terça-feira, 29 de junho de 2010

E ASSIM NASCE UM HERÓI

Portugal perdeu. E perdeu bem. Bateu-se da melhor forma que encontrou e perdeu. Não me deixa menos orgulhoso dos nossos rapazes.
Nasceu um herói. Eduardo.
Virou-se uma página, muitos disseram o adeus definitivo à nossa selecção. E só posso agradecer a todos eles.
À equipa técnica, digo obrigado pelo que foi feito. Defendi sempre que Queirós, não sendo o meu seleccionador de eleição, e independentemente das suas questionáveis opções tácticas, perdeu sempre autoridade perante tudo o que lhe foi dirigido. E se, na minha opinião, que defendi várias vezes, esteve bem nos três primeiros jogos, hoje terá tido o lapso que selou a nossa derrota. Agora que acabou, posso dizer que um ciclo novo terá de se iniciar também a esse nível. Mas será difícil haver unanimidade a este respeito. Nem o enorme Scolari a conseguiu, e este até conseguiu os resultados que se sabe.
Perdemos com a Espanha e não com o Estrela da Amadora, que me merece respeito. Estou triste, mas de cabeça levantada. Siga o Mundial e venha o Europeu 2012. Até lá digo mais uma vez: 
Obrigado, rapazes!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

NOTA DE RODAPÉ

Só uma notazinha de rodapé: JOGAR AO ATAQUE COM O BRASIL É TÃO BONITO, NÃO É?

A SOLUÇÃO É A POUPANÇA

O pseudopresidente Cavaco Silva promulgou o pacote de austeridade, deixando ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva de várias das normas. Sucessiva de suceder, não de sempre a fiscalizar. Ou seja, faz-se a cagada que depois o TC há-de dizer de que cor é o papel higiénico, antes de se puxar o autoclismo... Pedro Passos Coelho congratula-se, não se coibindo de dizer que esta fiscalização, no entanto, pode deixar sinais de fraqueza passarem para o exterior, sendo preferível que a fiscalização não fosse feita ou então não produza quaisquer efeitos. O puto é reguila, é reguila, mas no essencial não é lá muito diferente da fantasmagórica Ferreira Leite. Suspende-se a democracia e não há TC para ninguém, que porra é essa??
Vi o programa do Mário Crespo, onde participam Medina Carreira e Nuno Crato. É um espectáculo ver aqueles senhores distribuir porrada por toda a gente que por lá passa. E mais porrada ainda na que não passa. Hoje estava a almoçar e vi que o convidado era o presidente da Associação de Bancos Portugueses, António Sousa. Após uma ou duas intervenções mornas, Mário Crespo pergunta se é verdade que os Bancos têm lucros obscenos... Bem, não é bem assim e coiso, participações e tal... Mas depois veio o Medina. Pensei que o homem ia desfazer o Tony dos Bancos E fez uma pergunta espantosa: Porque é que os senhores não elucidam a opinião pública, que pensa que os bancos têm grandes lucros, sobre a vossa realidade? Porque não dizem às pessoas que quase têm prejuízos, de uma vez por todas?
Pois, dêem gasolina a um incendiário... O homem até brilhava. Depois Medina disse que previa que isto ia tudo para o brejo em poucos anos (não deixa de ter razão), e se o António de Sousa não achava que, face à exiguidade dos lucros bancários, não achava que o capital em Portugal é mesmo escasso e que a poupança é que deve ser a salvação do país, através da injecção de dinheiro da poupança nos mesmos bancos. Ora aí está!! Solução deste senhor para a crise: os portugueses, apesar de todas as baixas nos salários que ele advoga e que vão acontecer, o aumento dos impostos, o aumento do desemprego, devem poupar tudo o que podem e entregar ao sistema bancário nacional. Que pagará juros de 0,00% e venderá dinheiro a 5,00%, e mesmo assim pode não ganhar o suficiente para o sistema bancário nacional sobreviver.
MAS QUAIS POUPANÇAS, ÓRGÃO SEXUAL MASCULINO? Mas estes gajos estão a brincar ou quê?? Num país que teve um PM, há uns anos, que permitiu que cada português tivesse crédito para comprar uma torradeira, que permitiu que proliferassem pseudo empresas de crédito que davam dinheiro a toda a gente (com taxas próximas de 20% lá bem escondidas), que permitiu aos Bancos absorver os patacos do povinho e depois vender-lhe crédito a torto e a direito, que por acaso hoje é Presidente, que querem agora??? Poupança? Onde, como? Quem ganha para poupar? Está fácil, é só poupar...
Não é que Medina Carreira não tenha razão naquilo que diz. As causas da situação, segundo ele, são o subsídio de nascimento (?), o subsídio de desemprego, as pensões de reforma, o subsídio de doença, o aumento gradual dos salários, o ensino gratuito (??????????!!!!!!!!!!!!!!!), a saúde gratuita (???????????????!!!!!!!!!!!!!!), e só desaparecem quando se fizer uma nova Constituição que não permita estes desvarios. Esqueceu-se de falar contra aquilo que os seus amigos nos Bancos fizeram com o dinheirinho da malta que poupou toda a vida, desaparecendo com ele daqui para fora. Dinheiro, Dr. Medina Carreira, que agora faz falta para capitalizar os seus amigos banqueiros, que ainda não roubaram o suficiente! Dinheiro que agora defende venham tirar, não do bolso, porque esse está vazio, mas aos ossos dos portugueses, para podermos sonhar com uma Banca portuguesa com lucros a sério. O Dr. Medina Carreira tem toda a razão. Isto vai para o brejo. Vão cortar em salários, pensões e subsídios. Talvez até as suas três pensões milionárias sejam cortadas. Só que o senhor não vê porque não quer: No meio disto tudo, o senhor e os seus amigos banqueiros é que puseram este país a suplicar uma morte rápida. Mas preferem que agoniemos um pouco mais, para que o sangue possa correr e ser pelos senhores sugado... A sua famosa verve no ataque aos responsáveis da crise, os portugueses que são gastadores e vivem acima das possibilidades (quem lho permitiu? Fui eu?), transformou-se em ronronar de satisfação perante o seu verdadeiro amigo e patrão, o patrão dos Bancos... Coerente até ao fim, Dr. Medina Carreira, os meus parabéns!

