terça-feira, 1 de novembro de 2011

S.CIRRUS II – O DESAPARECIMENTO


  1. E era que, naqueles dias, e por toda a Judeia, se comemorava a Páscoa; e José e Maria decidiram dirigir-se ao Templo, para adorar o Senhor e pagar umas promessas de umas velinhas em forma de pilinha do Menino, porque o Menino tinha sido operado à garganta;
  2. Ilustração de Marco Joel Santos
    E, sendo longa a jornada, os dois levaram o Menino, para que Ele se familiarizasse com as coisas de seu Pai; e assim se encontraram no Templo que havia sido reconstruido por Herodes, o Grande, o mesmo do “ou te calas ou te sexas”;
  3. E Viu o Menino que José comprou uma pomba branca e a deu em sacrifício ao sacerdote, que murmurando as palavras santas “Este borra-botas só tem massa para uma reles pomba! Pelo menos não dá trabalho a cortar a goela!”, a degolou e colocou a assar;
  4. Naqueles dias, a cidade do Senhor, Jerusalém, que por acaso foi fundada por um árabe, mas prontos, estava cheia de gente, e José e Maria apressaram-se a dar de frosques antes que acabasse a nota para o regresso;
  5. E eis que tão depressa deram de frosques dali pra fora que apenas deram pela falta do Menino quando estavam quase à porta de casa em Nazaré, a cidade que só quatro séculos depois havia de ser fundada; e a todos procuravam pelo Menino, e ninguém o tinha visto;
  6. E José arrancava a barba aos magotes, e rasgava os seus vestidos, e Maria também arrancava a barba de José aos magotes, mas não rasgava o vestido, até porque já lá estavam trinta e quatro mânfios à espreita do pelo púbico não público;
  7. E Maria desesperava e bradava: “Que raio de pai és tu? Não viste que o órgão sexual masculino do puto não vinha connosco?”, ao que José respondia: “Pai o órgão sexual masculino! Não me tivesses posto esta parelha de cornos com o anjinho do Gabriel e estas fezes não aconteciam!”;
  8. E ambos voltaram atrás, em busca do Menino, e o julgavam já perdido, no meio do reboliço da cidade, e o imaginavam já raptado por especuladores dos mercados ou até por um orfanato católico, ou ainda pior, pela Merkel ou pelo Sarkozy;
  9. E ia ruminando Maria pelo caminho, em preces aflitas ao senhor: “Senhor, protegei o meu Menino, pois este macho de cabra do José está-se marimbando para o puto!”, ao que José igualmente respondia com preces ao Senhor:
  10. Senhor, esta grandessíssima senhora de reputação ligeira não põe os olhinhos no puto e depois eu é que apanho na cornadura! E não esqueças que foi um dos teus que ma pôs assim!”;
  11. E rumaram ao templo, e perguntavam pelo caminho a quantos encontravam, e encontravam gente como o órgão sexual masculino, pois que era a Páscoa, e havia muita gente; e porque a todos perguntavam, demoraram um mês a chegar lá, os estúpidos do órgão sexual masculino!
  12. E quando chegaram ao Templo, encontraram-no já fora de serviço, pois a Páscoa já tinha terminado há um mês; e logo encontraram o Menino, pois que ele estava concentradíssimo a jogar sueca com os sacerdotes e Doutores da Lei;
  13. E os Doutores da Lei tinham muito tempo para jogar à sueca e beber uns cântaros e fumar uns verylights, pois eram Doutores da Lei e a Lei nunca estava doente, e que se estivesse, só para pagar as taxas moderadoras do Relvas a tantos volumes da Lei, seria por certo a Lei enviada para cuidados paliativos e deixava-se a justiça como em Portugal;
  14. E também os sacerdotes tinham muito tempo para jogar sobe e desce e beber uns jarros e fumar umas brocas, pois a Páscoa já havia passado e a única coisa a sacrificar agora eram os subsídios de férias e Natal;
  15. E Maria se abeirou do filho, lavada em lágrimas, e o banho de lágrimas é bonito de se dizer e tal, mas dói como o órgão sexual masculino nas feridas, pois que as lágrimas são salgadas como o Mar Morto;
  16. E assim se abeirando do filho, pregou-lhe um valente par de lagostas pela fronha abaixo e mais lhe disse: “Não queiras saber quando o teu pai souber disto!”, ao que Jesus respondeu: “Qual deles? O José, o Gabriel ou O que chegou ligeiramente atrasado?”;
  17. E José, ouvindo aquilo, nem se acercou da mesa de jogo, receando o escárnio dos Doutores da Lei; mas os Doutores da Lei estavam presos das palavras de Jesus, ou então era do chamon que era do Paquistão;
  18. E dizia Jesus a sua mãe: “Já te acalmaste? Senta-te aí ao lado da grade de mines e cala-te, pois que eu estou tratando das coisas de meu Pai!”, e Maria o questionou: “E é com estes drogaditos de fezes que tratas das coisas de teu Pai?”, e Jesus lhe respondeu: “São drogaditos mas têm cultura geral, pá!”;
  19. E lhes ensinava Jesus: “Meu Pai quer que este Seu povo eleito se erga acima deste mundo, pois que este mundo não é digno do Seu povo; mas há que limpar os actos do povo, e de seus dirigentes, há que fechar offshores e investir no sector primário!”;
  20. E para isso meu Pai enviou antes de mim a Assunção Cristas, que eu ainda não percebi se é minha irmã ou se só tem aquele nome por ter o nariz arrebitado e ter a mania que é boa! Mas para elevar o povo, há que eliminar a iniquidade e inventar o elevador! Ou a báscula, também serve!”;
  21. E dirigindo-se a sua mãe, Jesus rejubilava e perguntava: “Vês como estes homens bebem das minhas palavras?”, e Maria realmente se encontrava estupefacta e maravilhada, e respondeu: “És realmente filho de teu Pai, pois é milagre a forma que encontraste de pôr as tuas palavras dentro dos cântaros!”;
  22. Ora ainda não viste nada, mulher de fraca fé! Quando me vires a transformar água em vinho é que vai ser!”. E um dos Doutores da Lei exclamou: “Bendito sejas, pois que não só falas com a autoridade de teu Pai, ou então é do chamon, como ainda poupas no IVA!”;
  23. Porque naqueles dias governavam aquelas paragens dois homens, e um era Pôncio Cavacos, em nome da César Angela, que andava à altura às voltas com o Astérix e Viriato, e não tinha tempo para aquele pedaço de terra onde Judas havia de perder as botas e o pescoço,
  24. E Herodes Antipassos Coelho, que havia recentemente aumentado o IVA na água, no azeite, que era a electricidade da altura e já era um pau do órgão sexual masculino, e nas fraldas de pano, e menos no golfe, que atraía turistas, ainda que por ali fossem pelados todos os greens, que assim se chamavam browns;
  25. E Maria pegou no Menino e o arrastou dali para fora, e José pregou-lhe com duas chapadas na tromba sem dizer palavra, porque era mais homem de acção, menos naquela noite do Gabriel, e lá tiveram de subornar uma assistente social que já queria levar o puto para um orfanato católico, e mais José exclamou: “Isso ninguém merece, sexe-se!”.

