sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

BENTO XVI EM PORTUGAL!

Pois, já devem ter recebido esta notícia há muito tempo. O Papa vai visitar Portugal. Vai ao Santuário de Fátima, a Lisboa, ao Porto e à Praia das Rocas, em Castanheira de Pera. Mas porque não vai a outros sítios? Porque não visita as verdadeiras maravilhas deste solarengo (não ultimamente) país?

Será que depois de beatificar Pio XII, o Papa do Holocausto, Bento XVI terá seja o que for a perder em se mostrar às populações? Será que ainda tem pingo de vergonha? Porque será que não vai a Trás-os-Montes, por exemplo?

A resposta é simples: JÁ HÁ MUITO TEMPO QUE BENTO XVI TEM CASA NO DOURO!!!

O Papa efectivamente reside em férias no Douro, particularmente na época das vindimas, em que gosta de apanhar umas uvas. Mas com uma particularidade: não consegue largar as saias, logo, disfarça-se de Sra. Maria e vai para a vindima!!!

Não acreditam?

Ai não?

De certeza?

Querem provas??

Era de esperar que sim...

Mas que provas??

Um atestado de residência???

Não?!...

Uma foto????????

Não queriam mais nada, não???

Uma foto, não haja dúvida!!...

ESTÁ BEM!!!!Imagem recebida por mail, PM

JÁ ACREDITAM, PORRA?????????? Podem clicar para aumentar e verificar a autenticidade do facto!!! Já agora, alguém me sabe dizer se aquelas coisas que ele traz calçadas são Prada?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MILAGRES DE FÁTIMA DE REGRESSO

Imagem Google

Os milagres atribuídos a N.S.Fátima poderão ter regressado ao ritmo normal, assegura Ambrósio Tanso, presidente da Associação de Utentes dos Milagres de Fátima.

Segundo o reputado dirigente associativo Ambrósio Tanso, depois de uma pausa de alguns dias, os milagres de Fátima parecem ter voltado ao seu ritmo normal. Em declarações recolhidas junto Santuário de Fátima, Ambrósio Tanso afirma que "Recebemos imensas queixas dos nossos associados, e até de alguns utentes que não estão filiados, nos últimos dias, reportando que os milagres não sucediam com a frequência desejada por todos".

Ambrósio Tanso, ele próprio utente dos milagres de Fátima, dos quais destaca "Aqui há uns anos, ia na estrada de Tomar e adormeci ao volante. O carro foi-se desviando para a direita e teríamos caído todos (ia com a minha afilhada e uma amiga da escola dela) pela ribanceira abaixo se não fosse um carro da Brigada em que nos enfeixamos. Foi um milagre! Assim, foi o carro da Brigada que tombou lá abaixo! Mas ninguém se aleijou, só morreram os dois polícias... Lembro-me como se fosse hoje, só tive tempo de pôr as calças para cima e cuspir a mini pela janela..." e ainda "O meu sobrinho tinha um problema de saúde, e não havia solução. Durante quase uma semana, ninguém pode fazer nada por ele. Mas depois eu rezei à Senhora de Fátima e ele livrou-se do sarampo! Verdade verdadinha!!"

Entretanto e ainda sobre a misteriosa pausa nos milagres de Fátima, Ambrósio Tanso destaca que "pode ter sido consequência de trabalhos mais urgentes por parte da Senhora, como salvar o Papa daquela queda em S.Pedro ou o Berlusconi de levar com mais uma estatueta em cima, agora que saiu do Hospital em liberdade. São milagres que devem ter exigido muito à Senhora, particularmente a parte da liberdade." Entretanto, soubemos nós no Cirrus Minor que a razão pela qual a senhora parece ter estado inactiva neste seu ramo de negócio se prende com motivos bem mais prosaicos, pois foi vista a esfregar as paredes da Igreja da Santíssima Trindade, recentemente vandalizadas com pinturas grafitti. Terá mesmo dito a quem não se quis identificar que "os milagres agora serão dados de mãos abertas. É que isto de esfregar deu-me cabo das palmas das mãos e não as consigo juntar!"

Entretanto, o Papa pronunciou-se acerca desta pausa, com um comentário curto mas elucidativo: "Puarra, qu'até tibe d'andar a pedir ao Procuraduar p'abrir um processo "apito encarnado" durante estes dias, canudo! É que sem milagres, como é que um gajo sobrebibe, carago?"

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

METER ÁGUA É MAU!