Foto Google

VOU TIRAR UM CURSO

Juro que vou tirar um curso intensivo de análise de futebol. Talvez com o Gabriel Alves ou o Ribeiro Cristóvão, essas absolutas sumidades no assunto, que dão voz àquilo que ouvem na rua. E talvez seja esse o meu problema. Tento formar uma opinião sobre o futebol, mas não ouço aquilo que diz a rua.
Dizia um senhor, aqui há dias, num fórum qualquer da TV acerca do Mundial, que o Queirós é este e aquele ,a selecção portuguesa é uma vergonha, etc e tal, e isto depois do jogo com o Brasil. Surpreendeu-me, mas de facto, depois, na rua, vi que esse era mesmo o sentimento geral. Esse senhor fez também uma afirmação assaz curiosa, ao dizer que os árbitros deste Mundial são os melhores do planeta e assim se explica o cartão amarelo a Tiago, habituados que estão os jogadores portugueses aos árbitros da mesma nacionalidade nos jogos em Portugal. Alguém devia ter explicado ao senhor que Tiago há séculos  que não joga em Portugal... E também, como explicar que Portugal não visse Pepe expulso e terminar com dez, e como o Brasil não acabou com nove, após expulsões mais que óbvias de Juan e Lúcio, este último em sequência de um claro penalti não assinalado... Mas a categoria dos árbitros que estão no Mundial é inquestionável.
Hoje, aconteceu que Lampard, uma estátua que joga na selecção da Inglaterra, teve um raro momento de lucidez e atirou a bola para dentro da baliza. Cappello imediatamente levantou os braços em sinal de satisfação, perante o golo do empate da sua equipa. Mas continuou-se a jogar, inexplicavelmente. Ora bem, atenção, em dez jogos entre Inglaterra e Alemanha, os alemães ganham onze. Mas o árbitro Larrionda, que me lembra hemorróidas, não sei porquê, escusava de ser tão bom árbitro e ter tanta categoria. Mais ou menos à Benquerença, que viu o Baía ir ao fundo das redes tirar uma bola que não valeu...
Logo a a seguir, Tevez, argentino de grande quilate, marca um golo dentro de uma tenda que decidiu armar quando acampou na grande área do México. O árbitro, de imensa categoria, validou o tento. O auxiliar ausentou-se por momentos e Maradona sorriu. Era a tenda de Deus, embora nunca a Argentina tenha estado em guerra com o México. Terça-feira, o árbitro do Portugal-Espanha bem podia ser português ou espanhol, mas parece ser argentino. Seria mais ou menos como ter um árbitro brasileiro a apitar Portugal, que parece ter sido uma das restrições introduzidas nas nomeações dos árbitros no início da competição. Já a Espanha tem um argentino e está tudo bem. Pode ser que o homem até esteja bem, vamos lá a ver. Tem com toda a certeza, inquestionável categoria. Eu é que não ouço o que se diz na rua e teimo em formar opinião. Mas os senhores do fórum, confirma-se, percebem da poda...
E assim temos as Nacões Unidas Alemãs nos quartos e os bifes vão para casa. Nada de novo... Nações o quê? Ah, pois, passo a citar os jogadores puramente alemães amavelmente cedidos por outros países à selecção alemã:
- Denis Aogo (alemão do Togo)
- Jerome Boateng (alemão do Ghana)
- Marcel Jansen (alemão sueco)
- Serdar Tasci (alemão turco)
- Semi Khedira (alemão turco)
- Mezut Ozil (alemão turco)
- Piotr Trochowski (alemão polaco)
- Cacau (alemão brasileiro?)
- Mário Gomez (alemão boliviano)
- Miroslav Klose (alemão polaco)
- Lukas Podolski (alemão polaco)
Quantos são? Alguém contou? ONZE? Uma equipa inteira? Não, os três guarda redes são alemães, mesmo, ou pelo menos desconfia-se que sim... Logo, pelo menos um é suplente... Dos 20 jogadores de campo da selecção alemã, só nove são alemães, ou possivelmente alemães, se calhar só mudaram de nome... É uma selecção de inquestionável categoria!! E, curiosamente, nem Polónia nem Turquia estão neste Mundial... Mas atenção, ao contrário de Portugal, que teima em jogar com todos os brasileiros do plantel, a Alemanha só fez alinhar 50% dos "estrangeiros" de início (cinco), embora tenha acabado com seis... Não são 50%??? Não, façam vocês as contas, isto de denominador 11 é complicado...

Foto RTP

sábado, 26 de junho de 2010

E AINDA A MORTE DE SARAMAGO

Ainda não, porque eu até nem tinha escrito nada sobre a morte de Saramago. Morre o homem, fica a obra. Em última análise, fica o homem também. Não sei se para sempre, mas ficará por algum tempo. Foi preciso morrer para a TV pública em Portugal transmitir os filmes originados nos seus romances. É o habitual tributo aos mortos de Portugal, que condenou os seus maiores símbolos literários à vida e morte miseráveis, como Bocage, Pessoa ou Camões. Outras novelas...
Por esta altura, devem perguntar-se o que faz a foto do bigodinho a apertar a mão do Pio XII, Papa à data dos acontecimentos, que foi um dos principais cúmplices nos crimes do bigodinho. Já lá vamos.
As reacções à morte de Saramago foram, afinal, aquelas que se podiam esperar. O povo relembrou o homem que levou o nome de Portugal aos píncaros, apesar de desconhecer grande parte da sua obra. Os comunistas aproveitaram para enfatizar o comunismo de Saramago, os partidos de direita respeitaram a morte na diversidade de valores que os distinguem de Saramago, o Presidente da República foi igual a si mesmo, ou seja, mesquinho, faccioso e actuando como um Rei eleito por engano, apenas por erro de cálculo de Sócrates e Soares, ao não se dignar pôr os calcantes no funeral.
A reacção que mais gostei foi a da Igreja. Ah!!! Está explicada a foto, ou pelo menos metade dela... E a outra metade, o bigodinho?? Já lá vamos. Hoje é Sábado e não é dia para grandes correrias, principalmente depois do S.João. O facto de a Igreja ter atacado a memória de Saramago um dia depois da sua morte não é nada de mais, já que faz jus à sua longa tradição de cobardia histórica em proteger os poderosos e atacar os mais fracos. Mas há uma frase do editorial do Observatório Romano, jornal oficial desse país fabulástico que é o Vaticano, que é realmente interessante. E diz o seguinte:
"Um populista extremista como ele, que tomou a seu cargo o porquê do mal do mundo, deveria ter abordado em primeiro lugar o problema das erróneas estruturas humanas, das histórico-políticas às sócio-económicas, em vez de saltar para o plano metafísico".
Ou seja, para o Vaticano, a insistência de Saramago em culpar o metafísico pela crise mundial em que vivemos, pelas injustiças e guerras e outras coisas que tal e coiso, é vista como contraditória, uma vez que essas causas devem ser antes procuradas no plano social, estritamente humano. Sabendo eu e todos que Saramago era um ateu tranquilo, segundo as suas próprias palavras, não deixa de ser estranho que Igreja considere que o autor se referia a Deus quando criticava os escritos e acções da Igreja. Saramago nunca intentou criticar Deus, uma vez que não acreditava na sua existência. Logo, as suas críticas recaíam  inteiramente no plano humano, na Igreja. E, por certo, mais na Igreja Católica, mais habitual e massificante nos países em que escolheu viver - Portugal e Espanha. Esta falta de clarividência católica também não é de espantar.
Posto isto, a contradição imensa em que a Igreja incorre é sempre a mesma. Ora, temos que de um lado os teóricos da Igreja apregoam o fundamento social desta Europa e outras partes do mundo como baseado na matriz religiosa judaico-cristã, defendida pela própria Igreja. O Islão e o Judaísmo fazem o mesmo, uma vez que todas se baseiam no mesmo livro e nos mesmo escritos arcaicos e mitos teológicos. Por outro lado, a sociedade que temos tem essencialmente estes valores judaico-cristãos imprimidos em séculos de repressão católica (e dos outros credos), mas tudo o que ocorre de mal no mundo já não é responsabilidade da Igreja, aí já é apenas responsabilidade humana. Chama-se a isto duas coisas, essencialmente: se, por um lado, a Igreja recusa terminantemente que outros valores que não os seus sejam aceites no interior da sociedade criada por si própria, por outro lado, recusa qualquer consequência da... convenhamos... rica cagada que daí saiu. E era a essa dicotomia que Saramago se referia. Penso que nem todos entenderam a mensagem. E eu próprio apenas a entendi ao ler a tal reacção católica. Muito à frente, este Saramago. Podia era ter escrito alguma coisa de jeito. De resto, muito à frente...
Foto O Outro Lado da Notícia