11 comentários:

  1. Cá pra mim este Jesus é o do Benfica!!! :P

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  2. Malena, até podia ser. Esse pelo menos sabemos que existe e até já fez milagres. Ao passo que o outro, ninguém sabe, não é? Como vês, tudo tem vantagens. Ou não. Ou então é do chamon.

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  3. Essas são as verdadeiras escrituras; a bíblia lá se enriqueceria com algumas adendas de S. Cirrus.

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  4. Catsone, ouvi dizer que o gajo não é lá muito católico...

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  5. Caro amigo e camarada, está aqui uma posta do órgão sexual masculino.
    Soberbo!
    Evangelhus secundus S. Cirrus!
    Amén!!
    Abraço.

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  6. Camarada Arame, muito obrigado!

    Abraço no dia D!

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  7. E chegamos à Pascoa... andas mesmo adiantado no tempo... ou será do chamon?!...

    Hilariante... como sempre :D

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  8. E a ilustração também está hilariante... muito bem conseguida. O teu amigo tem jeito para os bonecos :)

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  9. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog A Poética de Cibele Camargo. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  10. Pronúncia, Pronúncia, tu não venhas lá com essas coisas dos tempos. A história é intemporal, e esta história de JC e Amigos, apesar de mal documentada, não se padece com esse tipo de questões... Obrigado! E o Joel agradece, com certeza. Um dia destes alargamos a equipa...

    ;)

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  11. Nayara,

    Obrigado pela visita. O blog da Cibele é de facto um dos que sigo.

    Vou ler com toda a certeza. Depois decidirei o que fazer. Obviamente que terá a minha atenção.

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