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É sempre mau meter água. Mesmo numa barragem, pelos vistos. A notícia é que o Alqueva está a escassos 20 cms da cota máxima. Ou seja, está cheia como um odre. Cabem lá muitas palhas ainda, mas a caminho do máximo. Ora, lembro-me eu do "Construam-me, porra!", escrito num cartaz no sítio onde viria a surgir a maior barragem do país e uma das maiores da Europa. A escassez de água no Alentejo era uma das principais razões para o declínio da agricultura portuguesa. Mas entretanto, surge a barragem. Construída exactamente sobre uma falha geológica, o que é naturalmente extraordinário para uma obra que tanto custou ao país concretizar. Talvez a requalificação de Ayamonte e Vila Real de Santo António seja um objectivo para mais tarde.

Ora, agora a barragem está cheia de água. Poderia estar cheia de vinho do Porto ou Licor Beirão, mas nada disso, é mesmo água. A água é uma coisa curiosa. Apaga a sede, não percebendo eu esta expressão, uma vez que não me parece que a sede dê luz. A água serve para nadar, para os peixes fazerem sexo lá dentro (bem, na verdade, eles fazem tudo lá dentro...), para praticar os chamados desportos náuticos, como a motonáutica, que é quando o pessoal se atira de motorizada lá para dentro. Coisa estranha que a água dá para fazer: regar. Os agricultores da região, no entanto, desconhecem o uso da água. É possível? Será? É. Parece que os agricultores alentejanos não sabem o que fazer com tanta água, uma vez que o Governo se esqueceu de lhes dar indicações de como podem usufruir da mesma.

Ora, sabendo nós que o Sócrates é engenheiro (ou pouco mais ou menos), até deve saber que a água serve para regar. Mas isto de o Sócrates ser especialista em agricultura... Pronto, está bem, também existe o Ministro da Agricultura (esta informação carece de confirmação), que deve ser um pouco mais especialista que o Sócrates. Eu penso que urge o tempo e que devemos já começar com um programa de formação, assim ao jeito de Novas Oportunidades, com portáteis à mistura e tudo (tipo o pastor do telemóvel), para ensinar os agricultores da região do Alqueva a regar as suas plantações. Eu compreendo que para quem viveu tanto tempo de subsídios sem plantar ponta de hortaliça, a coisa possa estar meio esquecida. E não venham lá com a conversa do andar de bicicleta, porque isso é desporto, não é trabalho.

Ora, pelo que se vai sabendo, os espanhóis que vão comprando por tuta e meia (está bem, três quartos...) o Alentejo, já passaram por acções de formação em rega de plantas e sabem mais ou menos, não é lá essa coisa, mandar água para cima das hortas e olivais. Os espanhóis pensam em tudo, e até pensaram no esquecimento de como se faz agricultura por parte dos agricultores nacionais, que se queixam que ninguém lhes disse como fazer para aproveitar a água. Pois, estou nesta luta, é justa. Tem de haver sempre alguma coisa que nós não saibamos fazer. Ora, se dantes não sabiam o que fazer com a falta de água, agora é importante que se saiba que não sabem o que fazer com ela.

Ora, o que vai acontecer é simples. Dado que poucos agricultores se mostrarão aptos, após as formações em rega de plantas, vêm de lá uns engenheiros quaisquer ocupar o espaço agrícola, seco ao lado do maior lago artificial da Europa, para fazer uns campos de golfe e uns hotéis, para tornar o Alentejo uma espécie de Inatel da Europa! Nos terrenos que deviam estar a produzir alimentos, vão estar relvados! Claro, é bom que se apressem a ensinar as pessoas a regar as plantações, senão, estamos mesmo sujeitos a que os holandeses venham fazer plantações de tulipas. Que, como todos sabemos, são uma espécie de cacto e não precisam de água... Eu até me pergunto se as pessoas ainda sabem beber água. É que, às vezes, parecem que não, parece que só sabem beber outros líquidos...

domingo, 10 de janeiro de 2010

A ABOMINAÇÃO

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Iris Robinson é uma senhora de 60 anos, norte-irlandesa, política e activista em defesa dos valores familiares nesta sociedade caótica em que sobrevivemos. É esposa do actual Primeiro Ministro da Irlanda do Norte, uma das regiões autónomas do Reino Unido.

Como podem no cartaz ali em cima, Iris defende publicamente algumas opiniões controversas. Para quem não sabe ler em inglês, a tradução é mais ou menos esta: "Não pode haver acto mais vil, exceptuando a homossexualidade e a sodomia, que abusar sexualmente de uma criança". Espantoso como uma mente tortuosa consegue considerar piores os actos conscientes e mutuamente autorizados entre dois adultos que a pedofilia e o abuso sexual de crianças. Já podem ver em que quadrante esta senhora se inclui, provavelmente no dos fanáticos religiosos.

