sua pressão sobre Sócrates): 
Atenção, ambas as posições tomadas no dia do anúncio do PM!! Perante este imenso exemplo de coerência política, de defesa dos ideais socialistas, há que rapidamente fazer a questão: De que vive esta gente? Quem lhes paga? Qual, então, a admiração? Nenhuma, realmente... De notar o "estoicamente"! Belíssima palavra! Em Portugal, de repente, surgiram muitos políticos de esquerda com tendência para pedir ao povo português que melhore a sua capacidade de martírio, como o imprestável Almeida Santos, que pensa que "O povo tem de sofrer as crises como o Governo as sofre!".
EU QUERO SOFRER A CRISE COMO O GOVERNO A SOFRE!!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

PARABÉNS, PRONÚNCIA!!

Isto de acertar no verdadeiro dia de aniversário, ainda por cima a esta hora...

;)


Parabéns!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DIÁRIO DE VIAGEM - DIA 2

Mesquita Hassan II
Rabat, 19 de Setembro de 2010

 O jantar de ontem foi óptimo. Embora não tenha envolvido carneiro, o que me começa a preocupar. A comida era óptima e a companhia excelente. O Carlos e a Brigitte são divertidos e possuem uma cultura acima da média. Tornam-se pessoas interessantes. Notei o seu gosto por jazz, já que apreciaram sobretudo a banda que tocava no restaurante.
A noite foi bem descansada. Quando a manhã chegou, pudemos verificar finalmente a localização do hotel, que não dista muito do porto de Casablanca. O tempo está como estava o tempo em Coimbra quando a deixamos. Talvez mais húmido, o que, dada a proximidade de Casablanca do mar, não espanta. Cada grande cidade marroquina tem uma residência real, um palácio, portanto, apenas utilizado pelo rei e sua família. Tem apenas dois filhos. Quer dar o exemplo de redução da natalidade em Marrocos, que ainda ostenta uma média de quatro filhos por casal. O palácio de Casablanca estava fechado, obviamente. Apenas se podem visitar algumas salas e pátios menores, nas dependências, e a julgar pela aparência destas, não consigo imaginar o interior do palácio propriamente dito.
Casablanca é muito limpa, bem mais limpa que algumas cidades europeias. Mas poder-se-ia comer no chão nas imediações do ex-libris da cidade, a mesquita Hassan II. É de facto um edifício impressionante. Tem um tecto retráctil, que recolhe em apenas três minutos, a mais de sessenta metros de altura. O seu minarete tem dimensões colossais: mais de vinte metros de lado e duzentos de altura. Tanto o interior como o exterior são trabalhados da mesma forma que mesquitas antigas que visitei, com motivos árabes requintados. O tecto, que pudemos admirar, é forrado a madeira de cedro trabalhada em rendilhados até à exaustão. Todas as paredes são forradas a mosaicos com peças que não excedem o par de centímetros. O chão é de mármore rosáceo, na sua maioria coberto por enormes carpetes. Duas enormes estruturas elevadas, como varandas, percorrem ambos os lados da enorme nave, onde cabem 20000 fieis. São as partes destinadas às mulheres, que rezam separadas e longe dos olhares dos homens. Há lugar para 10000 mulheres. Na cave, há as enormes salas de ablução, completamente feitas em mármore branco. Uma sala para cada sexo. As mulheres têm direito a escadas rolantes, discretamente inseridas, até ao seu local de culto. Por baixo da cave, mais salas, com banhos turcos. Um edifício notável, que não sei até que ponto poderá ter sido responsável pela revitalização do Islão tradicional a que se assiste em Casablanca. Vêem-se muitos véus, muitas túnicas e até nikabs. O Islão está claramente ao ataque, e Marrocos parece ser uma vítima fácil, ao contrário de outros países. Um ponto a favor dos marroquinos, até agora: nem um olhar reprovador a calções ou tops, que são aceites naturalmente.
Almoçamos peixe numa das praias de Casablanca, praias onde não se vêem mulheres a apanhar sol. Depois viajámos para Rabat, a 90kms de distância. Ideal para dormir um bom sono na cozinha do autocarro, onde seguimos nós, o Carlos e a Brigitte.Temos seis lugares à nossa disposição e já começam a desenhar-se lutas entre alguns parvos italianos que querem à força toda mudar de lugar com os portugueses que preferem mantê-los até ao fim da viagem.
Rabat, novos palácios reais, mas estes no centro da área onde se encontra todo o Governo e Estados Maiores. Uma área imensa, bem tratada, onde moram inclusivamente grande parte dos altos funcionários do país. A visita ao mausoléu real é interessante pelas ruínas da antiga mesquita e da Torre de Hassan, outrora um minarete que fazia parte de uma geminação tripla, estando os outros dois em Sevilha (La Giralda) e em Marrakech (Koutobia). Ambas as estruturas foram destruídas pelo terramoto de 1755 em Lisboa, que arrasou a mesquita até ao chão e partiu o enorme minarete ao meio. O Mausoléu, na ponta Leste do complexo, é um edifício simples, de dimensões adequadas, de enorme gosto arquitectónico e, acima de tudo, decorativo. O interior não é grande, mas a sua decoração lembra os contos das Mil e Uma Noites.
A Casbah de Rabat é por si só famosa. Encravada entre o mar, a muralha e o rio, a Casbah é um labirinto azul e branco onde se misturam as casas berberes, árabes e judaicas sem grandes distinções. As ruas são estreitas e limpas, e os carros ficam lá fora, até porque não cabem lá dentro. Belos terraços debruçam-se sobre o rio, serve-se chá e doces tradicionais, o café é excelente, embora sem creme, e a bom preço (entre 60 e 100 dihrams, 55 e 90 cêntimos), o que é muito bom, atendendo que a generalidade dos países árabes, apesar de servirem bom café, têm preço proibitivo para o mesmo. Os italianos não gostam do café daqui, tão do agrado dos portugueses. Acham-no demasiado forte.
Antes do jantar, uma caminhada solitária (a quatro) pela cidade, até à avenida Mohammed VI (caminhada de 30 minutos, pois o Golden Tulip Rabat fica perto da Casbah). Confirma-se a ideia que até aqui tinha: Marrocos sofreu uma regressão em direcção ao Islão, nos usos e costumes. Não é incomum ver mulheres destapadas, mas também não é incomum ver nikab, mesmo em mulheres muito jovens. A maioria usa véu normal. Curioso é o facto de muitas túnicas serem de seda e justas ao corpo, o que é óptimo para adivinhar se é tanga ou cuecão... A maioria é tanga... Apesar de grande parte da população não ligar à vestimenta tradicional islâmica, a verdade é que ainda não saímos das capitais (Rabat, política; Casablanca, económica). O meu medo prende-se com o facto de o interior poder ser mais conservador ainda.
Mais um bom hotel, este Golden Tulip Farah Rabat, com boa comida, mas sem carneiro... Surpreendentemente, ainda não vimos muitos franceses, bem como aquela mania nojenta de juntarem no mesmo prato entrada, prato e sobremesa. São dos viajantes mais mal educados com que já topei. Pelos vistos, a porra dos italianos anda lá muito perto. Sempre tive a ideia de os italianos serem festivos, descontraídos, joviais. Afinal são depressivos, nervosos, mal-educados...
Oxalá se mantenha assim a viagem...

Como terá ficado o Glorioso com o Zbording?