terça-feira, 30 de novembro de 2010

O DEBATE

E hoje houve debate na TV. E este debate, mais uma vez, era sobre a situação económica portuguesa e a possível entrada do FMI em Portugal. E todos disseram coisas interessantes, e tal seria de esperar, dados os convidados para o debate.
Destaco Medina Carreira. A forma como põe as coisas é directa e franca, e dali nada mais se pode esperar senão números. E números que dizem verdades inquestionáveis. Apesar da evidente colagem ideológica de Medina Carreira, a verdade é que o homem defende a sua dama com unhas e dentes. E é necessário reduzir despesas, porque não produzimos o suficiente para aquilo que gastamos. Até aí... tudo bem, concordo inteiramente. Embora seja infeliz a constante alusão a que o crescimento económico seja de 1,8% e o Estado Social cresça 6% ao ano. Sabemos, nós que entendemos um pouquinho de economia, que é um argumento completamente falacioso. Mas no geral, enquanto a economia cresce pouco, a despesa aumenta muito, isso é verdade. 
E mais, e uma questão que realmente já chateia, é ninguém referir, incluindo Medina Carreira, que a esse crescimento da economia e da despesa corresponde uma diminuição de receita. Onde está o dinheiro? Ora, isso ninguém sabe, as pessoas só pagam impostos se quiserem. Obviamente. Menos aquelas que são obrigadas a pagá-los e mais nada. Medina mostrou um gráfico, mostrando a evolução da despesa pública em Portugal. O desvario, a espiral de subida deste parâmetro tem uma origem ali por volta de 1985. Em 1990, já havia quintuplicado de valor, em 1995, era dez vezes mais. Ora, admitindo que o gráfico não fosse inteiramente proporcional, nessa altura era PM... Não me lembro do nome... mas quem era o homem?? Ah! O actual Presidente da República. Não deixa de ser curioso que Medina refira sempre os últimos 15 anos de má governação, e acrescente, quase logo de seguida, que desde 1985 o desvario tomou conta dos sucessivos governos. Ora... 2010 menos 1985 é igual a 15? Para brilhante economista, devia rever a aritmética - são 25!!
Daniel Oliveira, o outro destaque, obviamente convidado por ser figura de relevo do BE, foi fazer política. De economia, soube reter as quatro grandes causas da crise e por aí se ficou. Aliás, quando se falou de teorias económicas, não se sentiu minimamente à vontade. Sobressaiu porquê? Porque soube dizer que os responsáveis das Finanças portuguesas ao longo dos anos, incluindo Medina Carreira, sabem de facto apontar os defeitos todos de todos os outros, menos os seus e as suas responsabilidades actuais, indo ao ponto de dizer que nos dois anos de Medina Carreira como Ministro das Finanças, afinal, e apesar deste não deixar que aquilo fosse assaltado pelas máquinas partidárias, como bem frisou o próprio Medina, a despesa pública... subiu! Pois...
Ainda uma outra virtude de Daniel Oliveira: soube, apesar de não ser economista, apontar duas das principais causas que puseram a nossa economia de rastos: O CRÉDITO BONIFICADO (finalmente, o que eu ando a dizer há tanto tempo! - e foi preciso um não economista para o dizer) inventado pelo Cavaco, que nos custou e ainda custa milhares de milhões de euros de juros que o Governo tem de pagar aos Bancos, e as Parcerias Público-Privadas, aliás já referidas, e bem, por Medina Carreira.
Mas o que ninguém soube explicar neste debate foi que, para protegermos aqueles que criminosamente destruíram os sistemas financeiros de todo o mundo devido à sua ganância, a economia pode desbaratar milhões de milhões de euros, mas para proteger o Estado Social, as nossas reformas, o nosso direito a poder adoecer, o nosso direito a podermos ensinar as nossas crianças, o direito de não passar fome, para isso nem mais um tostão.
Ora a questão é simples e pode contar-se com imagens. O que querem impingir-nos a toda a velocidade é a ideia de que devemos proteger e incentivar, cada vez mais, estes rapazes:
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Ora, esses rapazes, em Portugal, são representados pelos dois partidos geminados PS e PSD (COMO TAMBÉM DISSE, E BEM, MEDINA CARREIRA). Para poderem manter o seu estilo de vida e o estilo de vida dos que mais prezam, e esses sabemos que são empresas privadas "do sistema" (e basta olharmos para as tais Parcerias Público-Privadas e Ajustes Directos por aí fora, que esvaziam o Estado e enchem os bolsos desses verdadeiros chulos da sociedade), qual a solução? É simples, basta, por exemplo, enveredar pelas actuais políticas deste governo desastroso que temos! Ou então, melhor ainda, privatizar a Saúde e a Educação, como outros que querem (e vão) substituir o Governo. Claro que o estado terá de pagar possíveis perdas e prejuízos das negociatas e pronto, mais umas PPP e umas brincadeiras dessas para cima do pessoal. Mas tem de se mexer, forçosamente, na única coisa que pode dar dinheiro para isso tudo! Ora aí está a forma de o conseguirem:

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ASSUNTO RESOLVIDO!!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

ESTÍMULO À ECONOMIA

Foto Google
Os ingleses é que a sabem toda e não dão ponto sem nó. E nada melhor para disfarçar uma situação calamitosa das finanças públicas lá do sítio, onde o défice já atingiu 12%, forçando o governo a aumentar impostos e reduzir salários, que uma boa notícia.
E que boa notícia? Um casamento real. O neto mais velho da Rainha vai casar. Porquê o neto mais velho da Rainha? Bem, sempre é melhor dizer isso que o filho mais velho do Carlos... Já se triplicaram os preços dos hoteis londrinos para essa data, já se vendem copos e pratos e t-shirts com a cara dos noivos, aquilo está a dar um festival de incentivo à Economia.
Eu penso que isto pode resultar em Portugal também! Não com o Duarte e a Isabelinha (essa mania de lhe chamarem D.Duarte...), pois esses já casaram e convenhamos, não foi grande coisa. Os croquetes estavam demasiado duros. Nada disso! Penso que a melhor figura a casar seria o nosso PM, o José Sócrates!!
E pensando assim, é melhor começar a pensar no esponsal ideal para Sócrates. Pensei, pensei, pensei... Fernanda Câncio é uma escolha demasiado óbvia, além do nome não aparecer bem nos convites - a maioria ia perceber que o Sócrates tinha cancro. O que, salvo o devido drama humano, iria alegrar muitos portugueses, mas não ao ponto de desatarem a comprar souvenirs. E fui pensando em mais candidatas a noivas de Sócrates.
Penso que arranjei a solução ideal! Que tal se casássemos o nosso PM com esta figura??

