quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

LEMBRAM-SE DISTO?

Foto Público

Às vezes, dá-me assim uma nostalgia dos tempos de antigamente. Quase como os velhotes que dizem que agora é uma pouca vergonha, dantes é que era bom e que eram precisos dois Salazares para endireitar isto. Depois vão lanchar e lembram-se que dantes quase nem comer comiam. É mais ou menos isto. Gosto de recordar coisas de infância, como ir para a escola sozinho aos 6 anos, comprar um pião ou jogar à caricasameira!). Gosto de recordar as desculpas que dava para não ir à catequese e o facto de, já nessa altura, fazer os "deveres" antes da brincadeira. Eram 15 minutos, não havia grande crise...

Estas recordações são algumas das que me são caras. Lembro-me de, há muito tempo, uma senhora simpática de feições asiáticas ter vindo à TV anunciar uma pandemia de gripe A, que era suína mas era feio dizer gripe dos porcos, até porque de cada vez que comêssemos carne de porco ou olhássemos para o camarote presidencial do estádio do dragão nos confrontaríamos com a doença. Isto foi há tantos anos, e vi tanta vítima de gripe cair, quais moscas depois do Shelltox (este também era da mocidade), que já nem me lembro em que década foi! Parece-me terem sido séculos, tal o sofrimento a que assisti!

Foi tanto o esforço para uma pequena parte da Humanidade escapar a esta doença e à morte certa que foram descurados problemas menores, no que toca à saúde, como o problema da cólera e da Sida em África, do dengue, da malária... Enfim, o dinheiro foi todo para salvar uns poucos da morte certa pela Gripe A, por isso nem meia dúzia de tostões havia para eliminar ou minorar estas doenças. Quando pensava que estava quase a acabar, depois de sessenta e oito sessenta e nove avos da Humanidade perecer, eis que a senhora simpática nos vem anunciar a possibilidade de extinção, pois diz que ainda é cedo para levantar o alerta de Pandemia Mundial de Gripe A. Estou estarrecido, não me cabe um feijão frade no , tenho suores frios à noite e quentes de dia, sendo assim assim ao amanhecer e anoitecer, tremo como varas verdes, ou jogadores verdes, estou em estado de absoluta prostração. Nem sei se vale a pena ir trabalhar ou lutar seja pelo que for. Vamos todos morrer, finalmente. Depois dos biliões de pessoas infectadas e mortas pela Gripe A durante todas estas décadas de imenso sofrimento, não sei se resistirei a dar um tiro na moleirinha!

PS: a propósito, a Ordem dos Médicos confirmou hoje que, afinal, a homossexualidade não é uma doença! Estamos sempre a aprender! Mas é tarde de mais, até os gays vão morrer todos de gripe A!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

REVIVER O PASSADO NO PORTO

Imagem Google

Não sou das mais piedosas criaturas deste país no que concerne aos clientes do BPP. Este banco não era um banco comercial no sentido do termo, não domiciliava ordenados mínimos ou emprestava dinheiritos para comprar um apartamento ou pagar uma boda. Era um banco de investimento. Assim sendo, os seus clientes não eram, ao contrário do que nos querem fazer crer, o "pé rapado" com três tostões guardados ao longo da vida de trabalho. Eram pessoas com posses, e procuraram o melhor investimento para o seu capital, decidindo entregar fundos na mão do senhor sorridente ali da foto. Um vencedor, um perito em mercados, o homem certo para dar conselhos para investimentos proveitosos.

Nada mais errado, como sabemos, o homem afinal só sabia era desviar esses fundos não se sabe bem para onde, iludindo a vigilância de um Banco de Portugal bonacheirão, quase simpático, mas que não serve verdadeiramente para nada, a não ser aprofundar o défice orçamental através dos milhões em ordenados todos os meses. A coisa correu mal, não só o retorno não surgiu como nem o dinheiro investido apareceu.

Mas tudo isto não implica que os clientes do BPP não possam sentir-se defraudados, indignados até, com a situação. E nada mais natural que protestar. E fizeram-no hoje, na sede do BPP no Porto. Ocuparam as instalações durante 11 horas. Até que a Administração do Banco (ainda tem uma??) decidiu chamar a polícia para normalizar a situação. Ora, se eu fosse polícia, que faria? Recusar-me-ia a acorrer? Não, não poderia fazer isso. Estaria a desobedecer a ordens e o ordenado mal dá para pagar as fardas. Mas se me passaria pela cabeça acorrer e virar o feitiço contra o feiticeiro? Sim, sem dúvida.

Acontece porém que a Polícia não só acorreu como acorreu de forma violenta, expulsando os clientes à bastonada e com recurso a sprays de gás pimenta. E como pimenta no dos outros é refresco, a mim não doeu nada. Mas deve ter doído àquelas pessoas que apenas foram exigir o que era delas. Podem acusar-me do que entenderem, de populismo ou demagogia.,pouco me importa, não tenho eleições para ganhar, pelo que me é igual ao litro. No entanto, não deixa de parecer, na minha óptica, que a força policial não só não puniu os verdadeiros prevaricadores como se pôs declaradamente do seu lado. Já sei, cumpriam ordens e nada contra isso. O protesto não era legal, também já sei. Mas fica só a ideia de quão distorcido pode ser o nosso sistema policial/judicial, protegendo os ladrões das suas vítimas!

Por outro lado, uma carga policial! Não faz lembrar o passado? Qual Reviver o Passado em Briteshead (grande série), isto foi mesmo Reviver o Passado no Porto. A democracia à portuguesa, em todo o seu esplendor!

O BOM EXEMPLO

Foto Google

Eu gosto mesmo quando quem deve dar o exemplo o dá. Gosto que quem mande não mande apenas, mas também ensine os outros a mandar. Adoro o governante que consegue dizer a verdade, não interessa a quem possa atingir. Há países, quer acreditem quer não, que tem destes governantes, exemplos para o seu povo, que conseguem conciliar os seus discursos com as suas acções e iniciativas. Esses têm o meu respeito e admiração. Devem ser países pequenos, ou então já morreram todos.

José Eduardo dos Santos é o presidente da República de Angola. Segundo o que aqui vem descrito e escrito, José Eduardo dos Santos exortou o seu povo a "estabelecer "tolerância zero" à falta de transparência e má gestão da coisa pública." (!!!!!!!!!!!!!!). Além do mais, relembrou a grande directiva do último Congresso do partido do poder (único?) em Angola: "uma atitude "mais responsável" dos governantes e políticos angolanos perante o trabalho e a gestão da coisa pública." (ele não é nem político nem governante, pelos vistos...).

Melhor que um político responsável, que diga aquilo que sente e o faça de seguida, ainda "gosto" mais daqueles que são carpinteiros. Sim, carpinteiros, habilidosos no uso do martelo. É que isto de virar o cú ao prego não é para qualquer um. A foto em cima é do avião particular deste senhor, já agora. Assim anda de lado para lado, reunindo apoios aos seus muitos negócios mais que escuros, cuja face visível é a sua filha. Tem até uma cidade do interior de Portugal (e não é pequena). Sim, tem, é como quem diz, possui... Mas mantém o seu próprio povo, ou grande parte dele, na ignorância, na mais profunda miséria que se possa imaginar!

Mas será que não tem um pingo de vergonha naquela cara??!

domingo, 27 de dezembro de 2009

HORA DA MINI?

Foto Associated Press

Cá para mim, está na hora da mini. Há Minis Geladas está de novo a ser contestado nas ruas de Teerão. Possivelmente, ter-se-à criado um movimento que poderá ser determinante no futuro do país. A pena é mais forte que a espada, e os contestatários ao regime cinzento de Há Minis Geladas e do Ai a Tola Caminhei podem ter ganho uma supremacia moral que parece ser insofismável. Portanto, penso, cá para mim, que vai sair uma mini. Quanto ao Caminhei, o caminho faz-se caminhando, mas este já caminhou, é altura de marchar.

Para mim, é uma mudança bem vinda. Qualquer regime baseado na religião, seja ela qual for, é sempre factor de atraso do seu país. Isto independentemente das condições em que viviam os iranianos antes da Revolução Islâmica (não eram das melhores...). Um país que detém as riquezas que o Irão detém não pode viver voltado para si mesmo. Está na altura de o povo iraniano não só ter escolha (isso já tinha), mas de efectivamente não ter medo de escolher. E o medo que lhes é imposto, além da pressão física, é a pressão psicológica do "vais para o Inferno" ou "Deus não quer assim". Não é dessa forma que se obtém seja que progresso for, e nós, ocidentais, somos prova disso. Só quando começamos a mandar à fava os religiosos é que isto andou um pouquinho para a frente. É o que desejo ao bravo povo iraniano, que deixe de ouvir os homens que através de Deus manipulam a miséria humana a seu bel-prazer.

Serve este post para dar conta do fenómeno inverso na nossa sociedade. Cada vez se dá mais atenção, em Portugal, ao que a Igreja Católica e sua hierarquia têm a dizer sobre questões sociais. Por mim, nada terão a dizer, já que o foro da Igreja não é social, mas sim espiritual. Pode revelar-se no plano social? Pode, e revela-se. Infelizmente. Pode intervir nesse plano? Não deve, mas pode e manifesta-se, com uma força que todos julgávamos desaparecida, aliada a fenómenos de extrema direita, xenófobos e homófobos por natureza. Vemos ressurgido o chavão do "Deus, Pátria e Família". Vemos que são concedidas benesses aos membros da Igreja que não são concedidas a elementos da sociedade bem mais válidos e produtivos. Talvez estejamos na iminência de voltarmos a ter a nossa política ditada nos sermões de Domingo de manhã, na Igreja Paroquial (no tempo do Guterres era assim...), como não vai assim há tanto tempo.