Mas se estas opiniões já seriam suficientes para serem notícia, inclusivamente pelo facto de serem apoiadas pelo seu marido, Peter Robinson, o facto é que não são a única particularidade da senhora. Iris Robinson desapareceu da cena política há cerca de um ano, sendo que nessa altura foi alegado um problema psicológico, algo como um esgotamento nervoso. Sabe-se agora que, afinal, o desaparecimento de Iris se ficou a dever a uma tentativa de suicídio. Não sendo atitude que aprove, o suicídio pode ser explicado por muitos factores geradores de frustração. Iris poderia estar frustrada com a sua vida política ou social, estar afogada em álcool ou qualquer coisa do género.

Mas não era o caso. O caso é que Iris mantinha uma relação amorosa com um jovem de 19 anos, um tal de Kirk McCambley. Esta senhora, afinal, tinha tantos valores familiares em si que quis alargar a família com mais um neto, se bem que a relação que com este mantinha era sexual, coisa que espero não faça com os outros netos. O facto de Iris Robinson ter um amante 40 anos mais novo que ela não surpreende por aí além, pois não sendo uma coisa corrente na sociedade, não é um facto inédito nem sequer reprovável per si. Reprovável é esta senhora se declarar a maior defensora dos valores familiares tradicionais que existe neste mundo e arredores, invectivando relações homossexuais como uma "abominação" ainda pior que a pedofilia, e depois vir-se a descobrir que afinal é tudo "da boca para fora".

Ainda mais reprovável é o desvio de somas consideráveis do Orçamento da Irlanda do Norte para ajudar este jovem a iniciar um negócio próprio, fazendo dele um prostituto. Ainda que não fosse o caso, pois pelos vistos o jovem vive assolapado pela presença de Iris, o facto é que aceitou ajuda ilícita na sua vida privada, através de dinheiro tirado do Orçamento pago por todos os norte irlandeses, beneficiando pecuniariamente da sua relação "pecaminosa" com a mulher do Primeiro Ministro. É verdade, qual a posição deste, em relação a isto tudo? Bem, como bom cristão e, aparentemente, corno manso também, perdoou a indiscrição à sua mulher. O que revela bom carácter, atenção. Um senhor com dignidade e valores. Poderia era explicar como, defendendo os valores da família tradicional, consegue fazer isso.

Já agora, seria curioso saber se o jovem Kirk e a fogosa Iris alguma vez mantiveram relações anais. Seria mais uma cereja no topo de um bolo que representa a inocuidade dos falsos moralistas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

BRAVO, AMBRÓSIO!

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O número de acidentes e feridos nas estradas portuguesas na operação montada pelas autoridades pelo Ano Novo aumentou em relação ao ano passado, em operação análoga. Não sendo um facto pouco usual, não deixa de ser interessante como alguns se desmancham em desculpas sobre o facto. Entre eles, a ACA-M e o ACP, a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados e o Automóvel Clube de Portugal. A ACA-M tem uma sigla interessante também. Parece um daqueles partidos africanos. Quando nos explicam o que quer dizer, só conseguimos pensar em deficientes, não sei bem porquê. Já o ACP é uma instituição de renome nacional, é até o maior clube português ( ou era, não sei se o Benfica já não passou à frente...).

Seja como for, os responsáveis destas respeitáveis instituições atribuem à extinção da falecida Brigada de Trânsito este aumento de sinistralidade. Dizem que os profissionais que a compunham andam igualmente nas estradas, mas que lhes falta a motivação. Porra, já não faltavam os médicos, enfermeiros, juízes e professores, agora também os polícias andam desmotivados! O da ACA-M até afirma que as condições climatéricas constituem uma bênção, pois está provado que as más condições climatéricas fazem diminuir os números de acidentes de viação! Ora, se pela primeira afirmação, pensaria que o Sr. Manuel Ramos seria apenas um lírico, por esta percebo inteiramente: se os inscritos na dita associação (todos os três) saírem à rua no estado dele, com certeza o número de acidentes aumenta! Em flecha!! Nem haverá balão que aguente, rebenta antes do último bafo...