Foto Google

Não me digam que não compravam pelo menos uma t-shirtzita?!?!?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ATRASO

Imagem Google
Três pancadas discretas e rápidas na porta era o sinal. Abriu-se a porta e apareceu um homem.
- Bocê é que é o...
- Nada de nomes, entrem. Rápido!
Ahmed e Ali entraram rapidamente para a casa. 
- O que é que vocês andaram a fazer? A Cimeira já terminou!
- Pois, a gente tibemos um contratempo.
- Contratempo? Que contratempo?
- Bem, a gente tínhamos de ir ao aeroporto buscar os telemobes, pás bombas e o cªrª£hº... e a gente fomos. Mas a gente chegamos lá antes do tempo do boo que trazia o material, e fomos até ao bar beber um café. A gente tabamos muito bem ali sentados a mirar as cabronas que passabam e tal, e uns gajos bieram ter cu a gente. E disseram para a gente os acompanharmos e prontos, lá tibemos de ir lá para um cubículo cu eles.
- Era o SEF?
- Não, era o Agente Pereira.
- Não é isso, o serviço que vos foi buscar era o SEF?
- Querssezizer, a bem zizer, num podemos nos queixar do serbiço do bar. O café até era bom e não tinha borras. A cabrona que nos serbiu era uma cabrona alta e loura, não foi por aí... A gente até deixamos uma gorja de dez cêntos.
- Não é nada disso! Quem vos prendeu?
- Ah! Foi uma tal de ASAE. O Agente Pereira disse-nos cagente num debia estar a fumar naquele sítio. Ora eu num sei porquê, se estibéssemos a buber café lá em casa, a gente estábamos a fumar na mesma, só que em vez duma cabrona alta e loura, a gente erámos serbidos por um gajo de bigode. Eu ainda desconfiei que eles estibessem a gozar cagente, mas não. E a gente fomos cu eles.
- E não vos entregaram ao SEF?
- Pois, depois o Agente Pereira deixou a gente entregues ao Agente Figueira, se calhar foi isso. E o Figueira disse logo à gente que a gente debíamos ser estrangeiros para estarmos a fumar num aeroporto. E começou logo a perguntar coisas e o cªrª£hº...
- E vocês deram com a língua nos dentes?
- Quersezizer, a gente demos. Aqui o Ali nem precisaba, que ele num falou. Mas eu quando falo dou com a língua nos dentes, e pensaba que toda a gente fazia isso.
- Enfim... Não é isso! Conta-me lá o que se passou!
- Atão, o gajo, o Figueira, perguntou o cagente andaba ali a fazer no aeroporto, e eu disse que ia ali buscar umas merdas e coiso, e o gajo disse logo cagente éramos brasileiros e que íamos buscar as gajas que binham do Brasil. E onde estão as gajas, e os nomes das gajas, e para onde iam trabalhar e mais num sei o quê... E eu sempre a dizer cagente ia buscar umas coisas, uns telemobes e merdas, cagente num éramos brasileiros e que nem conhecíamos nenhumas gajas brasileiras nem nada, mas o gajo insistia cagente estabamos lá para ir buscar as gajas e queria saber o nome das gajas, e que num deixaba a gente sairmos dali se num déssemos os nomes das gajas e o cªrª£hº...
- E tu que fizeste?
- A gente demos o nome das gajas. Primeiro, a gente lembramos de dizer nomes à sorte, assim Bahira, Hayat e merdas assim. O gajo alebantou-se e atirou-se às paredes, parecia que estaba possuído, o filho da putª... Cagente tábamos a gozar cu a cara dele e mais num sei quê. E a gente num tábamos, a gente tábamos era todos cagados de cagufa e num cabia um feijon frade no olho aqui do Ali. E a gente sempre a dizer nomes de gajas, assim ao Alá dará, e o gajo até puxou da arma pagente e tudo! Só se acalmou quando eu disse Fátima e Jamila, e prontes, o gajo lá se acalmou e apontou o nome das gajas. E depois perguntou as medidas das gajas. Ora a gente num tábamos à espera e dissemos cas gajas eram assim umas cabronas altas e louras e tal e queram uma murconas todas jeitosas, cumas mamas grandes e o cªrª£hº...
- E então, o que ele perguntou mais?
- Perguntou qual era o desconto dele quando fosse à casa da gente. E eu aí desconfiei cu gajo num era certo e queria era brincadeira ou o cªrª£hº... Pra qué cum gajo quer um desconto quando for à casa da gente? A gente até moramos em casas diferentes, eu e aqui o Ali. Cá prá gente, a gente desconfiamos logo cu gajo era paneleiro ou o cªrª£hº... Mas prontos, lá dissemos cu homem será sempre bem bindo a nossa casa e num precisa de pagar porra nenhuma, nem a mim nem aqui ao Ali.
- E depois?
- A gente biemos embora.
- Então não ficaram detidos? Então porque se atrasaram tanto?
- Então, fºdª-$e, a gente estábamos à espera do abion expresso lá das cargas e merdas e o cªrª£hº, mas hoube algum filho da putª que meteu uma bomba no abion e birou aquela merda abaixo!! Tibemos candar por aí a comprar telemobes em segunda mão durante a semana inteira, fºdª-$e!
- Então e porque não compraram telemóveis novos?
- Fºdª-$e, porque enquanto a gente mudabamos as cuecas apareceu outra vez o Pereira a dizer à gente que nos ia multar por a gente tarmos a esfumaçar no bar!
- Então?!... E quanto foi a multa?
- Num sei, fºdªa-§e! A gente num somos estúpidos e untamos as mãos ao gajo com mil aeurios e prontes! Só ca gente ficamos sem guito e o cªrª£hº...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A CAMINHO DE QUÊ?