De outra coisa apetece falar. Mudando diametralmente o rumo à conversa, esta poderá a vir a ser a oportunidade de ouro para a paz no Médio Oriente. Sem Hezbollah, sem Hamas, sem extremistas apoiados pelo Irão, poderá ver-se efectivamente qual a direcção que Israel deseja ver tomada naquela região. Veremos se serão invertidos alguns processos, algumas intenções. Bem sei que, para isso, também os extremistas israelitas teriam de ser destronados, e muitas famílias judaicas deslocadas das suas actuais localizações ilegais. Mas se desaparecerem as pressões do Irão, talvez a paz seja uma realidade mais próxima, e os povos da Palestina, de Israel e da Jordânia deixem de servir como arma de arremesso de Teerão e de outros interesses mais obscuros.

Quem sabe?? Vai uma Mini? Parece que podemos vir a festejar algo de jeito na passagem de ano afinal! Quem sabe?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O NATAL DURA!

Foto Google

Estamos em tempo de Natal, tempo de felicitações colectivas, de festa familiar, de bolo rei, filhoses e bacalhau, das prendas, prendinhas e lembranças. Dos sorrisos, das luzes e presépios, da alegria em família, do convívio e de mesas fartas de gente e acepipes. Estamos na época em que todos estamos de boa vontade, de espírito aberto à entreajuda e comunidade.

Nesse espírito, a administração da Dura Automotive Portugal, do grupo DURA, com instalações em Vila Cortês do Mondego, concelho da Guarda, procedeu a um despedimento colectivo de 20 dos seus trabalhadores, chamados das linhas de produção um a um aos Serviços de Pessoal, onde lhes foram entregues as cartas de despedimento. Dada a crise internacional e nacional, não é de admirar que estes despedimentos ocorram, não por necessidade financeira (nesse caso, despedia-se antes qualquer quadro superior da empresa, que ganha o mesmo que estes 20 desgraçados juntos), mas por aproveitamento das administrações para aligeirar custos ao nível dos mais dispensáveis e necessitados. Tudo bem, as coisas viraram para este caminho e entende-se porquê, aceite-se ou não.

O facto é que esta é uma data pouco recomendável para despedir gente, e a administração da empresa denotou alguma falta de sensibilidade neste caso. Podia perfeitamente ter esperado até depois do Natal, dado o espírito de festa instalado por estes dias.
Falta de sensibilidade é uma coisa. Sadismo é outra inteiramente diferente.
Quando chegados aos Serviços de Pessoal, a cada um dos vinte funcionários despedidos, um a um, note-se, foi entregue um Cabaz de Natal, com um cartão de Boas Festas e Felizes Entradas, e uma carta de despedimento por cima do celofane dourado. De seguida, foram escoltados até à entrada da fábrica e nem regressaram às linhas nem lhes foi dada qualquer possibilidade de se despedirem dos colegas. Não imagino a indignidade desta acção, a desumanidade de quem decidiu fazer este despedimento no dia 23 de Dezembro com tamanhos requintes de malvadez. Não imagino a humilhação, o supremo esmagamento do orgulho profissional de cada um dos vinte despedidos.

Um Feliz Natal para todos!! É nesta época que se vê a humanidade das pessoas, não é?? Siga a alegria, de tristezas estamos todos fartos!!

É NATAL, VIVAM OS SANTOS!

Foto Google

É Natal, é tempo de perdão e compreensão. É nesta época que quase todos conseguem andar de bom humor, ver o que de melhor tem o mundo, apreciar os outros por aquilo que são e não pelo que têm, ainda que no dia 26 ou até mesmo no dia 25 mais à noitinha, tudo volte ao normal e à mesquinhez habitual. É nesta época que até o Presidente da República tem misericórdia de alguns prisioneiros e decreta alguns indultos. É caso para dizer que caem algumas prendinhas nos sapatinhos destas pessoas.

Já aqui me acusaram de ser particularmente crítico para com uma das figuras mais altas nos meios religiosos, o Papa Bento XVI. Pois, já sei, lá vem ele falar do desgraçado do Papa. Pois venho, pois venho. Lamento defraudar as vossas expectativas, mas aí vem post sobre o Papa. Muitos sabem que não vou à missa deste Papa. Não que outros me fossem particularmente queridos, mas este já foi aqui alvo de algumas poucas e ténues críticas, se bem se lembram. Bem, mas adiante. O Natal está aí e Bento XVI, o Ratopapa, ex-Cardeal Ratzinger (não faz lembrar um dos sete anões, o Rezingão?), também está numa boa com a vida e decidiu ele próprio fazer algo que simbolize o verdadeiro espírito de Natal.

Ora reza a lenda que Cristo nasceu na Palestina, em Belém, e que logo à nascença, foi perseguido por um Judeu, o Herodes (aquele do ou rezas ou te fazes amor). Cresceu em Nazaré e iniciou o seu ministério (não sabemos a pasta de Cristo, mas é estranho que tivesse apenas um Ministério, podia ser pelo menos Primeiro Ministro...) aos 30, e durante esses três anos foi perseguido pelas gentes da sua terra, judeus, pelos fariseus, judeus, foi efectivamente condenado à morte por judeus. Estão a ver o denominador comum, certo? Ora, Bento XVI aparenta não morrer de amores por judeus também, talvez em solidariedade para com Cristo. E porque digo isto? Bem, todos sabemos um pouco de História, e mesmo que saibamos muito pouco, nem saibamos sequer quem foi D.Afonso IV (era o pai do Pedro, porra! O Nicolau Breyner!), sabemos que houve a II Guerra Mundial e que havia o lado dos bons, que eram os americanos, dos estúpidos, que eram os italianos, dos malucos, os japoneses, dos maus, os russos, o dos resistentes, os ingleses, o dos atropelados, os franceses, os ignorados, holandeses, belgas e polacos e o dos filhos da puta, os alemães nazis. Andaram todos à batatada. Mas também nos lembramos do Holocausto, das barbaridades perpetradas pelos nazis contra ciganos, eslavos e, principalmente, judeus. Claro que houve outros massacres, como o dos russos contra todos e, particularmente, um genocídio que teve graves consequências 50 anos depois, o dos católicos croatas contra os sérvios ortodoxos, com Pavelic à cabeça. Se os nazis mataram 6 milhões à escala europeia, Pavelic conseguiu massacrar 450 mil sérvios só na Croácia, uma marca digna de (des)respeito!

Onde entra o Papa? Já lá vamos! Como sabemos, houve caça aos nazis e croatas depois da guerra, sendo que um dos primeiros grandes criminosos de guerra a escapar para a Argentina foi Pavelic, depois de ter sido admitido como reitor num Colégio do Vaticano, em Roma. Odessa foi o nome da operação que permitiu a milhares de genocidas nazis e croatas fugir para a América do Sul. Se alguns destacados líderes nazis foram apanhados, como Goering ou Hess, já os membros da Guarda Avançada da Igreja Católica, como chamava Pio XII, Papa da altura, aos ustachi, bandos de extermínio croatas, fugiram todos e nem um foi apanhado. A operação Odessa foi organizada pelo Vaticano e pelos serviços de espionagem de Pio XII, a Santa Aliança, de forma que, através do Vaticano, todos os genocidas, alemães ou croatas, conhecessem belos dias de exílio na Argentina, Bolívia, Paraguay ou Uruguay. O Papa Pio XII nunca condenou, fosse de que maneira fosse, o Holocausto ou o genocídio croata, financiando e abençoando os ustachi pela sua "acção benéfica em defesa da verdadeira Fé".

Ora, posto isto, não sei quem será a maior besta: se o Papa Pio XII, co-responsável pela fuga de genocidas e cobardemente cúmplice do maior genocídio de sempre nos Balcãs e no Holocausto, ou se Bento XVI, que num assomo de extrema clarividência e sensatez, como é de seu timbre, beatificou Pio XII, preparando o caminho deste para a santidade. Bento XVI não pode ser chamado de outra coisa, é uma besta, não no sentido literal do termo, como sendo burro ou mula. É um verdadeiro monstro, que passará à história como o homem que admira e aprova a obra hedionda de uma das figuras mais sinistras e maléficas da história do séc. XX, Pio XII, o protector de Hitler e seus amigos. Agora venham de lá dizer que Bento XVI não parece, nem remotamente, um filho da puta nazi! Com estas letras todas! É que não acerta uma!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ACERCA DO NATAL E TAL

Foto Google

Pois a questão aqui não se põe em termos de inspiração natalícia ou coisa que o valha. A gente tem mesmo é de manter o bicho vivo, e não é o cabrito nem o bacalhau, é mesmo o blog. Por isso, avante camarada, que tem de sair texto nem que seja na marra, como dizem os nossos irmãos brasileiros (irmãos o tanas, não tenho irmãos brasileiros! Ouvi dizer que tinha primos, mas as provas são inconclusivas...). E assim sendo, resolvi escrever sobre o Natal, o que, nesta época, tem laivos de altiva originalidade e sapiência.

