quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Afonso Ibn Erriq - parte 2


Depois de arriar um valente arraial de porrada nas excrescências de marfim no macho de cabra do avô, Afonso não se ficou por aí e deu cabo do canastro ao primo Afonso Raimundes, que sucedeu ao velho Afonso V na coroa de Léon. Afonso foi marcando a fronteira com o reino vizinho, com pó de tijolo porque estava a nevar e os árbitros queixavam-se de má visibilidade. Hoje em dia, não mudou muito, exceptuando o facto de que não neva nos jogos do Porto. Mudou-se para uma cidade que ficou a ser a primeira capital de Portugal: Coimbra. Pelo meio, enfiou o urso ao Vaticano e declarou-se vassalo do Papa, só para escapar ao Raimundes, e proclamou a Independência de Portugal! Deve-lhe ter parecido coisa esperta na altura...

Na nova capital, Afonso aborrecia-se. Tinha derrotado o raio dos castelhanos e os árabes estavam bem seguros de si, atrás das muralhas de Santarém. Nem as incursões para ir às gajas a Zamora, Salamanca e Santiago de Compostela tinham agora graça. Aliás, em Salamanca, estabeleceu a famosa "La Movida", pois sempre que os hermanos viam a chegar o "doido do primo do Raimundes", tocavam a rebate e moviam-se para longe. Santiago, na altura antes dele, chamava-se Sempostela, mas depois de levarem com tanta posta de lagosta na tromba, os castelas mudaram o nome para Compostela.

Estava então Afonso a jogar Monopoly com o Moniz, queixando-se de não ter nada para fazer nem ninguém para arriar. Moniz sentia-se até feliz, pois assim tinha mais tempo para os seus hobbies, a caça do javali e a pesca de castelhanos à linha. Acabava-lhes com o sofrimento à chapada. Então, Afonso dá um valente murro na mesa e afirma a vontade de alargar para Sul o território! Moniz assusta-se. Tenta demover o agora Rei. Diz-lhe que estão lá os Mouros, bem emparelhados nas muralhas e que, além disso, não ia ser fácil fazer passar uma moção de invasão no Conselho das Nações Unidas. Afonso retorquia energicamente, que estava farto de carne castelhana, órgão sexual masculino, que os Mouros que se fossem fazer sexo que não lhe metiam medo e que tinham emparelhadas era as filhas de senhoras de má vida das cabeças e que essa coisa da ONU tinha um chinoca à frente, e que por isso, fossem todos defecar que ele próprio defecava para o caso. Estava decidido a iniciar a invasão, o que fez assim que chegou o Braganção, senhor das terras de Bragança, seu cunhado que roçava a primo à quinta potência. Era ainda mais doido que ele, e tinha só quatro dedos na mão direita, porque cortou um fora quando falhou um tiro de arco na caça. Fundou as casas de meninas de Verín, quando a sua mulher e outras que tal expulsaram as brasileiras do castelo. Chegou à Alcáçova de Coimbra com brados entusiásticos que chamavam por "Afonso, filho de uma grande senhora de má vida, que a tua irmã faz-me sexo com o juízo todos os filhos de meretrizes de dias, faça-se sexo!"

E assim começou a invasão aos Mouros. Afonso ia conquistando cada vez mais terras, que ia metendo em carrinhos de mão e transportando para Trás-os-Montes que, antes desta guerra, era plano. Chegado a Santarém, montou cerco à cidade e esperou. Ouvia dentro das muralhas os Mouros a segredar: Ibn Erriq, Ibn Erriq... Perguntou ao Moniz o que queria dizer aquilo, ao que ele respondeu que era sinal de respeito, que o conheciam com "Filho de Henrique". Afonso - bem, agora era D.Afonso - respondeu ao seu jeito, retorquindo: "Faça-se sexo, que filha de mulher de má vida de homossexualisse do orgão sexual masculino! Vou mandá-los todos para o orgão sexual feminino da mãe deles, faça-se sexo!". Apareceu a Edite Estrela a avisar que não podia repetir tantas vezes a mesma palavra na mesma frase! D.Afonso mandou-a fazer sexo!
Mandou vir os tanques de guerra! E vieram os tanques de guerra, e uma série de lavadeiras do Douro a lavar roupa neles! Os Mouros, cercados e sem poder gastar água, sujos como tudo, logo começaram a pagar às lavadeiras para lhes lavarem a roupa - descuidando a guarda, que nessa altura não era Republicana, mas já andava a fazer apreensões de material pornográfico no Cartaxo, ou pelo menos parecia pornográfico, podia ser apenas erótico, mas o morangueiro do Cartaxo era do órgão sexual masculino e confundia os olhos. Em breve a cidade estava tomada e D.Afonso subiu o preço das lavagens de roupa.