Foto Google
Escolhi aquela faixa do meio. E enquanto tirava o cartão para pagar a portagem, e lhe juntava o ticket, constatava que já há algum tempo não passava pela saída da A4 em Amarante.
Fiquei algo surpreso porque a portagem ainda está a ser atendida por portageiros.
-Boa noite - saudei, reparando que lá estava o senhor de sempre, aquele que sempre conheci naquela cabine daquela portagem. Reparei que não estava com grande humor.
Boa noite - respondeu, quase a contragosto, passando o ticket e, a seguir, o cartão.
-Então não vão pôr aqui as maquinetas? - insisti eu, que normalmente dou sempre uma palavra àquele portageiro, enquanto colocava o cartão e o recibo no banco do passageiro.
-Está a ver aqueles tubos vermelhos ali à frente?
-Sim - respondi, reparando nuns pequenos tubos vermelhos que emergiam do solo à frente da cabina.
-É para as instalar...
-Está a brincar comigo!
-Não estou, não... - e reparei que o homem estava quase a chorar - vinte e cinco anos da minha vida, passei-os aqui dentro, aqui e na outra lá em baixo, quando existia. Tenho cinquenta anos. Tenho mulher e dois filhos. Vou a caminho de quê, agora?
-Vai ver que ainda alguém as vai encher de chumbo, quando começar a caça!
-Não duvide - o homem esboçou um discreto sorriso, muito breve. Voltou rapidamente a uma cara desolada e rematou:
-Mas nessa altura já vai ser tarde para mim. E para os meus...
Engrenei a primeira, lentamente. Não estava ninguém atrás de mim. Gostava de ter conversado mais com aquele portageiro que conheço há tantos anos.
-Boa sorte - foi a única coisa que me saiu.
-Obrigado e boa viagem! Eu é que já não sei para onde vou...

domingo, 21 de novembro de 2010

INTERLÚDIO PROFILÁTICO

Foto Google
O Papa Bento XVI mudou de opinião. E porque só e apenas os burros não mudam, é bem vinda esta nova tomada de posição do líder da Igreja Católica, que, assim, se coloca na vanguarda no que toca ao uso de preservativos, pelo menos em relação a outras religiões cristãs e não cristãs. Tem a minha simpatia pelo facto.
Apraz-me, por outro lado, ver que grande parte da estrutura católica e dos seus fieis aprova esta mudança. No entanto, há coisas que me fazem impressão. E quando, aqui há um ano atrás, aqui neste mesmo blog, dei conta da posição conservadora e, na prática, verdadeiramente assassina da Igreja, relativamente àquilo que Bento XVI tinha dito em Angola, por exemplo, fui atacado por todos os lados por esses mesmos fieis. Agora, parecem estar de acordo com o seu líder e, por arrasto, comigo. Um conselho: independentemente da posição, agora menos conservadora e consentânea com o mundo actual do vosso líder, arranjem um tempinho para pensarem pela vossa cabecinha. É para isso que ela serve.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O DIÓSPIRO ENTRA