RECORRÊNCIA HABITUAL


Esta situação criada à volta das SCUT da zona Norte é a habitual trapalhada do Governo. Obviamente, a coisa começou torta e nunca se endireitou. Basta pensar que toda a estrutura para cobrar as portagens nas referidas estradas foi montada há muito tempo, sendo que a Lei que poderia vir a legitimar o uso dos chips correspondentes apenas seria votada... uma semana antes do início da cobrança. 
A lei foi chumbada no Parlamento, o que só faz sentido, uma vez que os chips permitiriam a uma empresa privada, no caso a Ascendi, ter acesso a dados privados dos utilizadores, o que pode configurar inconstitucionalidade. A reacção de bebé chorão do Governo, através da figura levemente irritante de Jorge Lacão, no entanto, é inusitada. Aparte (e grande aparte) o facto de ter estado iminente um acordo entre PS e PSD, o que não deixa de ser estranho, tendo o PS e o PSD matrizes completamente diferentes no que toca à protecção do que é privado, quis-me parecer que por ali havia algo mais. E havia mesmo. Os chips. Na realidade, o termo chip não é apropriado, mas isso é pormenor técnico. Primeiro, a enorme trapalhada em que muitas pessoas se meteram ao reservarem o aparelho, perdendo um dia de trabalho para adquirir uma coisa que ainda nem sequer era legal. E eram grátis, mas afinal custam 25 euros. E depois, e isso estaria na Lei a aprovar, seriam obrigatórios para todas as viaturas do país, e depois afinal era só para os utilizadores. Enfim. a trapalhada habitual, aliando ao facto de se estar a votar o uso de um aparelho que, manifestamente, não estaria disponível no dia 1 de Julho.
Agora veio a notícia que todos já esperavam: quem fabrica o chip? Pois, é uma empresa que, sem qualquer concurso público (parece que o Governo tem alergia a todos os concursos que envolvem a Mota-Engil, já que a Ascendi é do grupo do Engº Mota, que conta com a orientação política de Jorge Coelho), vai fornecer a todos os portugueses o tal chip. E é uma empresa para onde se mudou muito recentemente um tal de Pedro Bento, assessor do governo PS até há pouco tempo. 
Fiquei muito mais descansado. Pensei que o PS tinha perdido o jeito para arranjar tachos para os seus boys, saindo da tal recorrência habitual, que é um belo pleonasmo para descrever esta gente.
Depois, veio a notícia que poucos esperavam: afinal a cobrança vai dar-se a partir de 1 de Julho, usando as câmaras que estão equipadas nos pórticos, e facturando aos utilizadores nos cinco dias seguintes, para estes depois pagaram no MB. O que leva à questão: se isso é possível, para que merda precisavam dos chips??? Para encher o pacote a mais um boy??

PS: Foto A Bola

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A MELHOR EQUIPA DO MUNDO

Jurei a mim mesmo que não escreveria sobre o Mundial e da nossa participação. Mas perante as enormidades que aqueles que não fizeram essa jura vêm escrevendo, vou faltar à jura. Ainda bem que não jurei por cima de nada importante.
Antes de cada jogo de Portugal, passo pelos blogs que vêm escrevendo sobre o assunto. O ódio à nossa selecção é imenso. A falta de amor e patriotismo é atroz. Antes de cada jogo, prevêm-se coisas interessantes. Antes do jogo com a Costa do Marfim, dizia-se que íamos ser atropelados pelos elefantes. Antes do jogo com a Coreia, ninguém acreditava na vitória de Portugal. Antes do jogo com o Brasil, íamos levar uma pinga... Como nada disto se confirmou, concluo que ou as pessoas que vão escrevendo são burras que nem cepos ou então têm realmente ódio à selecção que representa o seu país.
Relativamente ao jogo de hoje, ouvi coisas interessantíssimas. "É uma vergonha". O que é bem verdade, as vuvuzelas são uma vergonha. Mas é bom ver que jogar com a equipa nº1 do ranking da FIFA, o Brasil, que antes do jogo começar nos ia trucidar, e empatar, tendo francas hipóteses de ganhar, com uma 2ªparte impressionante, foi uma vergonha. "Sim, sim, mas o Brasil jogou sem Kaká, sem Robinho e sem Elano!". Ou seja, jogaram com oito... Mas devo recordar que nós jogamos sem Deco, sem Nani e sem BOSINGWA!!! Ou seja, também jogamos com oito, pelos vistos. Tendo em conta que as opções de Carlos Queirós incluíram Pepe, Ricardo Costa e Duda, opções que ninguém ousa sequer compreender e das quais os maiores entendidos dizem terem originado que Portugal jogasse com menos três... Porra, jogamos com cinco!! E uma equipa que joga com cinco parou o Brasil, que está em primeiro no ranking da FIFA!!! Olha se jogássemos com onze... Dávamos para aí uns sete!!
Para quem não percebe que o seleccionador, saiba ou não de bola, é que sabe em que estado estão os jogadores e não eles, então continuo a dizer que são burros que nem cepos ou simplesmente odeiam Portugal (a sua selecção, pelo menos). E sabemos que esses são muitos, efectivamente.
Tacticamente, e aqui vou dar apenas uma opinião, porque não pretendo entender tanto de futebol como todos os que odeiam a nossa selecção, penso que Queirós foi inteligentíssimo. Duda defendeu com Coentrão, e formaram uma dupla que não deixou a ala direita brasileira funcionar, parando completamente o "comboio" ou "fórmula 1" Maicon. Ricardo Costa conferiu segurança nas alturas e não foi o falhanço no lance de Nilmar que retirou essa segurança. Pepe, num meio campo mais povoado, teve o jogo perfeito para adquirir ritmo e, ao mesmo tempo, dar descanso a Pedro Mendes, jogador desgastado por dois jogos de muito esforço. Duda permitiu que Simão, com oitenta jogos nas pernas este ano, entrasse na segunda parte para ganhar o jogo. E só não ganhamos porque tivemos algum azar, principalmente no lance de Meireles e no penalti não assinalado contra o Brasil que, como é habitual, foi beneficiado pela arbitragem, ao acabar com dez e não vendo esta grande penalidade marcada. Brasil que, na 2ªparte, para criar perigo, precisou que um remate de Ramires que levava selo de bandeirola de canto, ressaltasse num defesa e quase traísse Eduardo. Que esteve bem.
E é assim. Portugal com cinco parou o Brasil com oito. Deve ser a melhor equipa do mundo. Por mim, até podemos perder o próximo jogo, seja com quem for, como esperam, a cada jogo, as figurinhas que retratei lá mais em cima. Eventualmente, acabarão por ter razão, Portugal eventualmente perderá um jogo. Não sei quando. Até lá, o meu amor a este país não me permite dar menos que o meu máximo entusiasmo e apoio. Porque não tenho outra selecção para apoiar. Nem nunca terei. Sou português. E a selecção, jogue com estes ou com outros, é a minha única paixão futebolística a este nível. Porquê? Simples, sou português e acredito em Portugal.