Na hora da vitória, D.Afonso recebe um pedido de explicações da ONU, de um tal Banco Imune, ao que responde imediatamente, elogiando o Secretário Geral das Nações Unidas com epítetos como "Faça-se sexo, não deves ser o órgão sexual masculino do BPN nem o filho de uma meretriz do BPP, esses não foram Imunes, esses machos de vaca do órgão sexual masculino!". Perante esta resposta, os Americanos, no Conselho de Segurança, atiraram-se ao ar, afirmando que apenas eles tinham o direito divino de invadir território muçulmano! D.Afonso lembrou-lhes que, nessa altura, eles estavam a nadar no escroto do pai deles, de testículo para testículo, e para terem cuidado, não fosse ele denunciar a aliança com os ingleses e arrancar os ditos testículos pela raiz! E que, se assim fosse, no futuro, andariam às voltinhas a uma fogueira cantando "os meninos à volta da fogueira" do Paulo de Carvalho. E mais, se não tivessem tento na língua, mandava-lhes o Sócrates! Os Americanos acalmaram e até queriam mandar oito F-16 a largar óleo que tinham servido na Guerra da Independência (deles).

"Lisboa, aí vamos nós!" - gritou D.Afonso, com energia e alegria incontida, do alto das muralhas de Santarém. Logo apareceu o alcaide mouro Francisco Moita Flores, a queixar-se da filha da mulher de má vida da REN e avisando D.Afonso:
- Cuidado, nem imaginas o que vais encontrar em Lisboa!
- O quê?
- Grandes muralhas!
- Só quero saber da Catedral, vou lá ver o Benfica, c'um órgão sexual masculino!!! Até que enfim, faça-se sexo! Que mais encontrarei em Lisboa, seu mouro de excremento??
- O Sócrates!!
D.Afonso chorou. Ficou deprimido por alguns anos...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Afonso Ibn Erriq - parte 1


Afonso era um jovem de dezoito anos, nascido de boas famílias. Gozava as noites como podia naquele tempo, já que durante os dias levava arraiais de porrada do seu treinador de wrestling, o Moniz. O Moniz era um espécie de tio afastado, escolhido pelo pai para o criar, pois este sabia que a cirrose é o ia f... azer ir para a cova e a sua mulher Teresa não era muito chegada a pirralhos. Ia então o Afonso para casa, depois de deixar mal estacionado o seu veículo com tracção às quatro patas e um cavalo de potência à porta do castelo de Guimarães. Caiu três vezes nas escadas, embora tivesse feito a estrada de Braga a quarenta à hora de espora a fundo. Esqueceu-se das chaves e chamou a plenos pulmões pelo Moniz que, ensonado, veio abrir a porta. Depois de se explicar como podia, incluindo algo como estar bêbado como um cavalo (não havia carros na altura) e ter mais trinta centímetros de altura e trinta kgs de peso que o Moniz, lá foi autorizado a entrar.

Foi nessa altura, fatídica, que Afonso ouviu gemidos de prazer. Pensou que seria o Moniz a satisfazer a patroa, mas o Moniz estava ali com ele. Perguntando gentilmente (incluindo o uso da palavra arcaica que refere o órgão sexual masculino várias vezes) ao Moniz se era a sua mãe, D.Teresa, a emitir os sons, dirigiu-se para o quarto desta. O Moniz insistia que nunca uma senhora tão distinta faria tal coisa, mas Afonso parou nas escadas e respondeu que ela não era distinta, era mesmo galega e, de novo, uma referência ao já referido órgão. Acrescentou que, se fosse um português de boas famílias, tudo bem, que aguentava, mas se fosse algum filho de mulher de má vida castelhano, que iria atirar com os dois pela janela da torre.