Foto Google
A 4L rolava pela estrada sem entraves. O dia estava bonito mas frio. A despedida de terras espanholas estava para breve. Ahmed conduzia despreocupadamente e ao seu lado seguia Ali, sonolento e chocalhando ao ritmo do velho veículo de matrícula francesa.
- Num sei porqué que tínhamos de bir numa 4L! Num arranjaram melhor lá na sede? – perguntou Ali, visivelmente desconfortável com as costuras das calças Levi’s nas virilhas.
- Oh pá, lá tás tu cum essas merdas! – Ahmed estava irritado – já te expliquei, c@r£hº! Portugal está em crise, é melhor a gente num chamarmos a atençon da bófia, e nada melhor que uma 4L a cair de podre para andar à bontade no meio dos gajos!
- Oub’lá, aton porqué que estamos a bestir roupas caras, Levi’s e o c@r@£hº? Eles num ton em crise?
- Fºd@-$€, qués um cepo do c@r@£hº!! Aton num bês, meu murcon, cagente estudou os gajos? Eles memo em crise usam sempre merdas que num pode!
- Aton e o carro, canudo? Num debia ser melhor, se eles usam merdas que num pode pagar?
- Aton tu num bês, seu cagon, que comprar roupas e merdas é mais fácil que comprar carros? Os gajos devem andar todos bem bestidos mas em 4Ls, pá!
- Olha, bem ali um carro com matrícula portuguesa! Bê lá a marca!!
- É um BMW… Mas este deve ser dirigente desportivo ou o c@r@£hº...
- Olha bem outro atrás! Bê lá a marca, ò murcon!
- É um Mercedes… Debe ser jogador do esférico…
- E aquele que aí bem, e até é uma gaja sem burka a conduzir??
- Está bem, fºd@-$€, já bi, é um Aude. Debe ser mulher do outro que passou!
- De qual dos dois?
- Sim, dos dois!
Uma placa divisava-se ao longe. Estava nela escrita a palavra Portugal, com umas estrelinhas à volta. Passaram a placa e meio quilómetro à frente, à entrada da aldeia perdida no meio dos montes, um jipe da GNR estava parado na berma. Um guarda ergueu a mão e pôs-se no meio da estrada, fazendo sinal à velha 4L para encostar.
- Bom dia, xenhor condutor – o guarda fez a continência – pode parar o motor da xua viatura, por favor? Gostava de ver o xeus documentos e os da viatura, por favor.
Ahmed rebuscou na sua velha carteira de pele de camelo australiano pelos documentos, ao mesmo tempo que ia sorrindo para o guarda, que mantinha uma posse impassível por detrás dos óculos Ray Ban. Assim que os encontrou, deu-os para a mão do guarda. Este deu uma volta ao veículo, olhou atentamente para os selos expostos no pára-brisas, e voltou para junto de Ahmed, que se sentia cada vez mais em pânico.
- Ora, Xenhor Ahmed Dióspiro, temos aqui um problema. A xua viatura tem matrícula francesa e não traje ali no vidro o selo de inspexão periódica obrigatória.
- Mas, ò senhor guarda, eu tenho aqui o comprobatibo da inspecçon feita ali em Salamanca, só num tibe tempo para pôr o selo ali no bidro. Num tenho mais daquelas saquetas, sabe? – e Ahmed deu ao guarda a declaração falsificada.
- Ah bom! Axim é diferente e não xeja por ixo. Pegue lá uma das noxas! Mas temos dois problemas, então! Uma viatura franxeja, um xelo espanhol, uma xaqueta portugueja e dois ocupantes marroquinos!
- Marroquinos, senhor guarda?? Pelo amor de A… Deus, aton nós somos lá marroquinos? A gente somos finlandeses, num se bê pela cor da fuça? A gente bem em passeio por essa Europa fora, e até bínhamos no Inter Rail, mas depois aquilo abariou em França e a gente alugamos esta biatura.
- Finlandejes em paxeio? É o que dije o xeu BI, mas isto é esquijito, porque ainda a xemana paxada houve dois marroquinos a bender tapetes lá na terra e eram muito parexidos com voxemexês…
- Ò senhor guarda, se calhar eram finlandeses, olhe qu’os tapetes finlandeses são muito bons, assim em pele de urso polar e tal. Eu próprio tenho uns cinco lá em casa…
- Pois, xe calhar eram, não xei… Olhe, vai ter de me dar xem aeurios, por favor.
- Aton, mas ò senhor guarda, mas eu tou a ser multado? Porquê? Binha em excesso de bolina? Ou falta algum documento?
- Nada dixo, é para pagar o Dispojitivo de Pagamento de Portages, eu por acajo até tenho aqui uns quantos e xão muito jeitojos, axim num tom ajul bebé, ou então também tem este rojinha que também é muito lindo.
- Ò senhor guarda, mas isso dos coisos dos chips num eram só setenta e cinco? Olhe que eu até penso que li alguma coisa sobre isso…
- Pois, mas leu mal. O xenhor condutor está por acajo a inxinuar que o agente da autoridade perante xi está a pedir um xuborno?
- Não, ò senhor guarda, pelo amor de A… Deus! Nada disso!
- Então proxeda ao pagamento, por favor. Não… nada dixo… ixo, ixo, em notas de auerio, por favor. Não temos o terminal a funxionar. E vai-me desculpar, mas esquexi-me do livro de rexibos… Muito obrigado – disse o guarda, guardando o dinheiro no bolso das calças – e pode xeguir, xenhor condutor!
- Então e o dispositibo?
- É virtual, o xenhor depois vai a uma payshop e dá a matrícula e paga.
- Mas o senhor guarda até me disse que eram azuis bebé e rosinha e o camandro!
- Xim, pois, pode imaginar a cor que quijer, é a vantagem de xer virtual. E pode ir à xua vida, lá para a Ximeira da Nato e o catano, faxa uma boa viagem!
- Mas como é que o senhor guarda sabe que eu bou para a Cimeira da Nato, canudo?
- Ora, numa 4L, ou é terrorista ou marroquino a vender tapetes, voxemexê dexida-xe lá! E xendo um terrorista finlandês, com xerteja os meus colegas da capital limpam-lhe o xebo antes de dijer um pio. Xe foxem árabes ou quê… E já agora, o que quer dijer Diójpiro em finlandês? Ou era o pai do xenhor que não gostava de xi à naxenxa?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ENTREVISTA COM O DIÓSPIRO