Ora anda tudo por aí a enviar mensagens de Natal. Sim, já começou. Os píncaros desta nova tradição atingem-se lá para dia 24, e nessa altura o tráfego de mensagens é tanto que tentar telefonar com um telefone móvel é uma tarefa hercúlea. Eu que o diga, que o velhote teve um AVC no dia 24 de Dezembro do ano passado e se não houvesse telefone fixo bem que nos morria nas mãos. Já recuperou, obrigado, e sem grandes mazelas. Ora eu não envio mensagens para ninguém, embora responda a quem me envie, por questão de boa educação. Enviam-me alguns aquelas mensagens curtas tipo "Boas Festas" ou Bom Natal" e eu respondo na mesma moeda. Mas depois há os artistas e poetas. Os artistas são aqueles que misturam coisas que sabem que nos chateiam com as mensagens de Natal. Tipo o Benfica ou o Benfica. Coisas simples como o Benfica. Este ano não vai chatear, de certeza. A esses respondo com "Bom Natal" e um ocasional "se metesses um troço de lombarda pelo acima é que fazias bem"... Penso que fica no ouvido e entra bem... no espírito natalício da coisa. Os poetas são aqueles que se fartam de receber e guardar e reenviar mails com anjinhos e correntes de boa sorte e de benfeitorias diversas, um pouco ao estilo da IURD, fazem uma adaptação de software e toca de enviar mensagens que demoram a noite toda a descarregar. A esses respondo simplesmente com "Bom Natal".

Se há coisa que me enerva solenemente é estar prestes a mergulhar no raio do bacalhau e o telemóvel dar aquele bip a avisar que caiu mensagem. É que toda a gente olha para nós, à espera que saltemos da cadeira com gula incontrolada à procura do dito cujo, procurando saber quem foi a alma caridosa que se lembrou de nós. Tudo bem, sei que a intenção é boa, mas não gastem mais dinheiro. Outra coisa que me enerva é que o Natal é suposto marcar o nascimento de Cristo, e, no entanto, não se vê Cristo em lado nenhum. É Pai Natal para aqui, para ali, para acolá, renas e magos, mas Cristo está quieto! Sei bem que andam por aí a roubar as figuras dos presépios, os Cristos, os S.Josés e até os burros! Curiosamente, deixam sempre a Virgem... Pois, pode ser virgem, mas acabou de dar à luz e não serve para... coiso! Para isso, até o S.José deve ser melhor... mas não sei, ainda não experimentei. Também pode ser porque muita gente sabe que a história está um bocado mal contada e que a Virgem deve ter metido os palitos ao bom do José com o Gabriel Arcanjo... Mas isto já é má língua.

Outra coisa mal contada é a história dos Reis Magos. Vieram de Oriente, e um era negro! Interessante, pois se vieram do Oriente, não deviam ser mais para o amarelo? Depois, andaram a seguir uma estrela. Pois, está bem, olha se fosse hoje... A ver estrelas andam muitos por aí por não terem atenção ao caminho. Os presentes! Os presentes dos Reis Magos. Ora um trouxe ouro. Não deve ter trazido grande quantidade, pois consta que José continuou a ser carpinteiro. Outro trouxe incenso! Incenso? Aquela merdice que cheira a charro seco que um gajo compra nos chineses a trinta paus o euro??? Rico presente! O terceiro trouxe mirra, mas o José deitou-a fora logo que pode. O facto de ainda não ter estreado a Virgem não queria dizer que o não fizesse mais tarde e pelos vistos fez mesmo, por isso não mirrou!

Os presépios são giros, também. Um espectáculo, alguns deles. Nunca falta o menino, a Virgem, o Corn... José, o burro e a vaca, que mantiveram o menino quente, uma manjedoura e, está-se a ver, os Reis Magos, que, no entanto, só chegaram 15 dias depois!!! Porra, que pais desnaturados! 15 dias dentro de uma gruta com o puto dentro de uma manjedoura, a ser aquecido pelo bafo de um burro e uma vaca?? Isto hoje era processo por maus tratos e o puto ia para uma instituição, de onde sairia aos 18 para pregar o evangelho. Ou não. Provavelmente sairia para pregar o conto do vigário. Por falar em conto do vigário, não é que os 3 paneleiros Magos demoraram 15 dias a chegar ao local? Ah, porque foi para despistar o Herodes, ah, porque o Herodes isto e aquilo é maluco e mais o camandro... Pois era maluco, mas para vos encher o papo de tudo o que era bom já serviu!! Vígaros, digo-vos eu!!! Por isso mesmo, quando lá chegaram, assim pelo sim pelo sim senhor, estava lá o senhor polícia (este sim, veio do Oriente, deve ser da mesma esquadra do Jackie Chan) para proteger o puto com karate-do, taekwon-do e fugir-do... polícia que está com cara de poucos amigos, quase como quem diz: "Ai os filhos das p#$%&s dos Magos que chegaram, marroquinos do car#$%&$!!

PS: Este post não intenta ser racista. Mas até pode ser...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ELES ANDEM AÍ!

Imagem Google

Eles andem aí, os Velhos do Restelo, e não estou a falar dos adeptos do Belenenses. O PSD vai avançar com uma proposta para se criar a união civil registada para homossexuais, que assim tornaria o casamento homossexual desnecessário como alargamento ao casamento civil. Neste projecto, o PSD aclara que a adopção será sempre uma impossibilidade por quem optar por esta modalidade. E modalidade é uma palavra que não escolho por acaso. Porque o que estes senhores querem é tornar o casamento uma coisa sagrada, aos olhos de Deus, que, como sabemos, anda cada vez mais desacreditado por estas bandas. Confundir as pessoas, levando-as a crer que a sociedade e a religião são uma e a mesma coisa, foi manobra que muitos ditadores seguiram para fazer valer os seus "direitos divinos". Depois, além do sacrossanto casamento, existem modalidades, como esta união civil registada. Mas sociedade civil não é sociedade religiosa, meus caros! Ninguém pede que um par de homossexuais vá ao altar, pede-se apenas que tenham o mesmo direito civil que qualquer um de nós tem.

Não sou contra nem a favor do casamento gay, entenda-se. Julgo que os únicos contra ou a favor são os homossexuais e serão eles que farão a sua escolha e não eu por eles. Este tipo de iniciativa, apoiada no mais profundo preconceito e homofobia, característicos de outros regimes de outros tempos, é atroz. Mesmo em relação à adopção, penso que sempre será melhor deixar as crianças nos centros de acolhimento, serão com certeza muito mais felizes! Até porque um casal gay nunca seria capaz de criar uma criança normal, embora os "normais", os "bons", sejam aqueles que abandonam e maltratam milhares de crianças por ano neste país. Provas de que estas posições não só são homófobas, mas baseadas no mais puro preconceito, sem base científica possível.

O PSD não avançará com um pedido de referendo ao casamento homossexual, mas apoiará qualquer petição popular que chegue à Assembleia da República nesse sentido. Ou seja, os deputados são demasiado puros para sujarem as mãos num assunto que poderia ser prejudicial, mas já os militantes desta espécie de partido político devem andar nas ruas a recolher assinaturas. Não deve demorar muito a chegar a tal petição. E depois, seremos todos chamados a decidir sobre um direito dos outros, como se eles não tivessem direitos, não fossem pessoas, como se fossem apenas sinos de uma igreja ou linhas num mapa. A notícia está aqui. Dá-me asco ver coisas destas, mas enfim, lá teremos que os aturar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VERGONHINHA NACIONAL

Foto Google - Red Bull Air Race Porto 2009

Sabe quem me conhece que não sou adepto de regionalismos. Gosto da minha terra, e mais uma ou duas regiões de Portugal acima das outras. Mas não as considero nem melhores nem piores que o resto do nosso território. Portugal é, para mim, uma nação una e indivisível, sem questões étnicas ou religiosas, um povo, um país, uma nação. Se há uma coisa de que particularmente não gosto em Portugal é das suas grandes cidades, à excepção de Coimbra. Em Portugal há apenas três grandes cidades, Lisboa, Porto e Coimbra. A primeira com um milhão e trocos de habitantes, as outras duas com populações muito semelhantes, na casa dos 350 mil. As cidades são belas, mas o que deita tudo a perder no caso do Porto e Lisboa é que têm regiões urbanas circundantes e... feias.

Pronto, não sou adepto de grandes cidades portuguesas. Mas não posso deixar de me sentir consternado com a mudança do Red Bull Air Race para Lisboa. É certo e sabido que Lisboa perdeu a Fórmula 1, mantendo o Moto GP, neste cenário de grandes eventos do desporto motorizado. Associou o seu nome ao Dakar, mas pouco ou nada se vê do Rally em Lisboa, e mesmo esse já foi com o baralho, por razões alheias à cidade. O Porto, por seu turno, tem o Campeonato Europeu de Turismo. Mas o ex-libris desportivo, em termos motorizados, da cidade, era mesmo o Red Bull. Em dia de corrida, 600 mil pessoas amontoavam-se nas margens do Douro para ver um espectáculo pouco usual e de grande qualidade.