O Moniz só lhe perguntava se já estava sóbrio, ao que ele respondia que tinha aprendido umas coisas com o Pedro Santana Lopes. Abriu a porta e viu, para seu horror, com alguma fascinação à mistura, um espectáculo deprimente. Passava na TV o Big Brother versão Kuwait. Depois de um vómito rápido, verificou que a mãe estava na cama com nada mais nada menos que quatro castelhanos. Enojado, puxou a culatra atrás (e que culatra, era uma considerável besta!) e arrepiou caminho, à força de tudo o que lhe vinha à mão que estava mais ao pé, atirando os dois primeiros castelhanos pela janela fora. O Moniz, horrorizado com a cena, perguntou-lhe se era coisa que se fizesse, deixar os outros dois. Ajudou-os gentilmente a seguir os colegas.

Mas Afonso estava cego pela raiva, pela Super Bock, e pelo facto de o Pedro Santana Lopes lhe ter roubado uma miúda marroquina que conheceram num tasco de Braga. Virou-se para a mãe. O Moniz, vendo a coisa mal parada, e nunca tendo ouvido tantos órgãos sexuais masculinos juntos na mesma frase, meteu-se de permeio. Afonso respeitou a vontade do tutor, mas gritou à mãe que ia declarar independência! A mãe, já refeita do susto, riu-se alto e bom som, declarando o facto de o Afonso ainda ser imberbe e praticar regularmente a ejaculação manualmente assistida! Afonso agarrou-a pelos apêndices mamários e atirou-a pela janela. Moniz ficou horrorizado, pensando na fortuna que Henrique, pai de Afonso, tinha gasto naqueles apêndices na Corporación Dermostética. Admoestou veementemente Afonso, ao que este lhe lembrou que mais espessa que o sangue é a Super Bock e se queria ir fazer companhia aos outros cinco lá em baixo, sempre podiam jogar uma Ralhada.

Mas Moniz era um político hábil, ou tinha a mania que era, e lembrou que era preciso tratar bem D.Teresa, ao que o Afonso retorquiu que tinha o local ideal para a exilar, a Mota Engil. Moniz lembrou-lhe que D.Teresa era filha de imperador e ele próprio, Afonso, filho de Henrique, era neto do imperador Afonso V de Léon. Afonso respirou fundo e retorquiu, já mais calmo:

-Pronto, já sei, já sei, vou ter que arriar nos apêndices de marfim desse macho de cabra castelhano também!!

Portuguesismos


Estamos no Carnaval. É uma festa popular importante em toda a Europa e, particularmente, na Península Ibérica. As suas raízes remontam ao paganismo, se bem que, actualmente, marque o calendário religioso como o início da Quaresma, aquele período em que o Mourinho empresta jogadores portugueses ao Chelsea.

Os Lusitanos, maiores ascendentes históricos dos portugueses, tinham, ao que parece, uma cerimónia importante por estes dias, que marcam o meio do Inverno. Um dos principais deuses do panteão lusitano, além do todo poderoso Serápis (remonta aos antigos deuses egípcios Osíris e Ápis), era Endovélico, Deus que, aliás, foi amplamente aceite e venerado pelos romanos, que, à altura, adoptavam qualquer Deus que lhes fosse favorável, incluindo o Trapatoni. Ora, este Endovélico era nada mais nada menos que uma reminiscência do Deus pré-hebreu Baal, depois associado ao panteão de demónios da religião de matriz judaico-cristã. Há autores que afirmam que o Carnaval obteve o seu nome da contracção latina da expressão "carne a Baal", cerimónia de holocausto sacrificial que se realizava por estes dias do ano em homenagem ao deus Baal. Talvez por isso, e por causa do Alberto João, o Carnaval seja tão importante em Portugal.

Por estes dias, é ver as pessoas animadas, comprando máscaras para as crianças e para si mesmos, às vezes bem caras. Mas hoje não escreverei sobre consumismo, não vão aparecer por aí os seus apologistas, acusando-me de ser uma pessoa que nunca se diverte para poupar dinheiro. Não é o caso, divirto-me é de outra forma. Depois há essa tradição tão portuguesa que são os corsos carnavalescos, normalmente com actores e actrizes brasileiros, com ritmos de samba e tanguinhas reduzidas a desfilar. Como sabemos, o samba é de origem bem portuguesa, se não me engano, uma música tradicional alentejana! E as tanguinhas, no meio do Inverno português? Bela tradição. A brasileirização deste nosso pobre Carnaval é tão flagrante que me deixa atónito. Podemos importar tradições que não existem em Portugal, aceito e, se forem benéficas, incentivo. Mas importar o Carnaval?? Quando temos as nossas raízes tão completamente embrenhadas na história, no que diz respeito a este tipo de cerimónias? Não engulo.