Isto também tem que servir para serviço público, e por isso vos aviso a todos que vai haver atentado em Lisboa durante a Cimeira da Nato. E não posso revelar a fonte, mas fica a entrevista ao terrorista responsável pelo mesmo:
"- Sr. Terrorista, boa noite, diga-me: então vai haver um atentado em Lisboa?
- Prontes, lá bêm bocês cum essas coisas. Eh pá, num bamos estragar a surpresa, sim?
- Mas que motivos poderiam levar alguma organização terrorista a atacar Lisboa? É pela presença de tantos líderes para a Cimeira?
- Bom, querssezizer, ajudaba a gente apanhar assim algum peixe mais graúdo, num é? A gente anda praqui a sacrificar-se comó c@r@£hº e coiso e... e, olhe, ainda no ano passado, a minha classificaçon foi assim a modes qu'um nobe e meio, canudo, quase que reprobaba!
- Então é seguro dizer que não querem apenas matar o primeiro transeunte que encontrem?
- Não, pl'amor de Alá! A gente aprende na escola de terrorismo que a gente temos de ser produtibos, isto num é assim 3 bez nobe binte e tal! Nada disso, a gente nunca quer matar o primeiro qu'aparece, canudo! Bocêses, tamém...
- Então vão evitar baixas civis?
- Bem, eu explico, a gente somos eficientes e nunca matamos o primeiro qu'aparece. A gente esperamos sempre pelo segundo. É cu segundo traz sempre mais gente, o primeiro é assim a modos qu'um gajo que por ali begeta, e aquilo arrebenta e coiso e prontes, e mata-se ali o primeiro e mai nada. A gente espera pelo segundo, que já sabe que o primeiro escapoue e traz reforços e pumba, a gente matamos aquilo tudo! Quanto a isso das baixas cibis, a gente evita sempre isso. A gente sempre preferimos as altas cibis, mas se forem altas militares, olha, prontes, lá traque ser, num é?
- Mas têm uma escola de terrorismo? 
- Atão onde é cagente ia aprender a terroar, canudo!? Claro que temos uma escola de terrorismo. Eu, prontes, até era trolha lá na terra, mas depois perdi o emprego e fui-me inscreber nas Nobas Oportunidades e escolhi este curso. Mas era difícil entrar, olhe qu'isto deu para cima duma trabalheira. Isto durou três anos a tirar o curso e depois escolhi uma especializaçon e fui para comunicaçons.
- Então é encarregado pelas comunicações do grupo?
- Querssezizer, sim, pois. É assim, quando a gente rebentamos cum as merdas, eu é que carrego no botão do telemóbel para chamar para a bomba e dizer para ela explodir. Eh pá, já sei o que bai zizer, qu'era melhor ser suicida, e o c@r@£hº. Pois, eu tamém queria, pá, mas aquilo foi assim a modos que, pá, num tinha tempo, pá. Aquilo era uma especializaçon muito demorada e eu prontes, fºd@-$€, tinha uns hobes e coiso... sabe o qué qu'era? Andava na columbofilia, e aquilo dos pombos tiraba-me um pedaço de tempo e tal... E aton fiquei pelas comunicaçons... Mas tenho pena, fºd@-$€, pois tenho, de num ser suicida! Paga melhor e o c@r@£hº...
- Mas então foi treinado num campo terrorista?
- Pois, isso... tamém. Mas a gente nem sempre chegaba a tempo de alugar o campo, e às bezes já estabam lá uns putos a treinar e o c@r@£hº. Quando eram poucos, a gente fazíamos uma equipinha e jogábamos contra eles, e até era um gosto, ber aqueles jobes a treinar com afinco, pá. É bom a gente sabermos que a nossa arte tem um futuro, pá, que tem gente noba para continuar a fºd€r esta merda toda.
- Então mas como sabem que têm aquilo que é necessário para ser um terrorista?
- Oh pá, a gente sabemos porque o padrinho dá-nos o material, pá, tás parbo ou o c@r@£hº?
- Não, a nível pessoal, quando soube que podia ser um bom terrorista?
- Ah bom, isso, pois. Pá, a gente temos que ter raça, pá! Isto é 10% de talento e 90% raça. E eu sempre soube que tinha raça, porque até a belhota me dizia que eu era da raça dos tomates, pá, que devia ser pelo menos amigo deles, porque tanto os coçaba. A minha belha era assim, pá, directa e mai'nada! E lá está, isto para a gente seguirmos a carreira de suicida já num podemos ser da raça dos tomates, já é preciso ser da raça do c@r@£hº... Son coisas...
- Uma raça superior, portanto...
- Querssezizer, num sei sé assim superior, agora aquilo é tudo sócio e não sócio, já num há bancada nem superior... Mas os nossos suicidas eram assim da raça do c@r@£hº pela mesma razon qu'eu era da raça dos tomates, tamém andabam sempre a coçar o c@r@£hº e...
- E então, desculpe interromper, o atentado em Lisboa vai ter alguma parecença com o 11 de Setembro?
- Eh pá, é assim, prontes, querssezizer, a gente gostábamos de prometer assim um bom espectáculo e coiso, mas... eh pá, o c'agente às bezes se esforçamos para fazer assim um brilharete, pá, assim as coisas serem eficientes mas assim bonitas, cum nota artística alta, comó Jesus quer e o c@r@£hº, pá... Mas nem sempre calha, a gente às bezes tamém apanha òs cinco de cada bez... São coisas... Por isso é qué melhor a gente num dizermos nada. Pode às bezes correr mal e assim ninguém fica com as espetatidas muito altas.
- Uma última pergunta: porque tem sotaque do Porto?
- Aton, ò meu murcon, porque a gente quer ber Lisboa a arder... e o c@r@£hº..."