Além de tudo, penso que a corrida estava mesmo melhor no Porto. O rio é mais estreito e espectacular que o Tejo, proporciona melhores vistas e proximidade, é ideal para a prática deste desporto. Aliás, quem conhece o Corno de Ouro em Istambul sabe do que estou a falar. A prova turca, que se realiza na mais bela cidade do Mundo, não se desenrola no Bósforo, mas sim no Corno de Ouro. Mas também é de referir outra questão. Como pode este governo defraudar a cidade do Porto, em detrimento da capital, apenas porque o presidente da Câmara de Lisboa é um destacado membro do aparelho socialista e o presidente da Câmara do Porto é uma destacado dirigente do PSD? E o povo, meus senhores? Alguém perguntou ao povo do Porto e do Norte em geral, que se deliciava com esta prova, qual a sua opinião?

Apesar de morar perto do Porto, nunca fui ver ao vivo as corridas de aviões. Não é a minha onda, sinceramente. Mas sei que 90% da população limítrofe da cidade já foi presenciar pelo menos uma das edições. Os lisboetas são livres de se meter no comboio ou carro ou autocarro ou avião e se deslocarem à bela cidade do Porto ou à Ribeira de Gaia para ver a prova. Ninguém os proíbe, e serão sempre bem vindos. Penso que é de mau gosto fazer-se as coisas desta forma dissimulada e maldosa. Agora que o erro está consumado, e perante a reprovação até dos próprios lisboetas, vem o Dr. António Costa afirmar que nem se importa de ceder a corrida ao Porto, um ano ou outro, desde que a organização assim entenda. Claro que isso não vai acontecer, seria o primeiro passo para perdermos este evento em Portugal. Mas a desfaçatez quase chocante com que este manhoso, que está atolado em jobs for the friends até à altura de três contentores em Alcântara, decide desdenhar assim do único exemplo de político e governante incorrupto e honesto deste país é difícil de engolir. É mais uma vitória do chico-espertismo português, e só não é uma vergonha nacional porque a questão nem é assim tão séria, convenhamos. Mas é uma vergonhinha nacional. Vergonha que António Costa deixou de ter na sua bolachuda cara (sai ao "pai"?). E assim se deu azo a mais uns ataques do mais corrupto ser da cidade do Porto ao Rui Rio...

Esta situação teve um paralelo muito antigo, quando D.Dinis (salvo erro), decidiu mudar os Estudos Gerais de Lisboa para Coimbra e os rebaptizou como Universidade de Coimbra. Nessa altura, foram os lisboetas a sofrer na pele o facto de não morarem na capital. Por falar nisso... Será que não te mexes, ò Carlos Encarnação? Olha que a corrida, melhor que no Porto, melhor que em Lisboa, ficava mesmo a matar... em Coimbra!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

VERDADEIRA NATUREZA

Foto Google - Tumultos na Grécia

Copenhaga é por estes dias o centro do mundo. Apesar de não parecer, é onde muito daquilo que desfrutaremos no futuro ficará decidido. Não pelo aquecimento global, ou o degelo, ou as alterações climáticas. Mas sim porque é onde se perceberá como o mundo está balanceado neste momento. Onde se verá quem tem mais força, onde se definirão as novas superpotências deste planeta. E nós vamos assistindo a tudo isto sem grande vontade.

Apesar de uma cimeira para discutir aquilo que já é discutível, as alterações climáticas, não é isso que dela vai transparecer. As alterações climáticas são importantes, claro. Não tão importantes como nos querem fazer crer, pois nada há que impeça a Terra de aquecer. O planeta está num ciclo extremamente quente, pois o Sol encontra-se muito mais quente que o normal, e isso vai reflectir-se naturalmente. É um ciclo astronómico e geológico, apenas nos podemos adaptar e não apressar aquilo que é inevitável. Não uma extinção em massa, mas uma mudança de paradigma da raça humana. Já passamos por isso várias vezes. E sobrevivemos. Não todos, mas sobrevivemos.

É na geopolítica que os países reunidos em Copenhaga estão verdadeiramente interessados, não no ambiente. E não me admira se o acordo para o controlo da degradação climática seja insípido ou insuficiente, pois não é para isso que os chefes de Estado ali estão. Eles estão ali para medir a sua força. E se, anteriormente, a força se via pelas armas, hoje a força mede-se de forma global, de uma forma mais económica que bélica. Tudo se resume à quantidade de dinheiro com que cada país pode acenar aos mais pobres para obter as suas concessões. Não tenho dúvidas que os maiores consumidores de energia mundiais, e por isso os maiores poluidores também, com os Estados Unidos à cabeça, seguidos da China e Índia, as três maiores superpotências de hoje, levarão a deles avante e mais uma vez os mais pobres serão os mais prejudicados.

Mas há um problema com este aquecimento global ou alteração climática ou subida dos oceanos e todas essas balelas que vamos comendo, como se fôssemos os culpados. É que é bem capaz de vir atrasado. Nós somos muito bem capazes de fundar um novo paradigma da raça humana sem alterarmos o clima. Somos muito bem capazes de alterar este mundo para sempre. E parece que já faltou mais. Parece que Basta! é uma expressão cada vez mais ouvida. Ainda bem em surdina, mas começa. E vai acabar antes de os oceanos subirem, os pólos descongelarem, os Himalaias deixarem de ser brancos ou seja o que for que nos dizem que está a acontecer. Espero nessa altura estar a fazer tijolo, bem mais descansado e com uma vida de qualidade acabada. Porque isto, quando estourar, vai ser giro. Ai vai, vai!!

domingo, 13 de dezembro de 2009

A QUARTA DIMENSÃO

Imagem Google

Todos os anos há Natal. O que lhe tira brilhantismo. Aquilo que realmente se saboreia não acontece todos os anos. Como um Mundial de Futebol ou a passagem de um cometa, aquilo que realmente interessa não acontece todos os anos. Torna-se banal. E tem outro efeito perverso. Lembra-nos, ano após ano, que a quarta dimensão, o diapasão da existência, se esvai por entre os nossos dedos, se esgota, drena as nossas energias e cada vez mais nos torna mais chegados ao retorno. O Tempo. A quarta dimensão, a única que não pode ser manipulada. O cerne de toda a existência, aquilo que nos permite evoluir, viver, existir, morrer.

O Tempo é menosprezado. Havia uma civilização antiga, na América Central, chamada de Maias, que era obcecada pelo Tempo. Faziam calendários com uma precisão absolutamente notável. Tinham três calendários engrenados, cujo funcionamento em conjunto era preciso a um ponto que os nossos relógios atómicos ainda só agora começam a roçar. Porquê? Porque tinham os antigos Maias esta obsessão com o Tempo? E porque deve esta questão ser colocada desta forma e não ao contrário? E porque não somos nós obcecados com o Tempo? Na verdade, a Humanidade sempre se apercebeu da verdadeira natureza do Tempo, ou seja, da sua inexorabilidade, do seu curso inalterável, uma fatalidade para uma espécie que pensa dominar o mundo em que vive.

Onde nos levou a percepção da inexorabilidade do Tempo? Poder-nos-ia ter levado à constatação de que a vida é extraordinariamente preciosa, que vale a pena viver, que a dádiva do Tempo que passamos por cá é crucial. Mas não foi essa a direcção que seguimos quando nos apercebemos da fatalidade do Tempo. Pelo contrário, tratamos de arranjar algo que desafiasse o Tempo, que fosse tão extenso como ele, mas ainda mais absoluto, ainda mais poderoso. Surgiu a ideia dos deuses, e de Deus. Quem é cristão habituou-se a crer na vida eterna, quer seja no céu ou no inferno. Não está aqui em causa a classificação destes conceitos, mas antes o conceito de vida Eterna. O que é ser eterno? O que significa? Há quem diga que este é o derradeiro segredo religioso, a verdadeira essência dos ritos, perceber a eternidade. Mas, na verdade, o que é esta ideia, este conceito de vida Eterna, senão um gigantesco desafio ao Tempo? Não serão todos estes ritualismos, todas estas religiosidades, todas as religiões, ao fim e ao cabo, apenas tentativas desesperadas do Homem no sentido de controlar a única coisa que nunca estará sob seu domínio?

Será o Tempo... Deus? O Tempo é Deus? Será uma ideia disparatada, dirão. Mas talvez não. Porque será que o Tempo não pode ser Deus? Qual é o nome de Deus? Segundo os escritos, é O que É, ou Aquele que É. E quem mais poderá ser, não sendo, senão o Tempo? Pois, se no nosso imaginário, Deus não pertence a este mundo, ou seja, não pertence a nenhumas das dimensões físicas que dominamos, onde existe Deus? Só pode existir na quarta dimensão, o Tempo. Serão Deus e o Tempo a mesma coisa? Talvez sim, mesmo teosoficamente considerando a existência de Deus, este parece estar muito mais ligado ao Tempo do que se pensa. Simultaneamente, levados ao extremo do racionalismo, a própria ideia de Deus, que é uma ideia humana, não tem uma condição física, não existe fisicamente, não cabe nas três dimensões. Só pode existir na quarta dimensão. O mesmo acontece com todas as ideias, estão todas na dimensão do Tempo. E é isto que verdadeiramente aterroriza o Homem. É ter a noção, ainda que remota, que tudo o que pensa é Tempo, tudo o que o rodeia é terreno e perecível, mas o Tempo é absoluto, seja em que local for. Logo, o Tempo é a única dimensão da nossa existência que é omnipresente.