Temos as cerimónias de Carnaval mais antigas do Mundo, as mais conhecidas, no Norte do País, nomeadamente em Podence e Lazarim, aldeias perdidas das zonas mágicas de Macedo de Cavaleiros e Lamego. Inclusivamente, os Caretos de Podence associam o Natal ao Carnaval, pois saem nas duas ocasiões. Esse é o verdadeiro Carnaval português. Há alguns anos, Salazar proibiu o uso do mirandês como língua falada no território português. Agora, alguém se interessa que o povo português desconheça até o seu próprio Carnaval, bem como outras imensas tradições.

Tradições que não dão dinheiro não interessam a ninguém...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A História Não Se Apaga


Todos, ou quase todos, tivemos aulas de História. Todos aprendemos coisas mais ou menos chatas sobre gajos a fazer tijolo há séculos ou milénios. Pessoalmente penso que a História é um desafio interessante, sou um adepto incondicional desta ciência, não morasse eu na sede do V Império.

A História está pejada de lições, está pejada de memórias dos grandes impérios: os Sumérios, os Egípcios, os Romanos, os Chineses, os Portugueses, os Espanhóis, os Britânicos e os Americanos. Isto para citar os Impérios globais, aqueles que dominaram grande parte do mundo que se conhecia à sua altura. Por isso excluí os Gregos, que, apesar de terem tido grande influência na cultura ocidental, são mais conhecidos por não gostarem de ninguém , incluindo uns dos outros, e, por essa razão, nunca fundaram um Império. Mas fundaram bordeis com fartura, apesar de não terem grande utilidade, pois eram todos bichas. Menos o Katsouranis.

Todos os impérios deixaram as suas marcas. Os Sumérios deixaram-nos um sistema de medidas, as fundações do Direito moderno e olhos arregalados até à nuca. Os Egípcios deixaram-nos as pirâmides, Karnak, mais alguns milharzitos de monumentos, muita areia, a arte da agricultura e a possibilidade de andarmos de lado. Os Romanos deixaram-nos mais bichanices, e um conceito extraordinário: o do assassínio de todo e qualquer imperador que subisse ao poder, o que nos leva a crer que não eram lá essas coisas no departamento da lealdade (para não falar de inteligência). Os Chineses deixaram a Grande Muralha e as lojas e restaurantes de chineses. Os Portugueses deixaram ao mundo a ideia de globalização e uma coisa que nos fazia falta hoje em dia: o secretismo. Bem precisávamos disso para evitar as fugas de informação na Injustiça. Também deixamos aventuras incontáveis e coragem acima da média, particularmente da média castelhana, que era muito baixinha na altura, e que se mantém mais ou menos igual hoje em dia. Os Espanhóis deixaram a sua maior marca no continente sul-americano: a miséria. Os brits deixaram-nos o Big Ben e a certeza que não é vergonha nenhuma usar fraldas, pois foi um velhote de fraldas que os lixou. Deixaram-nos o hábito nojento de adicionar leite ao chá.

Já os Americanos estão a deixar marcas imensas neste mundo. Uma delas é repetida, ou seja, a América do Sul e suas misérias. Este império surgiu, essencialmente, durante a II Guerra Mundial, guerra durante a qual alguns colheram os louros e outros entraram com o esforço. E mais não digo sobre isto - se não falamos todos alemão hoje em dia, isso deve-se a 25 milhões de mortos de um único país. Mas vieram os Americanos e proclamaram vitória. E ainda bem que o fizeram, pois a partir daí nunca mais puderam fazê-lo, pois nunca mais ganharam nenhuma guerra, nem contra gajos armados de fisgas, como os Somalis e os Polibãs (há quem lhes chame Talibãs).