domingo, 14 de novembro de 2010

FÉRIAS NO SINAI OU ÊXODO CAP. V

  1. E  Moisés, encontrando-se agastado com a atitude do seu povo, os deixou a todos, e todos os seus animais, incluindo maridos, e se retirou, e entrou na casa do Senhor, que naquela época era o Monte Sinai, porque os terrenos em Roma estavam pela hora da morte mesmo para imortais;
  2. E Moisés rumou pela montanha árida, e procurou a Deus, e por vários dias o procurou. E o Senhor não estava em casa, e Moisés crashou num dos quartos de hóspedes;
  3. Até que uma noite, o Senhor o achou dormente, descansado das agruras da subida, e o acordou, dizendo-lhe: Moisés, porque Me procuras? Não sabes que é perigosa a subida, e que o calor te assa a moleirinha?
  4. E assim respondeu Moisés: Por onde tens andado? Já estou aqui em tua casa há semanas e tu nada! Estou farto de comer pizza congelada! - ao que o Senhor respondeu: 
  5. Ainda que nada tenhas a ver com isso, fui de férias para Sharm-al-Sheik ver os corais; e mais te digo, com essa atitude não vais longe, e é melhor prostrares-te na minha presença!
  6. E Moisés começou a sentir na cara o calor da presença de Deus, e antes que tivesse de dar entrada na Unidade de Queimados dos HUC, lá baixou a cabeça até ao chão, e queixou-se ao Senhor da impaciência de seu povo;
  7. E isto irou muito o Senhor, e imediatamente deu a Moisés um livrinho, e lhe disse que, a partir de agora, o seu povo se regeria por aquele livro, e que não pensasse sequer em lhe fazer alguma revisão;
  8. Moisés recebeu o livro, e o livro chamava-se Constituição; e Moisés saiu da presença do Senhor, e iniciou a descida da montanha; e a moleirinha começou a assar-se-lhe;
  9. E a descida era difícil, e Moisés teve dificuldades e deixou cair o livro; e o desespero dele foi muito, e pensou no que havia de fazer, pois nem teve tempo de o ler; 
  10. E assim encontrou gravuras rupestres, e reparou que não havia nenhuma barragem que as afogasse, e as picotou com uma agulha que trazia no bolso das moedas das Levi's, e as trouxe para o povo inscritas na pedra;
  11. E quando chegou ao seu povo, este fazia uma festa à volta de um bezerro de ouro; e vendo os seus esforços cada vez menos reconhecidos, Moisés quebrou as gravuras no chão, e o povo parou o bailarico e lhe perguntou onde raio tinha andado;
  12. E Moisés, irado, juntou os pedaços das pedras, o que lhe demorou muito tempo, e tomou gosto por puzzles, e foi comprar uma revista Sudoku às bombas, por 3,5€, 100 puzzles nível fácil, para começar - e uma Super Bock em lata, que a moleirinha estava a ferver; 
  13. E lhes disse que o Senhor lhes tinha mandado a Lei, e que todos lessem, pois era a Lei; e o povo queixou-se que já não havia escolas primárias naquelas paragens e ninguém sabia ler;
  14. Então Moisés, com infinita paciência, deu-lhes a conhecer os Mandamentos de Deus, depois de Pedro Passos Coelho ter reclamado a privatização das Tábuas da Lei:
  15. "Não terás outro Deus além do Senhor"; e Cavaco Silva retirou-se, pois o seu maior Deus era o Deus Mercado;
  16. "Não farás imagens para adorares"; e este mandamento foi expressamente para lixar o povo que ainda olhava para o bezerro de ouro em vez de olhar para Moisés, e Sócrates retirou-se do povo, pois aquilo que melhor sabia fazer passava a ser proibido;
  17. "Não invocarás o nome do Senhor em vão"; e foi deste mandamento que o povo inventou os palavrões, no orgasmo e fora dele;
  18. "Lembra-te a guarda o dia de Sábado, no qual não trabalharás"; e Pedro Passos Coelho insurgiu-se contra, dizendo que não havia "razão atendível para um dia de descanso para os escr... trabalhadores que até já ganham 475€ por mês sem descontos"; 
  19. "Honra a teu pai e tua mãe"; e mais um socialista se retirou do povo, e este tinha o nome de João Soares;
  20. "Não matarás"; e este mandamento até foi bem tolerado, era tudo boa gente, e só tinham alguma vontade de matar Moisés, por os fazer andar às voltas no deserto por quarenta anos;
  21. "Não cometerás adultério"; e foi a vez de outro homem se afastar cabisbaixo, dirigindo-se ao apartamento de Valongo onde tinha a concubina brasileira para afogar as mágoas;
  22. "Não furtarás"; e o povo ficou reduzido a metade, e muitos foram morar para a Ilha do Sal, e outros foram trabalhar para a Mota Engil, outros até foram para Deputados, outros para a Sonae, e outros para o Governo;
  23. "Não levantarás falsos testemunhos"; e o site dos bufos foi encerrado assim que abriu, e um presidente de uma grande construtora até disse "E eu?", e todos o calaram dizendo que estivesse calado, porque não era o caso;
  24. "Não cobiçarás"; e todo o povo ficou circunspecto, que é uma palavra demasiado avançada para textos bíblicos, mas achei que aqui ficava bem, e o povo caiu em si, e viu que a cobiça da situação dos gregos lhe ficava mal;
  25. E Pedro Passos Coelho de imediato quis rever os mandamentos, mas assim que lhe disseram que não falava de Hospitais nem Escolas, ficou mais descansado; mesmo assim, considerou a observância do Sábado um "grave obstáculo à nossa competitividade; e alguém lhe disse que se fosse fazer amor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

UM NOVO MANDAMENTO

Foto Google
No princípio, era o Verbo. Depois, já era o Adão e a Eva. Depois foram todos exterminados pelo Dilúvio e só ficou o Noé e a famelga. Depois veio o Abraão. E andou o Moisés quarenta anos a secar no deserto para trazer dois calhaus dum monte, com umas gravuras do Côa. E chamou-lhes os Dez Mandamentos. Depois veio Jesus que deu o décimo primeiro mandamento.
É só gente importante, não é? Pois, mas nenhum como o Profeta Cavaco! O iluminado em Finanças, o inquestionável, o imprescindível, o homem que raramente tem dúvidas e nunca se engana, o nosso presidente da República é um profeta! E não é como esses profetas mixurucas, tipo Maomés e John Smiths e coisas do género! Não, o Profeta Cavaco é diferente. Os outros profetas antes dele vinham anunciar a palavra de Deus, ou seja, diziam sempre a mesma m€rd@, mas sempre em nome do mesmo Deus. O Profeta Cavaco deu um passo em frente! Vem dar o 12º Mandamento, que já era um dos originais dez! Ou seja, diz sempre a mesma m€rd@, como os outros profetas, Deus, Pátria e Família. Pois, mas a inovação do Profeta Cavaco é completamente revolucionária. Profeta Cavaco é um profeta, mas não é de Deus! Ah pois, toma, vai buscar! Não estavam à espera pois, não?? Ou melhor, é de Deus, mas não o mesmo que o dos outros.
O Novo Mandamento do Profeta Cavaco:

"Não invocarás o nome do teu Deus, o Mercado, em vão! Serás punido com morte imediata se invocares o nome do teu Deus, Mercado, em vão!"
Vá, meninos, todos para casa e vejam lá se cumprem o mandamento do presidente Profeta Cavaco e deixam de profanar o nome do Senhor Deus Mercado em vão, sim? Só pode ser invocado em oração e antes das aulas ("Mercado! Mercado! Mercado!"). Já agora, fica a oração que o Mercado nos ensinou:

Mercado nosso, que estais no réu,
Rentabilizado seja o vosso nome,
Vá a vós o nosso dinheiro,
Seja satisfeita a vossa ganância, 
Assim na bolsa como no banco.

A subida de juro de cada dia nos dai hoje,
Perdoai-nos os nossos empregos,
Assim como nós trabalhamos 
Para quem nos quer depenar,
Não nos deixeis cair em abundância,
Mas livrai-nos de poder comer.