Mas será o Tempo poderoso ao ponto de influir não apenas no mundo das ideias, mas também no mundo físico? Congele-se o Tempo. O que ficará? Será que o universo pode resistir sem o Tempo? Uma acção, física ou psíquica, seja ela qual for, não está dependente do suporte físico em absoluto. Se tal fosse verdadeiro, não conseguiríamos ter um pensamento, uma Ideia. Mas não pode existir sem o Tempo. No fundo, sem ele, não há condições de vida, nem mundo onde viver. Tudo se resumiria a um brevíssimo momento fugaz de existência. As manifestações físicas da natureza só se manifestam devido ao Tempo. Logo, o Tempo é omnipotente. É o Tempo que constrói incessantemente o mundo que vemos a cada momento que passa, para o destruir no momento seguinte e assim consecutivamente. Por isso temos apenas recordações do passado, pois o mundo físico em que essas recordações se dão está destruído, mas não o Tempo, em cujo seio depositamos as ditas recordações e demais Ideias. Se é no Tempo que se acumulam as Ideias, as recordações, os pensamentos, até os sonhos da Humanidade, isso não faz com que o Tempo seja omnisciente? Não é no Tempo que está acumulado todo o Saber? Mesmo que as pessoas esqueçam aquilo que foi aprendido há milhares de anos, o facto permanece: esse conhecimento existe e está perdido no Tempo. Logo, está no Tempo, onde todas as coisas regressam, afinal.

Omnipotente, omnipresente e omnisciente. Têm dúvidas? Tem dúvidas que o Homem quis criar um ser todo-poderoso, chamado Deus, por se recusar a aceitar a sua total dependência do Tempo, o verdadeiro Deus?

LEITURAS DE NATAL

A Ana, do blog Essence of Self, gostaria de saber que livros gostaria de receber por este Natal, ao mesmo tempo que me oferece este selo de Natal sem Pai Natal, o que não deixa de ser refrescante.
Assim, cá vai a lista dos livros que gostaria de receber no Natal:

-Supernatural, Graham Hancock;
-Underworld, Graham Hancock;
-Os Irmãos Karamazov, Dostoiévski;
-Secrets From the Sand, Zahi Hawass;
-Fúria Divina, José R. Santos;

E daqui o selo irá para o 13, do blog Porque é que o mar é azul, para Maria do Lusibero e para o Catsone, do Mundo Catso. Vamos lá a ver o que andam a ler... ou gostariam de ler este natal...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O DESERTO

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Porra, isto está um deserto. Não há novidades, não há notícias interessantes, nada de nada. Está tudo muito mal. As notícias que gosto de comentar não aparecem, embora o Papa venha a Portugal e a Igreja queira ter o assunto do casamento gay resolvido até lá. Como se tivessem alguma coisa a ver com isso! Por outro lado, anda por aí uma espécie de fúria assassina derivada de maus tratos domésticos. O que nem é nada de espantar, dada a frequência a que assistimos a este crime em Portugal. Não percebo é porque apelidam estes assassínios de "crimes passionais". Quer-me parecer que a paixão desapareceu há muito, caso contrário os tiros seriam outros, e não para matar, mas direitos "ao fígado". Pasmaceira, pá!

Parece que apareceu a febre Q na Holanda. Depois da gripe aviária, que tinha um nome adequado, pois nunca se viu fora dos aviários, da gripe dos porcos que mata gente mas muito pouco, parece que lá inventaram mais alguma coisinha e deram-lhe o nome de febre Q. Provavelmente outro nome bem escolhido, para a gente perguntar "Febre quê?! Vai trabalhar, chulo!". Por outro lado, Obama veio à Europa, a Oslo, capital da Noruega, receber o Nobel da Paz. Palpita-me que deve ter passado na Holanda e contactado com a febre, porque anda tudo por aí a perguntar por Q... Sabemos também que a Selecção Nacional derrotará o Brasil, a Costa do Marfim e a Coreia do Norte na África do Sul. Nada demais, são clientes. Continua a pasmaceira, pá!

Depois andam por aí as notícias da moda, ou a moda das notícias, também serve. Desde há uns tempos, a imprensa nacional inventou novo desporto, o tiro ao Socas. E é cada tiro ao lado que nem dá para acreditar. Como já vinha a dizer há muito, vieram as eleições e foi-se o Freeport. Até os ingleses desistiram. Agora vêm dizer que um mânfio que ganha 35 milenas de euros por mês se vendeu por dez mil. Deve ter sido para ir jantar com a família. Isto é cada notícia que até arrepia... No meio disto tudo, até tem graça ver a deputada mais tia do parlamento chamar palhaço a outro digníssimo espécime. O que não deixa de ter graça, pois andamos nós cá fora a chamá-los de nomes bem piores. E, pelo amor de Rá, de Osíris e seu filho Hórus, diz-se chamar nomes e não apelidar. Palhaço é um nome. Ou substantivo. No meu tempo era os dois, agora com tanta contrareforma educativa já não sei bem, mas apelido não é de certeza!! Isto é um deserto informativo.

Li também uma notícia que dizia que o Viagra dá força aos futebolistas. Bem, isto é embaraçoso. Pensei que desse força a qualquer um... Mas pronto, um destes dias, veremos as equipas da Liga a entrar para o campo recorrendo a manobras para sair do túnel. E isto fez-me lembrar a velha anedota, que todos conhecem:

"A polícia recebe uma queixa por barulho a horas impróprias. Chegada ao prédio em questão, o queixoso informa que deve ser droga, pois além de muito barulho, ouve-se muito a palavra "passa!".
Os agentes arrombam a porta do andar de cima discretamente e deparam com quatro casais envolvidos em frenética actividade sexual.
-Pá, isto não é passa, pá! Isto é só sexo mesmo! - diz um dos polícias. Entretanto, os homens dos casais envolvidos iam gritando Passa! e as mulheres ia passando para o homem seguinte!
-Espera lá, e aquele caramelo ali ao canto, a observar com cara de parvo e aspecto de drogado?? Aquele é que deve ser o freak da passa! - responde o outro, e avança pela sala até ao homem que estava no canto, com aspecto manhoso, vestindo uma gabardina sebenta, e pergunta-lhe de rajada:
-Você é que é o freak da passa???
-Quem me dera! Eu sou é o fraco da pi#$!!"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O CLUBE DOS CAVALHEIROS

Imagem Google

Há marcas que se confundem com o produto que fabricam e disponibilizam ao público. Quantas vezes não dizemos que aquele tipo tem um Kispo da Adidas, ou que precisamos de comprar um Black & Decker, nem que seja da Bosch? A Gillette é uma dessas marcas. Ninguém diz que precisa de comprar lâminas de barbear, antes se ouve que é preciso comprar Gillettes. Na verdade, esta coisa da barba é interessante, porque aqui há dias um colega meu comprou uma "Philishave da Braun" muito jeitosa. Pondo de parte a polémica sobre fazer ou não a barba todos os dias, polémica estúpida por ser obviamente contraproducente, a Gillette é uma marca de peso do imaginário masculino.

Com uma marca que se vende a si mesma, como publicitar? Pois, a Gillette apostou forte na personalização do produto, como sendo o produto pretendido por homens de alta performance desportiva. E assim surgiu a célebre publicidade Gillette, com os três protagonistas conhecidos como Roger Federer, Thierry Henry e Tiger Woods. E se Federer e Woods são os expoentes máximos nos seus desportos, o ténis e o golfe, já a escolha de Henry se deve ter devido a erro de casting, ou então à indisponibilidade de estrelas maiores, como CR9, Messi ou Kaká. Bem, seja como for, é um grande futebolista e pronto. Não foi o melhor, mas anda por lá a cheirar.

A questão é como se apresentam os protagonistas nesta publicidade. São vistos como homens de rendimento elevado, de imaculada figura física e integridade à prova de bala. Isto é na publicidade. Na realidade, vemos Henry enfiar uma bola numa baliza com uma mão. Evidentemente, o senhor, respondendo aos críticos, apressou-se a dizer que não tinha culpa nenhuma, o culpado era o árbitro. Sim, de facto, compreendemos que caso ele não tivesse jogado andebol naquele jogo, o árbitro seria sempre culpado! Lá ganhou um pouco de vergonha na cara e veio a terreiro, contrariado mas forçado pelas circunstâncias, admitir que ele é que jogou intencionalmente a bola com as mãos e não o árbitro.

Tiger Woods parecia ser o protótipo do grande desportista, símbolo máximo do fair-play e lisura de carácter. Mas alguém teve de ser transportado de sua casa para o hospital. Soube-se que era uma mulher e não a sua esposa, pois esta estava fora. Logo o Sr.Woods veio clarificar que seria a sua sogra, que se sentiu mal e teve de ser hospitalizada. Alguém no Hospital não achou muita graça à brincadeira e deixou escapar que uma sogra não tem nunca vinte e poucos anos... Pois, é um bocado difícil. Afinal, o Sr.Woods, novamente contrariado e forçado pelas circunstâncias, veio a terreiro admitir que a menina era sua amante. E já que muitas mais vozes perderam a vergonha e ameaçavam-no com chantagens, Woods admitiu ter mais oito amantes. Por enquanto, é o número oficial, mas é provável que este continue a subir pelo menos até ao número de torneios que já venceu.