Foto Google

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CALORIAS

Pois, hoje, perante um bacalhau branco como a cal e uns escalopes de vitela de igual cor e a minha cara de absoluto espanto por dizerem à minha volta que era muito bom... Mas será que as pessoas já não sabem o que é boa comida e só comem estas coisas absolutamente artificiais??? Fiz uma cara de absoluta condescendência com uma observação tipo "a vitela tem mesmo esta cor"... Sim, tem, depois de três meses de congelação e umas mãos que não a sabem cozinhar. E o bacalhau quer-se bem amarelo, sinal de cura ao sol, como deve ser, e não branco, vítima de cura química. Santo Rá, que não vens à terra ver como vivem mal as tuas criaturas!
Depois das minhas "desculpas", perguntaram-me o que fazia, depois das minhas visitas ao Planalto, para queimar as calorias. 

"Queimar calorias para quê? Para ficar só com as friorias?"

PS: Foto Google, absoluta Posta Mirandesa, meia dose. Aprendam, lisboetas. Comer não custa. Custa é gostar de comer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

NOVAMENTE NO PLANALTO

As minhas idas ao planalto são sempre ocasião para desanuviar a mente, naquela terra abençoada pelos deuses e de beleza incomparável. Mas para além das alheiras, do queijo e do vinho trago também sempre algumas curiosas recordações.
Quem não conhece o restaurante Lareira no Mogadouro, ou o extraordinário Lagar de Torre de Moncorvo? A carne só não é a melhor do mundo porque há a Maronesa dos Passos Perdidos em Vilarinho da  Samardã... E foi precisamente pelos Passos Perdidos que comecei a viagem, com um valente charrisco com arroz de castanhas. Não sabem o que é? Vão lá e peçam! E levem espaço na "bagageira"...
O jantar foi no Lareira, em Mogadouro. E este foi o pedido:
- Os senhores querem a carne bem ou mal passada? - perguntou o Sr.Eliseu.
- Ò Sr. Eliseu, já comemos um charrisco ao almoço, ali para os lados de Vila Real. Estávamos a pensar num peixinho... - respondi eu, sabendo perfeitamente o que me esperava como resposta.
- Então os senhores estão adoentados, é? Temos farmácia aí ao lado...
- Mal passada, Sr. Eliseu. Com a batata...
- Raspada no forno...
- Pois... E com uns...
- Cogumelos...
- Pois. Está a apetecer! - e continuei a ver o México a cilindrar a França.

PS: Foto do Restaurante Lareira, no Santo Cristo, Mogadouro, Google

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ACONTECE

Não sei bem o que dizer... São coisas que acontecem (?)... 

Crime das meninas: atravessar fora da passadeira.
Primeira reacção do polícia: algemar a suspeita.
Reacção das meninas: insultos variados.
Reacção do polícia: muito boa, grandes reflexos e grande gancho de direita... Sem hipóteses!

Vídeo Sapo

sábado, 12 de junho de 2010

ECOS

Esta é a Bé. Diminutivo de Cíbele.
Sempre que vejo esta foto, juro que quase consigo viajar dentro das pupilas, naquele universo de luz verde, com todas aquelas estrelas a cintilar. 