PS: O Profeta Cavaco presidirá à próxima celebração da Eucaristia Mercantil, a ter lugar na BVL, pelas 11:00 da próxima 2ªfeira, dia da abertura do Senhor Deus Mercado. Assistirão ao Sr. D. Profeta Cavaco os seus acólitos D. José de Oliveira e Costa, Bispo de Caxias e D. Dias Loureiro, Bispo da Ilha do Sal, renomados clérigos do culto do Senhor Deus Mercado e da sua Igreja da Ganância Divina.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ANTÍGONA

Creonte
Antígona é um diálogo grego, originário da pólis de Tebas, que conta a história de uma mulher, Antígona, que ousa pôr em causa, por uma série de circunstâncias mais ou menos rocambolescas, bem ao estilo grego do início do período clássico, o poder do rei de Tebas, Creonte, e dos homens em geral.
Ora naquele tempo, as mulheres não tinham aqueles direitos todos, e vai daí Creonte aprisiona Antígona e submete-a ao julgamento da Assembleia de Tebas, antes de a entregar aos Magistrados.
Creonte, no entanto, tem uma visão que hoje se torna actual acerca do poder. Diz ele, com propriedade, que "não se conhece o temperamento e o carácter de um homem, antes deste se exercitar no poder e na legislação". Nada mais verdadeiro, até acerca dele próprio, um déspota despudorado com pouco respeito pelo próprio povo.
Hémon, o filho de Creonte, dá conta ao próprio pai da vontade da Assembleia, o conjunto dos homens livres de Tebas, acerca do destino de Antígona, neste delicioso diálogo:

"Hémon: Não o afirma o povo todo de Tebas.
Creonte: E é a pólis que me vai dizer o que devo ordenar?
Hémon: Vês que respondes como se foras uma criança?
Creonte: É pois outro, e não eu, que deve governar este país?
Hémon: Nenhuma pólis é pertença de um só homem.
Creonte: Não se considera que a pólis é de quem manda?
Hémon: Sozinho, numa terra deserta, é que governarias bem."

E pronto, era só isto. Achei tão antigo e tão actual que não resisti. Tirem vossas conclusões.

domingo, 7 de novembro de 2010

ENTREGUE E BEM ENTREGUE

E está entregue o campeonato, à décima jornada. E bem entregue, hoje o Benfica campeão foi uma sombra daquilo que pode e deve fazer. Por outro lado, o FC Porto esteve imparável e castigou alguma impreparação do Benfica para este jogo.
De salientar alguns aspectos importantes. O Hulk esteve absolutamente impecável e imparável. Está em grande forma e arrasou as invenções de Jesus no sector defensivo. Não que se Jesus não tivesse inventado, o FC Porto não ganhasse hoje. O Benfica, em condições normais desta época, não poderia nunca sonhar em ganhar no Porto.
Um outro aspecto que define os clubes, independentemente das vitórias e derrotas: o público. Obviamente sabemos bem o que o público do FC Porto representa, e mais uma vez o demonstrou, e não será necessário escalpelizar mais um fenómeno que, obviamente, cai já no foro do patológico. O público do Benfica, desfeito pela derrota, acolheu a equipa no final do jogo, deu-lhe o seu carinho e aceitou as suas camisolas, que ali dentro tinham tão justamente perdido por uma diferença vergonhosa. Aqui está a diferença entre os públicos do Porto e do Benfica. Não há mais palavras para descrever o fenómeno.
Por falar em fenómenos, mais uma vez os meus sinceros parabéns a Hulk, um jogador que arrastou toda a equipa para uma noite de glória inteiramente merecida.
Bem sei que vai começar a caça às bruxas no Benfica. Porque não jogou Saviola? Porque meteu o David Luís a defesa esquerdo e não a central? Porque não jogou nessa posição o Fábio? Não adianta nada. Primeiro, porque temos de reconhecer, unicamente, que o FC Porto está muito mais forte que o Benfica e qualquer um dos outros. Segundo, porque o Benfica está muito abaixo daquilo que fez a época passada e do que pode fazer. Terceiro, o campeonato não acaba aqui, e ter perdido por um, por três ou por cinco é igual. Há que levantar a cabeça e lutar por defender o título até ao fim. É assim que devemos ser benfiquistas - até ao fim, e não como vimos os adeptos do FC Porto a época passada, a duvidar e a assobiar a sua equipa por ter perdido na Luz. Quarto, o mesmo treinador que pode ter falhado hoje já nos deu muitas alegrias e de certeza não deixou de perceber do que faz. Foi infeliz? Talvez. Hoje penso que seria sempre. Foi sem espinhas.

sábado, 6 de novembro de 2010

VISITA INDESEJADA

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Pela minha parte, Sr. Presidente da República Popular da China, Sr. Hu Jintao, pode voltar pelo mesmo caminho que o trouxe para aqui. Pela minha parte, pode até voltar num avião da Qantas, mas dos grandes. Pela minha parte, tenho pena que este pequeno país, mas também os grandes que o acompanham em tantas instâncias internacionais se baixem e lhe lambam as botas.
Pela minha parte, Sr. Presidente, tenho pena que os portugueses estejam mais preocupados com outros problemas, aparentemente bem mais importantes para a sua vida, para reparar sequer que o senhor está cá. Pela minha parte, gostaria de alertar esses portugueses que 95% dos problemas que têm hoje são causados por si e pela sua República, bem como por outras repúblicas que fazem do esclavagismo a sua maior fonte de receita.
Pela minha parte, Sr. Presidente, não é bem vindo a este país. Não enquanto o seu país não tiver condições minimamente decentes para remunerar e honrar o trabalho dos seus cidadãos. Não enquanto o seu país não o eleger a si e aos outros satélites seus em eleições livres e democráticas. Não enquanto não libertar os povos oprimidos pela sola da sua bota. Não enquanto mantiver a sua política de prisão política. Não enquanto não conferir às suas exportações as garantias exigidas pela OIT, a quem tão habilmente suborna. Não enquanto permitir aos seus concidadãos noutros países fazerem concorrência desleal aos cidadãos desses países, com produtos manufacturados por escravos e expostos sem nunca terem pago um cêntimo de impostos. Não enquanto todos os países europeus e até os EUA lhe prestarem vassalagem e pretenderem fazer aos seus povos o mesmo que o senhor faz na China.
Pela minha parte, Sr. Presidente Hu Jintao, não é bem vindo. E apesar de apenas 10% dos portugueses representados na nossa Assembleia da República, aqueles que votaram no único partido que não o vai homenagear hoje naquela sala, que devia ser o símbolo do respeito pela democracia e pelos direitos humanos, terem este sentimento, apesar disso, Sr. Presidente, quero manifestar-lhe esta intenção de o ver partir rapidamente.
Pela minha parte, Sr. Presidente Hu Jintao, apesar de aqueles que, neste país, palram todos os dias contra os seus métodos e baixíssimos standards de direitos humanos e do trabalho, estejam por esta hora a beijar-lhe as botas e a prestar a sua sentida vassalagem, desde o nosso idiota PCP, passando pelos partidos das prostitutas políticas, o PS e o PSD, mais esse núcleo reaccionário chamado CDS, estou para lhe dizer, a si e a quem quiser ouvir, que admiro a atitude do único partido que boicotará essa sessão de lambe-botas. Eu também não o faço, Sr. Presidente. Vá em paz, como chegou. Mas, pela minha parte, não volte tão cedo.
E, já agora, leve aqueles que, pelas suas costas, tão mal falam de si, mas que, na realidade, são os seus melhores amigos e defensores. Obrigado.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