A Gillette, por esta altura, deve ter administradores de mãos na cabeça. É melhor desde já avisar o Federer que, quando surgir o seu escândalo, tem de dizer logo a verdade. Será que os desportistas de alto rendimento são todos mentirosos? Talvez. Mas uma coisa digo: para tanto investimento numa publicidade, a coisa está a sair furada. Não pelas vendas, claro, mas antes pela imagem que fica destes senhores. Safa-se o Roger - para já - mas como será que ele votou no referendo dos minaretes? E o Henry, será que se vai dedicar ao andebol? E o Tiger, será que a jogar golfe tem a mesma performance que nos tempos livres da esposa?

E, já agora, escrevo no dia seguinte a mais um banho de futebol de um menino que nasceu na Madeira, território português, e um dos homens mais odiados de Portugal! Que devia estar a fazer a publicidade da Gillette, claro!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

HÁ 74 ANOS

Morreu a 30 de Novembro de 1935

THE WALL - 30 ANOS



.The Wall Concert, Earl's Court, 1980.

Passam hoje 30 anos sobre a edição do álbum The Wall. É o último álbum de Pink Floyd com a sua formação habitual. Acima de tudo, é um álbum de Roger Waters. Ironicamente, a única faixa da autoria de outro músico da banda é esta. Chama-se Comfortably Numb e foi recentemente eleita como a melhor faixa rock de todos os tempos.

The Wall é o álbum temático por excelência. Mas, ao contrário do Dark Side of the Moon ou do Animals, é um álbum que não elege um tema por si próprio, é antes uma colecção de temas sob o rótulo Waters. No fundo, é uma biografia de Roger Waters, dividida em quatro partes completamente diferentes. A primeira versa a infância, o trauma da perda do pai na II Guerra Mundial e o controlo exacerbado da mãe:



.The Wall Concert, Earl's Court, 1980.

A segunda parte conta como era a vida de um adolescente na Inglaterra, e junta a primeira e a terceira partes na trilogia Another Brick in the Wall. Trata-se do primeiro afloramento político do álbum, tão forte que a faixa mais poderosa ficou para sempre associada à rebeldia estudantil:



.The Wall Concert, Earl's Court, 1980.

Entretanto, a parede em que se enclausurava Roger Waters começava a fechar-se à sua volta. O casamento falhado e o refúgio na música tornavam-se novos motivos de autocensura e trauma. Tudo servia, nessa altura, para atenuar o fardo. É a terceira parte de The Wall, quando a parede já está fechada, depois da sua despedida do mundo. Waters não se suicida, mas deixa de viver em sociedade. Torna-se um recluso da sua própria loucura, já bem patente nos álbuns Dark Side e Animals. O trauma com o casamento serve de desculpa para as mais desregradas iniciativas:



.The Wall Concert, Earl's Court, 1980.

Finalmente, a última parte. A parte em que Roger se compara ao genocida que tirou a vida ao seu pai. Mas também onde chama a atenção do mundo dos novos movimentos absolutistas que estavam a erguer-se, talvez uma referência velada à então chamada Comunidade Económica Europeia e aos poderes ocidentais. É também agora que Waters é julgado e condenado. Não à morte, mas a sair da parede, a mostrar-se a todos como é. O seu grande medo, revelado dois anos antes em Toronto, torna-se realidade e a parede é arrasada. Dez anos antes do Muro, Waters derruba um outro muro, o seu próprio muro, e assina a sentença de morte dos Pink Floyd. Para sempre.



.The Wall Concert, Earl's Court, 1980.

The Wall aproxima-se dos 40 milhões de cópias vendidas, sem contar com as reedições ao vivo e em vídeo, e não dá sinais de parar de vender. A tournée foi memorável, mas pequena, resumindo-se a cinco localizações, quatro na Europa e uma nos EUA. Isto ficou a dever-se a diversos factores. Primeiro, porque a logística envolvida era tão massiva que se tornou incomportável transportar o palco e o muro. Por outro lado, as relações entre Gilmour e Waters estavam finalmente a ponto de romper definitivamente.

A digressão acabou por ser quase estática, não sendo por isso menos concorrida. O facto de ter de ser levada a cabo em espaços fechados levou a que o espectáculo se repetisse ao longo de vários meses nas mesmas instalações. O espectáculo foi imaginado por Storm Thorgesson e animado com os famosos cartoons e insufláveis de Gerald Scarfe, incluindo, além da mãe, do professor, da mulher e do juiz, o célebre porco voador, desta vez com os martelos cruzados no dorso. Passaram a ser, além do muro construído em palco à medida que o show se desenrolava, o ícone identificativo de The Wall.

Depois, veio o filme. Mas isso... é outra história!

domingo, 29 de novembro de 2009

ANTECIPANDO

Foto Rolling Stone Magazine

Em 1977, os Pink Floyd estavam no auge da sua criatividade. Depois do poderoso Dark Side of the Moon de 73, passaram a ser a banda mais reconhecida do Mundo. Em 75, o álbum Wish You Were Here consolidou essa fama, misturando regressos intensos às origens, registados com Welcome to the Machine e Shine on You Crazy Diamond 6-9, com sons mais melodiosos em Wish You Were Here ou em Shine On 1-5, faixas que rapidamente se tornaram ícones da música contemporânea. Depois disto, o que havia para fazer? Bom, havia o Animals.

Animals é o mais brutal álbum de Pink Floyd, e ainda hoje um dos mais duros álbuns de sempre do rock. Não pelo seu som, mas também, mas mais, muito mais, pelas suas letras. Waters passou ao papel a sua ideia de sociedade de então, distinguindo os seres humanos em três raças distintas: as ovelhas, os cães e os porcos. Não cabe aqui uma análise mais profunda do tema, até porque já antes havia alguns modelos bem conhecidos deste tipo de associação. Mas os porcos passaram a ser mais um ícone da já vasta iconografia floydiana. Se em 73, foram as pirâmides de Gizeh, em 75 o Mar Morto, em 77 foram definitivamente os Porcos Voadores.

A Animals Tour foi pensada por Storm Thorgesson, o homem dos cartoons floydianos, e incluía dezenas de porcos voadores, como aquele que se vê na foto. Waters levou mesmo a moda ao extremo ao voar num dirigível com a forma de porco cor de rosa por cima de Londres. Num dos concertos londrinos, um dos animais soltou-se e causou sérios problemas de navegação aérea em Heathrow. Mas o facto que mudou definitivamente a vida artística de Roger Waters estava ainda por vir. No concerto Animals em Toronto, Canadá, um fã entusiasmado aproxima-se demasiado do palco, até um escasso metro de Roger. A reacção não foi nada simpática, e Waters cuspiu no fã. Já fora do palco, Waters ficou tão abalado pela sua reacção que desejou que essa tournée terminasse imediatamente, ou então teria de tocar atrás de uma parede que o não deixasse encarar a multidão. Além de tudo, achava que tinha chegado onde jurara nunca chegar, ao ponto em que uma estrela rock pudesse ter um poder quase ilimitado sobre uma multidão que se encontrava totalmente submissa à sua frente. Fazia-lhe lembrar outros estádios e outros protagonistas e isso angustiava-o profundamente.

A tour continuou e com enorme sucesso. A notícia do arrependimento e recolhimento de Waters trazia ainda mais gente aos concertos, mas Waters cada vez se sentia com mais medo de encarar a multidão e do poder que cada vez mais sentia nas suas mãos. Desejou muitas vezes tocar atrás da parede. Mas nesta tournée nunca chegou a acontecer. Depois de terminada a digressão Animals, os problemas na relação entre os diversos elementos da banda, nomeadamente entre Waters e Gilmour, que nunca foram famosas, agudizam-se. A banda parte para um novo álbum conceptual, mas desta vez totalmente (ou quase) da autoria de Waters. E conseguiu aquilo que queria... tocar atrás da parede.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TUDO BONS CRISTÃOS

Imagem Wikipédia

A investigação que decorre na Irlanda acerca de abusos sexuais, físicos e psicológicos a menores , conhecida por Ryan Report, aproxima-se do seu final. Amanhã, em princípio, sairão as conclusões da investigação deste caso. Ou seja, ainda não se sabe se a ordem católica Irmãos Cristãos, ou Christian Brothers, será ou não condenada por estes crimes. A acusação envolve abusos sexuais, tortura física e psicológica e trabalho clandestino de menores à guarda desta organização, desde 1940 até aos dias de hoje. Pelo menos 450 menores foram abusados, e estes são apenas aqueles que deram a cara, pois como sabemos, não é fácil sair cá para fora para falar destas experiências.

Apesar de ainda não ser conhecido o veredicto, a Christian Brothers fez um comunicado hoje, dia 25 de Novembro de 2009, a anunciar que indemnizará os visados dos abusos perpetrados pelos religiosos ao seu serviço num montante de 161 000 000 de euros. Sim, são mesmo cento e sessenta e um milhões de euros! Naquilo que pode ser legitimamente considerado como uma operação de lavagem de imagem, a organização católica dispõe-se, desde já, a indemnizar, e ouvir o veredicto depois. É necessário relembrar que esta organização tem ramos e filiais nos cinco continentes.

Apesar de tudo, a Christian Brothers sublinha que “Este conjunto de medidas expressa o nosso reconhecimento, vergonha e dor causados pelas revelações do ‘Relatório Ryan’. Sabemos e lamentamos que nada do que possamos dizer ou fazer fará com que as vítimas dos abusos sexuais se esqueçam do que viveram passado”. E, de facto, isto é verdade. E sabemos que organizações destas, espalhadas por todo o mundo, sob a capa do humanismo e caridade, perpetraram crimes hediondos contra a dignidade e integridade física de milhares, se não milhões de menores. Nada do que poderão fazer poderá devolver essa dignidade aos envolvidos, nada do que possam agora anunciar poderá alguma vez lavar as memórias de milhares de crianças violentadas e para sempre marcadas no seu íntimo. Tudo feito em nome da Fé, tudo feito sob o protectorado da Igreja Católica e de outras Igrejas e outras religiões.