Foto Eusébio Santos

POR ESTE RIO ABAIXO

Eram umas seis horas da tarde. Saímos do autocarro sabendo aquilo que íamos enfrentar. De novo. As sandálias grossas que trazia forneciam protecção apenas por alguns segundos. Os meus pés, outrora tão resistentes e calejados, eram agora vítimas fáceis. Às seis da tarde, a avenida da estação estava frenética. Começava um novo dia, que havia de durar nas ruas de Assuão até às três ou quatro da manhã. Horas mais frescas. Mas havia preparativos a fazer, havia comboios a partir. Apesar dos 52ºC daquele fim de tarde de Setembro. Era impensável para um habitante daquela cidade trabalhar durante o dia na rua. Aliás, uns dias antes, do convés do barco que subia placidamente o mais longo e belo rio do mundo, vislumbrei, em Esna, trabalhadores que tentavam montar uma gigantesca eclusa na barragem. Vociferei contra aquela violência, a de obrigarem alguém a trabalhar às três da tarde com 50ºC. Depois vi o letreiro do empreiteiro e calei-me. Podia ler-se "Soares da Costa"... Outras histórias.
Saí, pois, do autocarro, para o asfalto impiedoso. Rapidamente me dirigi para o interior fresco da Estação de Assuão, onde estavam uns agradáveis 41ºC, a julgar pelos mostradores dos termómetros. Estranho este orgulho misturado com resignação que têm estes habitantes na sua cidade. Orgulho no facto de ser a cidade mais quente do planeta. Não só por ser quente, mas por ser cidade. Naquela altura, Assuão era uma das cinco cidades egípcias. Luxor, que hoje também o é, era então uma pequena vila de trezentos mil habitantes. Olhei o comboio que nos levaria ao Cairo, numa viagem de doze horas, ao longo do Nilo, durante toda a noite que já caía. Não tinha grande aspecto. Era um comboio imenso, com um número de carruagens que me parecia impossível ser puxado por uma locomotiva a diesel. Disseram-me que a viagem seria feita a uma velocidade constante de 100 kms/hora. Mas, mesmo sendo um comboio de longo curso, pararia em todas as estações do seu percurso, o que me assustou. Mas eram apenas seis ou sete, afinal. Conduziram-nos amavelmente à nossa cabine. Não muito espaçosa, mas com o essencial, incluindo um polibã para os duches e um beliche com duas confortáveis camas dotadas de protecção. Assim que nos levaram as malas, o comboio pôs-se em andamento.
Depois de servido o jantar na cabine, decidimos ir ao bar. Este era uma carruagem ampla, com mesas de café pregadas ao chão, mesas de café iguais às que podem ver-se em qualquer esplanada egípcia. Uma espécie de reminiscência da Belle Époque, mas com um toque british, tal qual os "cabs" puxados a cavalo nas ruas de Luxor, mas com o jeito árabe de arrumar as coisas. Sentados a uma mesa, assistimos durante duas ou três horas ao espectáculo que proporcionava o barman, que serviu todas as bebidas aos clientes equilibrando-as miraculosamente no topo da sua cabeça, ao mesmo tempo de girava furiosamente ao som da música árabe que enchia o espaço. Isto apesar de o comboio se sacudir consideravelmente.
Pela janela, demos pela chegada a Luxor, já noite posta. O Egipto, durante o dia, é um país bonito. À noite, é fascinante. Porque é à noite que a vida se vive no Egipto. As ruas cheias de gente, ladeadas por tendas e lojas de ocasião, os minaretes das mesquitas iluminados para o último dia de Ramadão, com luzes de cores branca e verde, erguendo-se acima dos frondosos bosques de árvores de fruto que se estendiam por todo o vale do rio, numa largura máxima de dois kms. Por cima, um céu absolutamente fantástico, sem nuvens, brilhante. As estrelas parecem faróis, pois à noite a constante neblina que aprendi ser pó do deserto assenta perante a ausência de vento. Há 60 anos que não chove em Luxor. O céu é sempre limpo e o rio é sempre fresco e fonte de vida. Cansados, fomos dormir. E nunca pensei que dormir num comboio descendo o Nilo fosse tão retemperador e tranquilo. Ou então o cansaço era mesmo muito.
O pequeno almoço foi de novo na cabine. O nosso mestre de carruagem era um cinquentão de aspecto bonacheirão, mas prestável, discreto e rápido. Apresentava, lembro-me, o mesmo sorriso que qualquer egípcio apresenta, mas com mais dentes. Devia ganhar o suficiente para os arranjar. Uma gorjeta no Egipto não é encarada como um favor, mas antes como parte do pagamento. Dar gorjetas no Egipto é mais fácil para quem tem libras egípcias. O Egipto não tem moedas nem as troca. E uma gorjeta de 10 libras (1,5 €) é muito boa. E melhor para quem a dá que dar uma nota de conto ou de 5 euros. Enrolei dois cigarros e dei-os ao simpático camareiro, que acendeu um imediatamente, assim que me enfiou um Cleópatra nos queixos e mo acendeu também. Depois, fez o mesmo à minha companheira, tendo o cuidado de não a tocar fosse de que maneira fosse. Afinal, era um funcionário público e responsável pela segurança na sua carruagem , como fez questão de salientar. "Is good, too, no? But yours are special, I will keep the other for the evening! Now we can smoke at daylight, Ramadan is over!". O sotaque tipicamente egípcio, num inglês correcto mas duro como uma rocha.
Desembarcamos as malas. Tínhamos chegado à imensa plataforma da Estação de Gizah, nos arredores do Cairo, e a mais perto do Movenpick Media City, onde ficaríamos hospedados. E eram apenas seis da manhã. Aquelas primeiras horas de luz eram de novo horas de azáfama intensa. No exterior da Estação, víamos que algo havia mudado. As pessoas já não andavam devagar e com contenção de movimentos. Ali tudo se movia. Ali todos faziam alguma coisa. Excepto os Polícias Turísticos, com a sua característica farda branca, que se limitavam a sentar-se no seu posto de trabalho, quer fosse perto das bilheteiras ou a guardar uma caixa MB (quase todas têm um polícia de serviço), bebendo chá de menta em doses industriais e empilhando beatas entre as botas.  Algumas vezes amarelas, outras brancas, mais finas. O haxixe não é incomum no Egipto. O Cairo, lar de 22 milhões de pessoas, acordava para um novo dia.
E, entanto, mesmo depois de sair da Estação e me deparar com tudo aquilo, ainda tive tempo de alertar quem estava ao meu lado: "Já viste que temos companhia?". Um arrepio quase gelado percorreu-nos aos dois. À nossa frente, a uma distância que não pareciam ser mais que umas centenas de metros, encontravam-se os edifícios mais majestosos que já vi na minha vida. E assim seguimos esmagados para dentro de novo autocarro. Com ar condicionado.

Foto Google: plataforma da Estação de Gizé

quinta-feira, 10 de junho de 2010

REVISÃO HISTÓRICA

Amanhã, como sabem, comemora-se mais um feriado nacional. O dia de Camões. E se fosse só de Camões já bastava, mas também é de Portugal e das Comunidades Portuguesas. 10 de Junho. Parece que esta coisa dos feriados tem muitos seguidores. Os outros países, por esse mundo fora, também os têm em quantidades apreciáveis, quando não industriais. E eu que pensava que o feriado nacional por excelência era o 1 de Dezembro. Mas depois há o 25 de Abril, o 1 de Maio, o 5 de Outubro... Há uns quantos.
Por mim, instaurava-se um único feriado nacional, o da fundação, e acabava com o resto. Afinal o resto não teria existido sem a fundação. E essa data até já é comemorada por outros motivos. Trata-se de 5 de Outubro. De 1143... data oficial, embora pudesse ser o 24 de Junho (1128), da Batalha de S.Mamede... Enfim, basta de feriados.
Acontece que amanhã é feriado. Ou hoje, já passa da meia noite. Vai haver comemorações e medalhas e coisas do género. E vai haver um desfile em Aveiro. Um desfile de crianças que pretende reviver 100 anos de história da República. E eu que pensava que este feriado era do nosso genial zarolho... Afinal, alguém se lembrou, em Aveiro, de pôr as crianças de um agrupamento de escolas a desfilar pelas ruas da cidade. E não é nada demais. Um desfile para lembrar 100 anos de história.
Ora este desfile provavelmente entrará na agenda política porque um deputado do BE, um tal de Pedro Soares, eleito por Aveiro, questionou este desfile e reclamou, alegadamente em nome de alguns pais de crianças do tal agrupamento de escolas, junto do ME, o teor de um dos quadros que será apresentado no desfile. Trata-se de um quadro em que cinquenta crianças do 3ºano desfilarão com as fardas da Mocidade Portuguesa.
A promotora do desfile, uma tal de Joaquina Moura, perante a polémica, afirma algumas coisas, como "Apenas um pai manifestou que não gostaria de ver a sua filha vestida com aquela indumentária", "as coisas são trabalhadas nas escolas com dignidade e muito sentido de responsabilidade", e remata com um absolutamente delicioso "nada neste projecto leva para ideias de fascismo"
Bem, assim sendo, há aqui algumas conclusões que tiro:
  • Primeiro, que o deputado Pedro Soares destoa completamente dos outros colegas. Porquê? Porque alertou para um facto (problema ou não, lá iremos) que ocorreu ou vai ocorrer no círculo que o elegeu. Coisa que não se vê fazer qualquer outro deputado, desde os tempos de Souselas, Sócrates e Manuel Alegre (percebem agora de onde vem o "amor" entre os dois?). Ou seja, está a cumprir a sua função. Mal ou bem, cada um dirá de sua justiça. 
  • Afinal o 10 de Junho é o dia da República e não do genial zarolho, em Aveiro;
  • A professora Joaquina coordenou um projecto que inclui um dos símbolos máximos do fascismo em Portugal, decalcado da Juventude Hitleriana, mas reitera que nada no projecto leva a ideias de fascismo. Não sei se ria ou se chore com esta anedota.
Estes são os factos. A Mocidade Portuguesa foi um projecto do Estado Novo, e simbolizava o poder entre a juventude, desde cedo incutida dos valores do regime. Não está em causa se os valores eram correctos ou não. Antes, o que mais interessa é que era um símbolo do regime. Chocante ou não, cada um decida, o facto é que recriar, com um espírito de "revisão histórica", nas palavras de Joaquina Moura, esta organização, não deixa de ser polémico. O termo utilizado - "revisão histórica" faz vagamente lembrar a "revisão histórica" que os negacionistas pretendem fazer em relação ao Holocausto, ressalvando as devidas diferenças entre o regime salazarista e o regime nazi.
A reacção popular tem sido curiosa. A esmagadora maioria dos que se manifestaram estão a favor do desfile, considerando que os valores da Mocidade Portuguesa bem fazem falta à juventude de hoje, e alguns vão mais longe, defendendo mesmo a criação de uma nova Mocidade. Esquecem que esta nunca deixou de existir, apenas mudou de nome para Escuteiros. Assim sendo, muitos identificam uma total falta de valores e educação dos jovens de hoje. Quando eu era jovem, o cenário não era muito diferente, diga-se. Dizia-se o mesmo. E mesmo admitindo que realmente podem não andar longe da verdade, indago-me tristemente com esta questão: mas esta gente toda não tem filhos? Tem? E não sabem educá-los?
Seja como for, na minha opinião, é mais um sinal dos tempos que correm em Portugal. Perante algumas Leis aprovadas nos últimos anos, de cariz progressivo, como as que contemplam novos regimes para o aborto e para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ergue-se uma gigantesca vaga de reaccionismo, ou mesmo saudosismo do fascismo, que realmente nunca desapareceu em Portugal. Representa um misto de retoma da relação poder/medo na sociedade civil com um sentimento triste de desejar viver melhor com a miséria dos outros. Bem ao estilo "quando estiverem todos a passar fome, ainda me vou rir". Ainda assim, ainda gostaria de saber qual a reacção dos alemães (e até portugueses) se vissem as suas crianças vestidas com as fardas da Juventude Hitleriana...
Não será inocente o ressurgir tímido dos símbolos fascistas em Portugal, como este desfile e um célebre programa de televisão aqui há tempos, quando assistimos ao perfilar de desejos insanos de alguns políticos recém-surgidos e catalogados imediatamente como Salazar o foi, como "Salvador da Pátria", que entre medidas propostas de aparente cariz social mas com forte carga demagógica, advogam a alteração da nossa Constituição para permitir, por exemplo, os contratos de trabalho a termo certo "ad eternum". Nada é por acaso. E dá-me a impressão que algumas coisas se ligam. Vejamos quando o "Salvador da Pátria" ganhar as próximas eleições. Talvez nessa altura muitos dos falsos democratas tenham a satisfação de rir ainda mais com a miséria humana, satisfazendo os seus mais íntimos desejos sádicos.
Eles "andem" aí... A música só podia ser aquela no canto superior direito. Mesmo.
Foto Google