A qualidade extremamente duvidosa das tropas americanas (isto para não dizer que são estúpidos que nem portas e corajosos até terem de combater), virou a América para o domínio mundial por outros meios. Os financeiros, os económicos e, horror dos horrores, culturais. É uma desgraça! Como pode um país que, literalmente, não possui cultura própria, impor a sua cultura ao resto do Mundo? É ver por aí MacDonalds e Pizza Huts a substituir restaurantes seculares, dias instituídos com o único fito de nos fazerem gastar dinheiro, como o Dia dos Namorados ou o Halloween (que eu saiba, em Portugal, o Dia das Bruxas é o dia 1 de Maio, dia durante o qual se colocavam maias nas fechaduras das portas das casas para impedir que as bruxas entrassem - e não havia muitos gastos nisso), bem como um Pai Natal gordo e cheio de colesterol inventado pela Coca-Cola.

Um dia destes, vai ser emitida a cerimónia dos Oscares, cerimónia útil para sabermos que filmes evitar no cinema - os que receberem mais prémios destes. Mais uma inutilidade americana, que vai ao ponto chauvinista de ter uma categoria denominada "melhor filme estrangeiro". Há quem diga que o cinema é americano. São opiniões... para mim, não, mas... enfim. O folclore que rodeia qualquer coisa que venha do outro lado do Atlântico Norte é tal, que começamos a confundir as nossas notícias com as deles.

Por isso é que continuo a dizer que o desporto é importante nestas coisas. Os americanos gostam daqueles desportos esquisitos, como o rugby maricas (querem jogar rugby, joguem sem protecções, porra!), o basebol (o que é aquilo???) ou o Basket (que me perdoem os de Ovar, até houve tentativas de americanizar o nosso campeonato de basket, que deu no lindo resultado que vemos hoje em dia). Como pode o mundo resistir à americanização? Gostando de... FUTEBOL! Vai dar tudo nas inutilidades, não é? É verdade.

Mas antes as nossas inutilidades que as deles... Cruzes canhoto!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Teses e Fezes corridas a Dezes


Há, por vezes, pequenas coisas que apanhamos aqui e ali que nos dão que pensar. Não, não estou a pensar na renovada e viçosa pouca vergonha que se passou ontem no Estádio do Dragão, embora seja sempre salutar ver como as coisas se renovam para ficar tudo, saudavelmente, na mesma. Mas isso é uma outra história à qual já nos habituamos.

A pequena notícia que me chamou a atenção foi muito mais pacífica e não divide o país em dois. Vai mesmo pelo país todo. Trata-se de um "aumento alarmante" do plágio em trabalhos universitários. Esta prática está a levar ao endurecimento das posições das universidades, que podem ir da anulação do trabalho até à expulsão do aluno. É uma notícia como outra qualquer. Principalmente para quem não andou nos meandros das nossas excelsas universidades e politécnicos. Para quem andou, deve estar a pensar:"mas que raio de notícia é esta?"

Pelos vistos, as universidades desenvolveram programas informáticos para detectar este tipo de fraudes. Gajos inteligentes estes, que conseguem desenvolver programas para detectar aquilo que eles não conseguem. Os professores, que, aparentemente, conhecem bem os seus alunos e seguem o seu progresso nos trabalhos e teses, recorrem a programas informáticos para detectar plágios! Imaginem o que não seria se não fosse a bendita informática - talvez tivessem mesmo de acompanhar os alunos, o que era uma chatice do caraças!

Vejamos o ponto de vista de uma das jovens entrevistadas na peça que passou na TV. Estava esborratada. Não a cara dela, mas a imagem. Por isso, penso que não era nenhuma miúda. Era o Pinto da Costa. Porquê? Porque disse que nunca comprou uma tese a um colega, mas já vendeu, por 150 euros. Era o Pinto da Costa. O clube dele também só perdeu 6 pontos por tentativa de corrupção, o que é diferente de corrupção, porque o árbitro, pelos vistos, disse não. Se tivesse dito que sim, já era corrupção, o que tornava a atitude do Pinto da Costa inaceitável, ao invés do que aconteceu, uma simples tentativa, o que é aceitável e pouco relevante. E o Boavista é que desceu de divisão! A atitude desta miúda também não é muito corrupta, pois vendeu uma tese. Se tivesse comprado, aí, sim, seria expulsa! Corrijam-me, mas compramos o que há à venda, correcto? Ou seja, tem de haver vendedores para haver compradores, não? Bem, também não era nenhuma miúda, era o Pinto da Costa, o que torna tudo mais compreensível...