Pergunto até quando as pessoas deixarão estas situações repetir-se, quanto faltará para se darem conta dos crimes imensos, contra toda a Humanidade, que a religião perpetrou e ainda perpetra? Quando se ouvirá um NÃO a este estado de coisas? Mais, pergunto como pode uma organização religiosa, supostamente destinada à caridade e à misericórdia, além dos crimes que cometeu, dispor de 161 milhões de euros para pagar indemnizações? Em que mundo vivemos? Será que não será legítimo perguntarmo-nos para onde vai o nosso dinheiro dado a estas instituições?

A suprema ironia está em que a Christian Brothers pertence à Igreja Católica. A mesma Igreja que deseja impedir uma lei que permita o casamento homossexual em Portugal tem no seu seio uma organização que gere orfanatos para rapazes, que tem 161 milhões de euros para pagar em indemnizações referentes a actos que, além de pedófilos, preconizam a homossexualidade dos seus perpetradores. Pelo menos os homossexuais que se casarão poderão ter relações deste género de forma consensual e mutuamente consentida e desejada, coisa que nem perguntaram às centenas (?) de rapazes abusados na Christian Brothers. Como pode a hipocrisia falar tão alto?

Fica o link para a notícia.

São tudo bons rapazes, são tudo bons cristãos. 161 milhões deles...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

DORMIA TÃO SOSSEGADO...

Imagem RTP

Dormia tão sossegado. Eram por aí umas sete e meia da manhã, dei um descanso ao despertador e virei-me. Mais meia hora. Oito e é hora de levantar. Um duche quente, e estou na cozinha a tomar o pequeno almoço. Nestum? Nestum. Com mel. Ligo a TV da cozinha, pois não há TV a não ser na sala e na cozinha. RTP. Notícias. Forum não sei de quê não sei das quantas, tinha a ver com economia e eu, agora desperto pelo duche, mas ainda em câmara lenta, tentava acertar na boca com uma colher. Raio de colheres com pegas de plástico! Parecem legos! Enquanto procurava uma colher como deve ser, aparece esta carinha laroca a ocupar boa parte do visor. Sorri, uma vez que é sempre bom começar o dia com stand up comedy.

Dizia o homem que lhe parecia ser necessário, de modo a controlar o défice orçamental, “um aumento de impostos, não em 2010, mas até 2013”. O Nestum soube-me bem e já estava naquela fase em que comemos a parte mais grossa e fica uma espécie de pó mais fino a flutuar no leite. Enquanto rapava a tigela, ia reflectindo naquilo que ouvia. Bem, o entendido é ele, que hei-de eu dizer? Ele é que nos avisou que o sector imobiliário estava sobrevalorizado, ele é que nos avisou sobre as fraudes bancárias, ele é que previu a crise... Comecei a ficar preocupado, enquanto esfregava um olho ao mesmo tempo que fazia festas na gata. E eu que dormia tão sossegado...

De repente, fiquei mais animado, uma vez que este senhor não nos avisou da sobrevalorização do imobiliário, não nos avisou sobre as fraudes bancárias, e não tinha sequer noção que havia uma crise, mesmo depois dela estalar com força. Portanto, se o homem dizia que ia haver uma subida de impostos, é porque não ia haver subida nenhuma. Desliguei o aparelho e decidi-me a enfrentar o dia de trabalho com força e boa disposição, coisa que é perfeitamente normal.

Jantar. Fui o último a chegar a casa, caso raro. Normalmente sou o primeiro. Comecei o jantar, que se fez com entreajuda e alegria. Notícias. RTP. Reacções às baboseiras de Constâncio. Uns dizem que não, os outros dizem que não também. Empresários dizem que sairão do país se houver aumento de impostos, economistas dizem que Constâncio deve estar louco, pois a economia não comporta um aumento de impostos, o cidadão comum é comum e não apareceu às entrevistas, mas ficou no ar um leve ar de preocupação. De novo Constâncio. Afinal, veio dizer que não disse nada, que não disse que os impostos iam aumentar e que as suas palavras foram mal interpretadas. Aquelas lá de cima, as tais “um aumento de impostos, não em 2010, mas até 2013” . Afinal, ele não disse estas palavras. Ele não disse estas palavras de manhã, embora à tarde confirmasse que disse as palavras de manhã, mas à noite desmentiu que à tarde tivesse dito que tinha dito aquelas palavras de manhã. Pensei logo que há economistas que de manhã deviam estar calados à tarde e silenciosos à noite para não sair asneira de madrugada.

Comecei novamente a ficar preocupado, pois se ele disse que não disse o que disse, equivale a dizer que não disse nada. Ou equivale a dizer que disse o contrário do que disse quando disse que disse à tarde e não disse à noite? Porque se ele de manhã disse que ia haver aumento de impostos e confirmou à tarde que disse de manhã, mas desmentiu à noite o que disse à tarde a confirmar que disse de manhã, no fundo o que disse ele? Que interessa? Alguém lhe liga ainda? Por muito que ele disse, nós mais dizemos dasse.

Preocupado fiquei mesmo foi quando ouvi as reacções do Primeiro quando soube que o Constâncio disse que ia haver aumento de impostos, embora depois ele tenha dito que não disse o que disse. Disse o Sócrates que não haverá aumento de impostos. Fiquei para morrer. É que se o Sócrates disse que não vai haver aumento de impostos, tendo em conta que ele disse que não foi engenheiro ao domingo, disse que não assinou projectos na Cova da Beira, disse que não está envolvido no Freeport, disse que não despediu a Manela Moura Guedes e o marido, disse que não governava em minoria, disse que não gerava menos de 300 000 empregos (ser sócio do Benfica ainda não é emprego, pá!), disse que não deixaria de telefonar aos amigos e até disse que não percebeu se é legal ser escutado ou não, tudo na negativa, não será de desconfiar que vem por aí mais imposto?

E eu que dormia tão sossegado...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CA GAY, PÁ!!

Desenho Mike Lukovich

Ora aí está um tema de actualidade, que parece ser tabu para muito boa gente que por aí anda. O casamento gay, ou casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou como dizem os americanos, "fruitcake marriage". O tema é tão absurdamente simples que vos é penoso escrever sobre isto, já sei. Pelo menos é a desculpa de muitos. O que é facto é que a moral judaico-cristã não é assim tão liberal e insiste em nos limitar o julgamento, e penso ser essa a verdadeira razão porque tanta gente evita este assunto. Ora, como limitado doentio ateu agnóstico adorador do diabo adepto de politeísmos arcaicos (isto são tudo epítetos com que já me brindaram), é lógico que abra as hostilidades neste pequeno sector da blogosfera. Que estas sirvam para se falar disto, pelo menos.

Quem são os gays? Ahahah!! Pensavam que eu ia começar pelos conceitos básicos? Nada disso, todos nós sabemos quem são os gays. Homens e mulheres que apreciam a companhia íntima de pessoas do mesmo sexo. Há-os em todos os sectores da sociedade, desde uma boa parte dos padres católicos, passando por muitos deputados e políticos, até acabar no pedreiro ou varredor. Não é por aí que se distinguem. Há, no entanto, como acontece com o heteros, uma parte dos gays particularmente odiosa, e são aqueles que se fazem valer da sua condição sexual para arranjarem empregos imerecidos nas chamadas áreas sociais. Nada demais, também há gente hetero que faz coisas parecidas.

Há uma coisa nos gays que não consigo nem perceber nem concordar. São as paradas. Que raio lhes dá naquelas cabecinhas para se juntarem e fazerem uma festa só porque têm a mania que são diferentes? Estão a dar pontos à concorrência, a uma camada da população profundamente reaccionária, saudosista de outros tempos, tempos da outra senhora, onde quem sofria neste país eram as mulheres às mãos dos homens. Outras histórias, talvez um dia cá volte... Mas, por que raio de razão se hão-de fazer paradas gay com aquele espalhafato todo? A vida dos gays é só sexo? Não? Então mostrem aquilo que valem, deixem lá isso que não vos favorece em nada. Digo eu... Diferentes também são os diabéticos e não fazem paradas. Mas avancemos para o casamento.