segunda-feira, 7 de junho de 2010

VAI COMEÇAR O CIRCO!

Foto Google

Vai começar o circo. Em redor de mais uma participação da nossa selecção nacional de futebol num Campeonato do Mundo. É um circo que já não é novo. E, vamos lá a ver, já estamos habituados a circos. Entre bombardeamentos de notícias sobre a crise económica, em que florescem agora os políticos formados em Direito entendidos em Economia, velhos avôs responsáveis pelo estado a que isto chegou, que recebem quatro e cinco reformas e dizem que tem de se cortar em tudo, menos no essencial, que são as pensões (porque será?), presidentes da República que no passado desbarataram os nosso sector primário e agora dizem que é preciso mais agricultura e que os pescadores ganham mal, alunos que agora podem passar do sétimo para o nono ano, as apresentações de 53 PECs (Plano para Espantar Crédulos), medidas de austeridade para salvar a economia portuguesa do perigoso crescimento, roubos de gravadores por parte de deputados, manobras de estacionamento com submarinos em vez de Jaguares, homens da terra do Torga que querem mudar a Constituição para baixar os salários da malta, conselhos de agentes turísticos armados em presidente da República, e mais do que nos podemos lembrar, este circo da selecção é apenas mais um.
Porque são as transmissões televisivas dos momentos dos jogadores, porque são as entrevistas a velhas glórias, os comentários dos paineleiros diversos, as análises estatísticas dos jogos, as refeições da selecção, os matraquilhos da selecção, o autocarro laranja, o seleccionador que deixou o Moutinho de fora, enfim... é um tal andar de notícias e pretensas notícias da selecção, de tal forma que nos arriscamos a intoxicar.
E já vem muita gente dizer que não concorda com este circo, que o povo quer é bola e esquece aquilo que realmente é importante na vida, as verdadeiras notícias. Há também quem acuse a comunicação social de ligar apenas à bola, e não ligar aos outros desportos que também têm selecções. De relembrar particularmente a nossa brilhante equipa de râguebi, que no último Mundial cantou o nosso Hino com aquela impetuosidade toda. Depois perdeu os jogos todos, mas foi bonito ver o Hino cantado assim. Embora que se cantassem mal e tivessem ganho um joguito, não era pior... Bem, cada um faz o que pode...
Seja como for, já muita gente se queixou deste autêntico circo que rodeia a selecção. Alguns desejam inclusivamente que Portugal perca rapidamente para que a vida volte ao normal em Portugal. Ou seja, que voltemos aos PECs, aos cortes, aos roubos e outras coisas interessantes. Mas há uma coisa que algumas pessoas recusam entender. Nem todos somos iguais. O povo adora bola porque esta não desilude. São onze contra onze dentro de um campo com erva, onde pastam vacas, atrás de uma bola de courato. E é emocionante, e é corrido, é um desporto, é uma competição. Não é erudito, nem culto, nem relevante do ponto de vista pedagógico, nem sequer é muito científico. Mas é o que é. E sabem do mais? É do que o povo gosta mais. Bola. Parece impossível, não é? Já muitos estão desse lado a dizer: só neste país!! Não, mas não é só neste país. Este circo passa-se em todos os países que lá têm uma selecção. Está bem, está bem, o Ghana, a Nigéria, o Brasil, até a Sérvia... enfim, países que não servem de exemplo por serem menos desenvolvidos. Mas a Alemanha, a França, a Dinamarca ou a Itália são-no e também estão em circo. Para não falar na Inglaterra, que pára um mês!
Por isso, para os cinzentos que não entendem que o país é o que é, e que os outros gostam do que gostam (e gostam de bola, abençoados sejam), que se enterram em análises financeiras e económicas da economia global e apenas isso, tenho para vos dizer que eu, apesar do circo, continuo bem informado e vejo as notícias na mesma. E se não houver notícias, amanhã compro o jornal. Se não aguentam mais o circo, têm boa solução. Mudem de canal.
Se vocês gostam de viver na tristeza permanente, deixem o povo alegrar-se de vez em quando. E se a política ou a economia nunca nos dão alegrias, a malta, lá está, terá de se virar de quando em vez para a bola. Porque de resto, morriam de susto só de pensar no que têm pela frente só até ao final deste ano, quanto mais no resto das vidas. 
Deixem lá a malta sorrir um pouquinho, vá lá. Não custa nada, ou pelo menos custa menos que o 1% de IVA e 1,5% de IRS que também vocês terão de pagar, apesar de toda a análise financeira e indignação política (depois metem lá os mesmos de sempre...). 
Para os outros que desejam uma rápida estadia da nossa selecção na África do Sul, e que perca os jogos todos, desejo-vos uma excelente "doença" prolongada e que tenham a dor de alma de no final desta verem Portugal na final. Sei que metade de vocês não resistiria e morreria de desgosto antes. Caso morram, morram longe. Caso não morram, apanhem qualquer coisa (pode ser gonorreia ou um autocarro de frente) e deixem de chatear quem gosta da selecção ou quem, como eu, não tem outra para apoiar.

domingo, 6 de junho de 2010

PASSO FÉRIAS ONDE QUISER, PORRA!