RUBIS

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O rubi é uma pedra preciosa. Não vou gastar português a explicar como se forma. É uma rocha assim como um calhau da calçada, mas tem uma cor gira e é translúcido. É uma das cinco pedras preciosas, sendo as outras os diamantes, as esmeraldas, as safiras e os ametistas. Sim, e mais nenhuma é preciosa. E sempre causaram estas pedras grandes confusões ao longo dos tempos.
Mas há para aí um rubi, ou melhor, uma Ruby, que está a originar uma confusão muito grande. Vem de Marrocos e não é pedra e é preciosa não sendo haxixe. É preciosa para Berlusconi, que pelos vistos viu atributos tão grandes na jovem de 17 anos que até a tentou livrar da cadeia após uma acusação de roubo. Isto é assim mesmo. Uns a extraditar estrangeiros, outros a protegê-los. Vai tudo do nível dos serviços à pátria de acolhimento e parece que os serviços prestados pela Ruby à Itália ou pelo menos ao presidente do governo italiano foram assinaláveis e já lá diz o ditado que quem tem amigos não morre na cadeia.
Escândalo atrás de escândalo, lá veio o Berlusconi dizer que é um homem solidário e que até se tomou de piedade da moça e tomou a atitude solidária. E nós acreditamos, solidário ele foi. E nem tentou negar a afeição de cariz pessoal que tem pela menor marroquina, dizendo que mais vale gostar de mulheres bonitas do que ser gay. Ora aí caiu o Carmo e a Trindade...! Logo vieram uns activistas gay e mais não sei o quê e o camandro.
Eu concordo, obviamente. Mais vale gostar de mulheres bonitas do que ser gay. E não me venham lá com a conversa de que não sei porque não sou gay. É verdade, mas a questão toda é que não sou gay nem tenho desejo sexual por homens. Logo, Berlusconi tem toda a razão. Não é obrigado a dizer que prefere ser gay a gostar de mulheres bonitas. Nem sequer é obrigado a dizer que tanto lhe faz, ser gay hoje e amanhã andar com uma mulher bonita, apanhar no pacote (tinhas que cá vir, Maria Pronúncia) na sexta e depois ir às meninas no Sábado. Ora o homem não gosta de homens, não tem desejo sexual por eles, prefere mulheres e bonitas de preferência. Qual o mal em dizê-lo? Isto à parte o facto de ser quem é e ocupar o lugar que ocupa, claro, mas isso são outros quinhentos.
O mal é que hoje em dia temos de ser sexualmente correctos. E não podemos dizer que não gostamos de homens. Isso é ser sexualmente incorrecto. Ah, e vale o mesmo para as meninas. Gostam de homens? Não o podem dizer, senão vêm uns senhores de uns sítios quaisquer dizer que são homófobas. Têm de dizer que pode marchar tudo, homens e mulheres, senão são discriminatórias. E não me refiro a coisas tipo filme porno em que dão uns beijitos à outra menina só para aquecer o motor ao gajo que está a ver. Nada disso! Puro hardcore!!!
Bem, eu particularmente gosto de uma mulher e não gosto de nenhum homem. Prefiro gostar da minha mulher do que ser gay. Acho que ela também prefere que eu diga isto. As mulheres casadas podem confirmar? Quantas gostam de ter maridos gay? Pronto, está bem, mas eu cá só gosto de uma mulher e não quero ser gay. Prefiro uma mulher bonita (a minha, que ainda vai ler isto...) do que ser gay! Venham de lá os Opus Gay todos insultar-me a dizer que sou homófobo!!! Uma merda! Eu apoiei a lei que vos permite casar, e agora são livres de o fazer. E eu ainda não sou obrigado por lei a ser gay! E ser heterófobo ainda não é obrigatório pela constituição. Por isso, aqui estou com Berlusconi e repito:
MAIS VALE GOSTAR DE MULHERES BONITAS QUE SER GAY! 
São gostos, que querem?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MUDA A CARA, FICA A POLÍTICA

Presidente Dilma Roussef
Já é seguro dizer, a esta hora, que Dilma Roussef se tornou a primeira Presidente da República do Brasil. A verdade é que nem sequer há grande surpresa. E se é bem verdade que muda a cara do Planalto, é bem provável que a política seguida pela presidência se manterá como até agora, com Lula da Silva.
Por isso, há que dar os parabéns aos vencedores, e dar tempo aos vencidos. Dar tempo para repensarem aquilo que querem para o Brasil, e aquilo que querem fazer nas próximas eleições, evitando bolas de papel na cabeça. Os mais de "dois quilos" da bolinha de papel que agrediu Serra devem ser bem menos pesados do que aquilo que vai na sua consciência.
Oxalá o Brasil se mantenha no rumo, com esta nova Presidente, o rumo de Lula da Silva, que fez disparar todos os indicadores económicos brasileiros, e que tem feito minorar todos os males que alguns malfeitores infligiram àquele país no passado. Uma vitória que se quer no caminho para a prosperidade contra o regresso doloroso a um passado recente dominado por uma direita brasileira que prosperou à custa dos milhões de miseráveis brasileiros. 
Parabéns e boa sorte!