Ah e coisa e tal tudo bem mas não lhe chamem casamento... Este é um dos argumentos dos supostamente não homófobos, que só demonstra toda a sua homofobia latente. Têm medo de quê? Que substituam o vosso amado cônjuge por um gay durante a noite? Então vamos chamar-lhes o quê? União matrimonial parcial? Talvez relação marital semi-coiso! Se é um casamento, chamemos-lhe casamento. O vosso também é e não deixará de ser, com a vantagem (para vocês) de ser heterossexual.
Outro argumento é que as relações gay são contra-natura. Estes nem são homófobos, são apenas burros, sem desprimor para a legítima opinião de cada um, não estou cá para ofender ninguém... Deve ser a primeira vez... Mas são contra a natura de quem? Da vossa? Óptimo, não são obrigados a apanhar no traseiro nem a lamber vulvas... mas esta última deviam ser. Não era para dizer? Num post destes??? A natura de cada um é coisa que, graças a , ninguém controla, não é apenas resultado da nossa excelsa educação cristã. Convençam-se que somos todos diferentes e, desde que com isso não andemos por aí a prejudicar os outros, ninguém tem rigorosamente nada a ver com isso.
Sinceramente, penso que 90% dos que não concordam com o casamento gay são aqueles que, no seu casamento, nunca conseguiram (elas) ou nunca conseguiram que elas (eles) chegassem a um raquítico orgasmo, assim uma coisita leve, que vos devia parecer uma avalanche "contra-natura"... Ah, pois, esqueci-me, a nossa moral apenas permite que haja sexo para procriação - desde que se seja mulher, claro. Os homens podem andar a espalhar genes por aí... A maior parte das vezes espalham é germes, mas tudo bem. São os tais que deviam ser obrigados a lamber vulvas. E daí, talvez não, não é coisa que mereçam.
Depois há aqueles que simplesmente não concebem os "homens sexuais". Para estes, gays são os paneleiros, os gajos que apanham nele! São tão abjectos que nem sabem que elas também podem ser. Ou então, daquela tão portuguesa maneira, pensam que as meninas são lésbicas apenas para darem uns linguados e umas lambidelas em frente aos machos, o que os põe perfeitamente loucos. EH!!! Acabem lá com o filme, que agora chegou o macho! Tira daí a língua!! Há sempre a noção, por parte dos homens, que eles, devido à sua pujante virilidade a habilidade nata para o acto, conseguem "curar" qualquer lésbica. A maior parte destes acabam por ser traídos por bissexuais "amigos" das esposas... Ui, que doeu!!! O quê, não me digam que não sabiam????

E eu? Qual a minha opinião sobre o casamento gay? Sou a favor ou contra? Quero lá saber disso para alguma coisa senhores!!!! Não sou gay, não tenho de concordar nem discordar! Caguei, pá! Eu tive direito a casar com quem muito bem entendi (bem, ela também entendeu, isto não é um casamento real!), espero que os outros façam o mesmo! Sinceramente, penso que não serei homófobo só por dizer que não sou nem intento ser num futuro próximo (entenda-se curso natural da vida) gay. Gosto, não de mulheres, mas de mulher, e essa é única. É a minha. Não tenho mais nenhuma. Quem tiver, problema seu também, e isso já é outro assunto e vocês não tinham nada de o puxar! Apesar de não ser nem querer ser gay, entendo que quem for tem o mesmo direito que eu tive, o de unir a minha vida à de outra pessoa aos olhos da sociedade e sair da sua clandestinidade.

E o Referendo?? Quando houve referendo para a regionalização, quem foi consultado? Os portugueses, porque seriam todos afectados. Para a instalação de um novo sino na igreja da aldeia de Alcolhões de Baixo, do concelho de Santo Ocarário, quem foi consultado? Os alcolhonenses de baixo, tomates para os púdicos (tomates de baixo até está bem pensado...), porque seriam os afectados pela decisão.

Um referendo para o casamento gay faz todo o sentido, e sou inteiramente a favor, desde que apenas os gays possam votar. Porque são os únicos afectados. Como impedir heterossexuais de inquinar a votação? Simples, publique-se em cada Assembleia de Voto, no dia seguinte, quem votou. Verão que só aparecem os gays mesmo!

Quem sou eu, ou qualquer um de vocês, para decidir acerca de um assunto que não nos diz minimamente respeito? Está tudo maluco ou quê? Qualquer dia chamam-me para decidir os preços do gasóleo ou o camandro!

domingo, 22 de novembro de 2009

BRONCOS

Foto Google

Há dias que correm assim. É necessário fazer compras, de quando em vez. Não falo de compras normais, aquelas de todas as semanas, de comida. Para mim são normais. Por vezes, há que comprar roupa e calçado. Tenho verificado que, para muita gente, são compras normais, de todos os dias. Para mim, não, são mais uma necessidade que se vai suprindo conforme se manifesta, e não por modas ou ter que ser para mostrar aos outros.

Da maior parte das vezes, não representa grande sacrifício, pois a minha menina é bem mais rápida que eu. Entra numa loja, vê, gosta, compra e vem-se embora. Nunca usei o famoso varão da Zara, aquele varão sempre ocupado por homens em frente à porta da Zara ou qualquer outra loja de roupa, esperando as mulheres saírem da mesma. Não faz muito sentido, esperar por esperar, esperavam lá dentro e até iam dando uma olhada àquilo que a esposa está a comprar e outra na secção de homem. Só que, como são as mulheres que lhes compram toda a roupa, estes sempre pensaram que é obrigação delas. Aliás, comprar roupas, para muitos homens deste país, é tabu, uma vez que é coisa "de mulher".

Hoje foi um desses dias, e lá acompanhei a minha menina a uma loja de vestuário e calçado, na minha sede de concelho natal. Andamos um pouco por ali, ela pergunta-me a opinião, digo que sim ou que não, pega na peça, larga a peça... enfim... o normal, mas tudo para o rápido, porque nenhum de nós gosta muito de andar por ali. Tinha-me já chamado a atenção um homem empurrando uma cadeira de rodas com um idoso, aparentemente imóvel. E chamar a atenção é mesmo simpático, para quem se baixou para ver o preço de uns sapatos e levou com a cadeira nos costados. Fiquei a adorar o duo dinâmico...

Passeando pela parte da loja que mais perto se encontrava da secção de lingerie, a minha menina e eu íamos vendo aquilo que poderia interessar ver na secção de senhora. Até que ouço a voz do deficiente (não o que estava na cadeira de rodas, antes o que a empurrava) dizer alto e bom som para um jovem, aparentemente da família, que se aventurava acompanhando uma jovem, talvez sua namorada, na dita secção de lingerie:
-Ò xxxx..., sai daí, isso é para as mulheres, nem podes estar aí!
E depois pensei cá para mim que os broncos não se notam só quando abrem a boca, mas quando abrem... Rá nos livre!!!

sábado, 21 de novembro de 2009

É BRINCADEIRA, NÃO É?

Foto Público

O Tratado de Lisboa vai entrar em vigor e, com ele, entrarão dois cargos novos na estrutura da União. O cargo de Presidente do Conselho Europeu, uma espécie de santo de igreja, decorativo e imóvel, e o de Chefe de Política Externa, uma espécie de Jorge Amado mas acordado. Escolheram-se as pessoas para os lugares. O presidente fica a ser um belga, von Rompuy, que tem um olhar penetrante e é conhecido por ter sido o primeiro ministro que pacificou a Bélgica, o que seria um cartão de visita excepcional, tivesse havido algo para pacificar na Bélgica, como uma guerra civil, ou pelo menos um caso de escutas ilegais ou até uma manifestação de professores.

O Chefe de Política Externa, neste caso, a chefe, trata-se de uma inglesa de meia idade que se poderia chamar perfeitamente Armanda ou coisa do género. Ninguém sabia da sua existência até hoje, mas agora é a figura europeia que medirá forças com os Obamas, Hus, Clintons e afins deste mundo. Chama-se Catherine Ashton e já ocupou vários cargos políticos em Inglaterra, embora nenhum com a envergadura duma presidência da Câmara Municipal do Corvo, por exemplo. Trata-se de uma senhora que subiu meteoricamente na cena nacional e internacional, sabe-se lá por cunha de quem, pois se há três anos ninguém a conhecia em Inglaterra, a subida foi tão meteórica que ainda hoje ninguém a conhece. Deve ter passado à velocidade de um asteróide... tem pouca experiência europeia, pois só está em Bruxelas há um ano, o que só indica que esta escolha foi extremamente criteriosa e a pensar na importância do cargo. Pelos vistos, é para decorar também.

Mais ainda, a senhora é da nobreza, pois trata-se de uma Baronesa, mais precisamente Baronesa de Upholland. Como sabemos, up é acima e holland é Holanda, e acima da Holanda há o Mar do Norte. Começa a fazer sentido o facto de ninguém a conhecer. Deve ser de algum arquipélago e, já se sabe, das regiões autónomas só se conhecem aqueles que verdadeiramente só dizem barbaridades. No entanto, não é pelo facto de ser obviamente uma "Boy" que coleccionou "Jobs", de ser desconhecida ou até da nobreza que esta senhora não terá o meu apoio e confiança, que não lhe farão falta alguma (era mais pelo apoio moral).

Não, o facto é que a senhora pode ir e vir à Lua com os pés de fora... Mas com aquela cara... PORRA!!!

Andamos nós a queixar-nos da Manela... Enfim, mas nem todos serão desta opinião, pois, pasme-se, a senhora é casada!! O amor é extraordinário, além de cego como um morcego. E o marido desta senhora não é nenhum pé rapado, não senhor! É um distinto milionário inglês, dono de uma prestigiada empresa de... sondagens... a You Gov, e chama-se Peter Kellner. Se fosse cá em Portugal, todas as más línguas diriam que a senhora está onde está porque o marido é dono da mais prestigiada empresa de sondagens da Inglaterra, mas isso seria cá, onde tudo é à cunha. Mas lá, na escorreita Inglaterra, que ocupa por aí um honroso 2º ou 3º lugar dos países menos corruptos, segundo a ONU, que encomendou este estudo à empresa de sondagens... YouGov... Porra... (atenção, isto não passa de especulação!)