Imagem Google

O presidente quer os portugueses a passar férias cá dentro, em Portugal. Diz o senhor, que de facto é um génio da economia, que fazer férias fora do país é importar e piora a dívida portuguesa. Eu não sou obviamente um génio da economia, nem um guru da gestão, nem sou particularmente versado no campo financeiro. Sei que quando vou de férias, vou para onde quero e não há-de ser o presidente da República a decidir sobre o meu destino. Pelo menos enquanto formos um país democrático.
De qualquer das formas, é um gesto grande, o de Cavaco. As suas palavras denotam toda a grandeza do seu ser. Lembrou-se, obviamente, que os carcanhois gastos pelos tugas por esse mundo fora podiam dar jeito em tempo de crise. Imaginem a Rainha de Inglaterra a querer que os ingleses não invadam o Allgarve neste verão. Sabendo que os ingleses até nutrem alta estima pela figura real e têm um doentio sentido patriótico, eram bem capazes de não virem cá... E garanto que não seriam os tugas a deixar cá as libras, que pioram a dívida inglesa, ao mesmo tempo que são uma exportação portuguesa. Penso eu. É deste tamanho a inteligência dos nossos governantes. Asneira atrás de asneira, assim vão expondo a sua verdadeira capacidade mental.
Mas não deve preocupar-se o Sr. presidente da República. A maior parte dos portugueses que ainda podia passar férias na estranja está tesa como um carapau, pelo que o seu desejo, além de ser uma ordem, é um pleonasmo.
De qualquer das formas, tenho a dizer que o dinheiro é meu, fui que o ganhei, foi-me pago em troca do meu trabalho. Onde o gasto não há-de ser de certeza da sua conta, Sr.presidente. Preocupasse-se antes com os milhões de milhões que chegaram a Portugal no seu tempo de PM e que voaram daqui para fora à velocidade de um TGV... Mais a mais, não o vi lá pela Jordânia a passar férias, um dias destes??!!

sábado, 5 de junho de 2010

INSÓNIA

Insónia. Não dormir é, no fundo, aproveitar o tempo para exercitar o stress. E, no entanto, que bem me soube esta insónia. Que bem a aproveitei. Que bela noite de recordações.
Não sei. Talvez seja por se terem cumprido tempos escorreitos sobre a longínqua data de nascimento. Talvez por apenas pura nostalgia. Percorri mentalmente os sítios da minha juventude. Adolescência? Não, nada disso. Sabia lá eu viver nesse tempo! Juventude, sim. O tempo em que se vive e se começa a saber viver, sem aquelas angústias parvas da adolescência.
Na adolescência, todos somos poetas. E não é verdade? Pois é mesmo. Tem a ver com uma única coisa. O poeta é solitário. O poeta consegue ser mais poeta quando é solitário. O poeta ocupado com o conhecimento carnal deixa de ser platónico. Deixa de ser poético. Deixa de lançar odes à Lua. Sim, porque poeta que se preza não escreve sobre o dia. Escreve sobre a noite. Porque a noite é a parte das nossas vidas em que a transcendência humana se manifesta e podemos, ainda que por breves e felizes momentos, aspirar o ar dos deuses. E isso dá bela poesia.
E isto tudo apenas porque não me apetece dormir hoje. Bem, o cérebro cavalga por aí e já não sei bem onde vai. Espero não ter de procurar muito. Sim, fumei umas cenas. Brancas. Os meus cigarros são de enrolar. Nunca reparei nisso. Sempre enrolei os meus cigarros. Curioso, só comecei a fumar na juventude... E já lá vão mais de vinte anos a enrolar cigarros brancos com filtro e tudo. Se apenas enrolei cigarros? Não, não enrolei outras coisas. Pelo menos por regra. Mas hoje sinto-me como se tivesse fumado umas cenas. E recordei coisas. Sítios e lugares na minha mente de coisas brilhantes que ficam. É engraçado que a memória nunca retém o que é normal, apenas aquilo que é mais invulgar. Até o invulgar se tornar normal. Nessa altura é esquecido.
Mas temos capacidade de recordar coisas que quase havíamos esquecido. Insónia. Que diabo, isto não me costuma acontecer. Durmo tarde, sempre entre as duas e as três, mas isto é invulgar... Quer dizer, mais ou menos. Lembro-me que houve uma altura da tal juventude em que esta era a regra. É possível viver dormindo apenas ao fim de semana durante o dia? É, é bem possível. Lembro-me que houve uma altura em que já era mestre, estudava de dia, trabalhava das seis à meia-noite e depois ganhava dinheiro na mesa até às seis... Pousava a cabeça, pesada de sono e inebriada de álcool e tabaco, por breves momentos. Um duche e 50 kms para as aulas ás 10:00. Belos tempos! Como se pode ter saudades do sofrimento? Do cansaço, da angústia da bola que entra ou não, que vale cinco contos (se fosse hoje nunca jogaria a cinco contos a partida - são 25 aéreos, porra!!). 
Hoje visitei estes sítios. Pus os meus sentidos ao serviço da recordação. Passando pela música que então ouvia, tropecei naquela coisa que ali está no canto. O deus Morrison e a sua Moonlight Drive, que tantas vezes me acompanhou - literalmente - ao luar...

PS: Foto Google (e que grande foto!!)

21 ANOS DE POUCO PROGRESSO

Fez por estes dias 21 anos que os factos da foto ocorreram, imortalizados como os Sete Dias de Maio. Daí para cá, pouco mudou para os lados da China. Tanto ou tão pouco que até a vigília para tristemente celebrar o massacre de Tiananmen teve de ocorrer em Hong Kong, proibida que foi em Pequim. Há regimes que parecem perpetuar-se no poder. Mas não passa de uma ilusão. Também esses hão-de cair.
Na esfera de influência do governo chinês vão acontecendo outras coisas. Como as provocações norte-coreanas ou essa notícia absolutamente terrífica que é o facto de Myanmar, a antiga Birmânia, parecer estar a desenvolver armas nucleares. Depois de países que fugiram ao controlo da Agência Atómica terem desenvolvido ou adquirido armas nucleares, como a Índia, o Paquistão, Israel, provavelmente a Coreia do Norte e perto disso o Irão, poderemos agora estar na presença de mais um país beligerante ou repressor pôr as suas mãos neste tipo de arsenal. Faz-me pensar que a loucura do homem não é pôr-se em frente de um tanque. É construí-lo.

PS: Foto Google

quarta-feira, 2 de junho de 2010

E SE MATARMOS TODA A GENTE?