Este jornalista tem o dever moral de entregar esta miúda ao Conselho Pedagógico da Universidade para ser expulsa. Está a desvirtuar os resultados académicos de colegas seus, que se formam sem merecerem tal distinção, e que depois podem ser incompetentes que nem portas quando saem para o mercado de trabalho. Temos exemplos, como, sei lá, o... Sócrates! Só que o jornalista não vai entregar a miúda, pois a miúda era o Pinto da Costa que lhe prometeu um lanche de café com leite em Miragaia. E uma frutazinha para a ceia...

Falando a sério, a uma colega minha foi dito, pelo docente que lhe orientava a tese, para se dirigir a determinada biblioteca de determinada universidade, requisitar determinado trabalho e aplicar-lhe determinadas alterações. Plágio? Não, foi sugerido pelo docente, logo, não podia ser plágio. Antes e apenas uma recomendação. Seria o docente o Pinto da Costa?!

À minha mulher, foi-lhe dito, durante a sua tese, que devia indicar todas as suas fontes bibliográficas e nunca, mas nunca, emitir a sua própria opinião, ou seja, "faz plágio mas indica de onde copiaste. A seguir, dás a opinião dos outros". Tese é uma palavra interessante - significa o quê, afinal? Implica que tiremos uma conclusão, pelo menos, daquilo que expusemos durante o trabalho. Em última e ultrajante análise, pode implicar a emissão de um novo modelo para a resolução de um problema que seja colocado no início do trabalho - sacrilégio dos sacrilégios para a nossa erudita comunidade de sábios professores universitários. No fundo, é bem mais fácil formar cordeirinhos do que inconformados, não é assim?

A propósito, vou escrever uma tese sobre o Pinto da Costa. Pode ser que, no final, consiga resolver o problema e descobrir a cura para essa doença. E para o Bicho da Madeira também... Vou ter que fazer teses até morrer... Vou-me tornar o Lutero português!!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Paragens IV

As ruínas do maior templo que alguma vez foi construído no Mundo: Karnak.

A Catedral de S.Pedro cabe dentro da sua sala de cerimónias, a Grande Sala Hipóstila, cujo tecto é sustentado (ainda parte dele) por uma centena de colunas com perímetro suficiente para dar trabalho a dez pessoas de mãos dadas. Era dedicado ao Culto de Amon, o Escondido, por vezes representado por um carneiro. Milhares de esfinges ladeiam a enorme avenida de 4 Kms que une Karnak ao Templo de Verão, em Luxor. Foi construído e modificado ao longo de 2000 anos, por mais de vinte dinastias de Faraós. Na sua área, trabalhavam 60 000 pessoas e a sua escala não é apenas enorme. É colossal! Tem cerca de 3 kms de comprimento e 1 de largura, e as paredes dos seus pilones, na imagem, têm 20 metros de espessura.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


Este país é um colosso. Já diziam a saudosa Ivone Silva e o Camilo. Mas é verdade. É mesmo verdade. Há sempre uns casos, umas notícias interessantes, umas coisitas para ver na TV. Bem, nisto não somos muito diferentes dos outros países, pelo menos daqueles que têm TV. Alguns têm TV mas ninguém vê, porque não há TVs. Adiante.

Como disse, há sempre umas coisitas interessantes a passarem-se, coisas que aparecem na TV. Aqui há uns tempos era o saco azul de Felgueiras, depois as obras do Marco de Canavezes, apareceu a Casa Pia, o Apito Dourado, o BPN... Enfim, sempre coisinhas apetecíveis. Daquelas que nos prendem à TV. Ou não. Estou a falar de casos de justiça, assim mesmo, com letra pequenina e tudo. Não merece mais.
Lembro-me que as gentes de Felgueiras descobriram que a sua presidente da Câmara afinal era brasileira como o Deco, pois também podia jogar na selecção portuguesa. Mas preferiu uma temporada a banhos no Rio de Janeiro. Nada mau, agora é grande moda, todos os portugueses que ainda não foram ao Brasil são vistos como espécimes raros, bem como aqueles que ainda não foram à República Dominicana ou Cuba.
Quanto ao Avelino, esse já se lixou um pouco mais, mas também ninguém o mandou abrir uma avenida com o horrível nome de Avenida Futebol Clube do Porto. Por isso, bem feita, amigo! Merecias ainda perder mais algumas eleições...
Quanto à Casa Pia, estourou uma bomba quando saltou para a TV que havia abusos com alunos daquela Instituição. Nunca percebi muito bem porquê, toda a gente sabia que o Parque Eduardo VII se enchia todas as noites com meninos da Casa Pia, mas enfim, lá apareceram uns nomes sonantes que, pelos vistos, andavam presumivelmente a abusar das criancinhas. Substituiu-se a gerência do sítio, meteu-se nova gente a mandar, que já trabalhava no sítio há 30 anos e que sabia de tudo e se calou. Até chegarem ao topo, altura em que se armaram em anjinhos do presépio e advogados das criancinhas. Confuso? Não, à portuguesa.
Depois veio o apito Dourado, onde se ficou a saber que fruta, no Porto, é erótico, e café com leite não é um galão.
Há também o caso do BPN, Banco que tinha outro Banco a quem mandava dinheiro, só que esse Banco não era um banco, aliás, era uma inexistência cósmica e assim se perderam uns milhões de euros angariados pelo Figo. Também havia uma fábrica de qualquer coisa no Panamá que afinal só existiu no início, depois já não era uma fábrica, mas tinha custado como se uma fábrica se tratasse, mas afinal, não fabricava coisa nenhuma, e eu acho que o Panamá foi aquele país onde foi rodado a República das Bananas, com o saudoso Bud Spencer.

Agora, é o Freeport, caso onde parece que o PM teve um primo a pedir dinheiro a ingleses parvos para construírem um Outlet. Mas afinal, o primo já não é primo, é apenas filho do tio do PM, e os ingleses são parvos porque, se fizessem à portuguesa, construíam primeiro e subornavam depois, que ficava mais barato. Parvos, tão parvos, que até o departamento que investiga esta parvoíce decidiu despedir os colaboradores por incompetência. Já não sei de nada. Isto porque também existe uma investigação portuguesa, que, como todos sabemos, é o mesmo que muito pouco.

Agora, apareceram os juízes a queixarem-se do programa informático dos tribunais, que permite que qualquer administrador de sistema altere os seus despachos. Ora, por acaso, o mesmo sucede em... todo o lado. A diferença é que nós sabemos o que escrevemos e controlamos a nossa informação. E não somos muito corruptos, também, e não queremos comer na mesma gamela daqueles que querem alterar os documentos dos juízes; por isso, gostamos de preservar os documentos na sua versão original. Como? É difícil descrever o processo pelo qual salvaguardamos a informação sensível que temos em mãos, e que não queremos que alguém tenha acesso ou altere. É uma série de novidades informáticas, que, acredito, não estejam ao alcance dos bolsos depauperados dos juízes:
-o primeiro dá pelo nome de CD-R, uma espécie de panqueca reluzente que se insere como um supositório no rabo do computador e para onde se podem enviar dados; a diferença é que este supositório redondo e chato pode ser tirado do rabo do computador e metido numa caixinha de plástico e ser transportado pelo autor do documento; serve também para iludir a Via Verde e os radares da Polícia. Não funciona, mas fica bonito, pendurado no espelho do carro; ora, evidentemente, deve haver um cofre no gabinete do Juiz, para que este possa guardar as panquecas - não queremos gente descuidada a passear informação importante pelas ruas;
-subindo na escala de complexidade, temos pois um aparelho extremamente secreto e pouco usual, a chamada "pen", um tubinho de plástico, com ou sem luzinhas, que se encaixa numa ranhura chamada entrada USB, que normalmente se encontra nos computadores - chama-se USB porque quer dizer Último Serviço Básico - e para onde se pode mandar a informação; carrega-se normalmente e mais ou menos como o CD, mas sem caixinha de plástico;
-finalmente, a mais sofisticada e secreta de todas as formas de salvaguardar informação - o disco externo, uma espécie de bolacha waffle, que cumpre a mesma função da pen, mas com uma capacidade 100 vezes superiores. Às vezes, também têm luzinhas e são ligados por um cabo ao rabo do computador, tipo clister;

Ora cá está como se pode proteger informação. Claro que, para mentes menos iluminadas e brilhantes como as dos juízes e seus ajudantes, mais as renas (ou isso é o Pai Natal - é que, como nenhuma destas pessoas existe de facto, fiquei agora momentaneamente confuso), não é fácil explicar como funcionam estes aparelhos revolucionários!
Mas comecem pelas renas, elas depois explicam aos outros!