Tive muita relutância em escrever sobre este assunto. E admito que, à altura em que me debruço sobre o teclado para alinhavar as palavras ainda sinto relutância em escrever. Há coisas que não contribuem em nada na nossa felicidade. E, no entanto, sabemos que temos de escrever. Sabemos que, além de tudo, esperam que digamos algo. E é definitivamente um assunto difícil. Escrevo pesaroso, escrevo, sinceramente, com algum medo. Não porque receie consequências físicas ou políticas do acto de dar uma opinião. Afinal, sou apenas mais um num mar blogosférico que oscila conforme as marés. Antes porque receio, nesta altura, um confronto ideológico, quando não tenho qualquer ideologia de confronto.
Mas tenho de escrever. O assunto, como podem por esta altura imaginar, é aquilo que se passou ao largo da Faixa de Gaza. A minha posição sobre o conflito é bem conhecida e talvez por isso algumas pessoas esperem mais que o meu silêncio. Pois bem, cá vai.
Perante mais um acto bárbaro por parte de Israel, a minha surpresa foi exactamente nenhuma. Atenção, teria sido exactamente a mesma que perante um atentado perpetrado pelo Hamas. Duas organizações terroristas não têm, qualquer uma delas, o meu apoio ou simpatia, quer seja o governo israelita ou o Hamas, apenas porque estão em lados opostos de uma barricada. São ambos organizações terroristas e isso, na minha opinião, nem se discute. E nem vale a pena analisar as razões para um conflito que se arrasta há tanto tempo. Há conflito porque ambas as partes não sabem ser humanos. Simplesmente. 
Obviamente, Israel, não como país mas como nação, sofreu horrores na 2ªGuerra Mundial. Igualmente a Palestina, não como país, mas como nação, está a sofrer horrores hoje. São comparáveis? Talvez não, ou talvez ainda não. Mas mortes são mortes, e ao contrário de muitos por aí, lamento-as, sejam de judeus ou de árabes. Os árabes, dizem por aí, têm a mania das bombas e dos atentados. É verdade. Como os irlandeses, que conquistaram assim a sua independência, ou os bascos. Ou os tchetchenos. Sejam lá quem forem. Até Viriato foi considerado pelo Senado Romano como "terrorista". Os israelitas, é verdade, são muito mais honestos. Matam sem recurso a atentados. Matam às claras e nem se importam muito com isso. Afinal, e é bem verdade, o pior é para quem morre, não para quem fica. Não sei qual é pior, matam ambas.
Sendo um país forjado pelas potências dominantes na região após a Grande Guerra, Israel assenta a sua existência em razões histórico-religiosas, nomeadamente a ocupação do território da Palestina há cerca de 3000 anos atrás, antes ocupado por um povo chamado filisteu - filistini, em árabe, que quer dizer palestino. O que me leva a pensar que talvez os italianos queiram fundar uma extensão aqui em Portugal, uma vez que ocuparam o território há bem menos tempo. Ou os árabes, que também cá estiveram a ocupar isto. Preparem-se, pode acontecer, por razões históricas. Independentemente das razões, Israel existe e tem direito a existir. Não é bom nem é mau, é a realidade. As duas faixas azuis da sua bandeira, simbolizando o Nilo e o Eufrates, indicam, ao fim e ao cabo, a pretensão territorial israelita, esquecida (ou talvez não) com o tempo.
Gaza está sujeita a um bloqueio. Israel quer prevenir que entrem armas no território, armas essas que estarão obviamente apontadas pelo Hamas à sua garganta. As amizades são coisas interessantes. Ou seja, o movimento palestiniano criado e suportado pelo estado de Israel para combater a AP é agora o seu maior inimigo. Lembra o Bin Laden. Independentemente das razões para o bloqueio, seguido até ontem pelo Egipto, que agora abriu a fronteira com Gaza, este deve cingir-se às águas territoriais israelitas. Isto levanta uma série se problemas. Primeiro, Gaza tem direito a ter águas territoriais? Se tem, não pode ser bloqueada, perante o direito internacional. Se não tem, então é território integrante de Israel, o que confirma ocupação. Das duas uma, e isto nem é racional, é direito. Por outro lado, pode Israel impedir que um navio atraque em Gaza, partindo do princípio que se assume como potência ocupante. Mas pode invadi-lo fora das suas águas territoriais? Será que a Marinha Portuguesa pode abordar um navio espanhol fora das águas portuguesas? Não me parece.
O que leva à brilhante conclusão do costume: e que tem Israel a ver com o resto do Mundo e o Direito Internacional? Muito pouco ou nada, uma vez que nunca teve. Nunca acatou sequer as resoluções da ONU, portanto porque se iria agora vergar ao Direito Internacional? Mais uma vez, nesse aspecto, uma notável semelhança com o Hamas. Por outro lado, houve resistência por parte dos tripulantes do navio. Coisa inédita, esta de haver resistência! Um navio em águas internacionais. Sendo assim, podem fazer o que muito bem entenderem e lhes der na real gana, mesmo fora do seu país. É uma conclusão brilhante, mas óbvia. E sem surpresa. É invadido por militares e não pode haver resistência, uma vez que as tropas que abordaram o navio eram israelitas, ou seja, não estão sob a alçada do Direito Internacional
A surpresa aqui vai para os atacados, que ofereceram resistência à invasão de uma propriedade sua, em águas internacionais. Não eram, na sua maioria, árabes. Turcos, espanhóis, italianos, enfim... 60 nacionalidades diferentes. Parece que agora também os simpatizantes da causa palestiniana estão sujeitos à mesma sorte que os mesmos. Daí o meu medo. Obviamente, Israel e o seu governo, no meio disto tudo, é a vítima. É sempre a vítima. Será sempre a vítima. Poucas horas após o incidente, já clamavam que eram vítimas. São sempre, também não há grande novidade aqui.
E são vítimas dos palestinianos, dos árabes, do Irão, do Hamas e do Hezbollah, mas também da comunidade internacional. Qualquer simpatizante da causa palestiniana é um perigoso comunista inveterado, próximo do regime norte-coreano. Portanto, os israelitas são vítimas do comunismo internacional, da extrema-esquerda europeia, de todos esses vampiros que só ganham em pseudodefender a pseudocausa palestiniana. Basta olhar para mim, estou absolutamente rico com a minha posição. Não têm conta os milhões de euros que já recebi só por ter esta opinião. Sou perigoso, um terrorista em potência, provavelmente devia era estar em Guantanamo. Há muita gente que fala do que não sabe, é bem verdade. Não é bem o meu caso, pois conheço a região e ambos os lados da fronteira. Não me faz mais sábio. Apenas me faz ter uma opinião. Mas, que querem, sou um perigoso activista terrorista de extrema esquerda rico com a miséria do povo palestiniano... Que posso fazer? Já me fizeram assim... 
Há um ditado que diz mais ou menos isto: "se matares um, és assassino, se matares muitos, és um conquistador, mas se os matares a todos, és um deus!" Se matarmos todos aqueles que ainda têm consciência humanitária, talvez os problemas de Israel acabem...
Já agora, foram encontradas armas nos navios??