Ora, o que realmente interessa é que estes doutos das estradas portuguesas dizem que a extinção da BT levou a esta situação. Só que a BT já foi extinta há uns tempos, pelo que penso que os números mais baixos de sinistralidade no Natal se devem ter devido à reactivação da Polícia Florestal ou da PIDE... Por outro lado, quando vemos o comportamento dos condutores portugueses (e contra mim falo), é no mínimo tapar o sol com a peneira suspirar pela extinta BT, que tanto controlo fazia nas estradas e que agora já não faz. Mentira, os efectivos continuam na estrada e não ganham menos que antes.
Se há uma coisa em que transgrido, e é a única, é na velocidade. De vez em quando, carrego um pouco mais no acelerador e deixo embalar o carro para uns alucinantes 140. Nada que impeça ser o único ligeiro que não ultrapassa ninguém na autoestrada. Apanhei uma vez uma multa por excesso de velocidade, paguei 20 contos (ainda era em contos, sim...). Ia com 34 kms de excesso... numa autoestrada. Naquele troço, vá-se lá saber, o limite era 100... Agradeci a atenção e desejei bom trabalho ao agente. Aqui há dias, li por aí não sei bem onde que alguém se distraiu e foi multado por ir a 93 no interior de uma localidade. Muito distraída, esta gente... Mas que era caça à multa e mais não sei o quê...
Ora, que me lembre, em Espanha a Guardia Civil aparece de cada sítio que até nos faz espécie. Na França, multam com mão pesada e... à paisana!! E ninguém diz que é caça à multa! O problema do condutor português é que não é vergonha transgredir, vergonha é ser apanhado! Mas lembrem-se de um pequeno pormenor: Por muita caça à multa que a Polícia arme, só é apanhado quem transgride! Não vale a pena nos armarmos em santos ou street racers ou atrasados para reuniões importantes.
Se há coisa em que nunca transgrido é no álcool e muito menos nas manobras perigosas. Apanhei uma multa em xx anos de carta, nunca tive um acidente de minha responsabilidade e graças a Rá estou vivo. Querem matar-se? Problema vosso, podem sempre ir para uma pista de corridas. Não andem é distraídos a 93 no meio de uma localidade... Podem levar outros convosco.

Retomando, se estiverem atrasados, beberem ou simplesmente são parvos a conduzir (é fácil identificar, são aqueles que dizem que os outros não sabem conduzir e são apanhados porque são burros ou então há caça à multa...), entreguem o vosso volante à BT. Um agente da BT é bom condutor. Lembrem-se que era a BT que conduzia antes da subida do Ano Novo!! Não eram os condutores, esses, coitados, nada têm a ver com o assunto e não têm culpa nenhuma, mas mesmo assim, por via das dúvidas, entreguem o volante à BT. No final, sempre podem dizer como a senhora do jet set ao seu mordomo preferido: Bravo Ambrósio!!

sábado, 2 de janeiro de 2010

MENSAGEM DOS CONFINS DO TEMPO

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A nossa percepção da História é, por vezes, limitada pela nossa arrogância. Não é nada demais, uma vez que a nossa experiência está intrinsecamente ligada ao nosso tempo de vida. Logo, tendemos a pensar que o passado é uma história mal contada que pode ou não corresponder à verdade. Rezam as nossas crónicas actuais que a História terá começado a ser documentada aquando do aparecimento das primeiras cidades, resultantes das primeiras comunidades sedentárias. Destas cidades, de referir Çatal Hoyuk, na actual Turquia, Jericó, na Palestina e as impressionantes cidades indianas junto a Harappa. Estas cidades datam de períodos que oscilam entre 7000 e 5000 a.C. É assim comummente aceite que a história humana tem o seu início nestas datas, sendo que as primeiras grandes civilizações de grande porte terão aparecido apenas cerca de 2000 a 3000 anos depois, no chamado Crescente Fértil, com a civilização Suméria e o Antigo Egipto, que apareceram, historicamente, por volta de 4500 a.C.

Estas datas são segundos na história do planeta. Nenhuma desta civilizações e outras posteriores referem a história antiga do planeta. Os Egípcios tinham, no Livro dos Mortos, uma disposição cronológica de Reis que ia até datas longínquas, perto do ano 140000 a.C. Nesta lista de Reis apareciam figuras mitológicas como Horaktli (Rá) ou Osíris, figuras adoptadas como deuses nos tempos faraónicos. Assim sendo, os historiadores apenas fazem referência a estas cronologias, sem lhes dar grande crédito. No entanto, há muitas outras civilizações antigas que fazem referências interessantes a uma possível história desconhecida da humanidade. A mais conhecida é a dos Maias, cuja obsessão pelo Tempo ainda hoje espanta os historiadores.

Os Maias dispunham de três calendários extremamente precisos, dois civis e um religioso. O calendário de Contagem Longa tinha 360 dias. O outro calendário civil, o Haab, era muito parecido com o nosso actual calendário, com 365 dias e um quarto de dia, acompanhando o ciclo solar. O calendário religioso, o Tzolkin, era um ciclo completo de 260 dias. Os Maias, que herdaram estes conceitos de civilizações muito mais antigas, como os Toltelcas e Olmecas, passaram-no a civilizações posteriores, como os Aztecas. No entanto, acredita-se que aperfeiçoaram de tal modo os três calendários que a conjugação de datas dos três nos dá datas muito mais precisas que as que os nossos actuais relógios atómicos nos dão. Como nenhum destes três ciclos tinha nomes para os meses ou dias, os Maias simplesmente acabavam os períodos e começavam novos anos, sem ligar muito às datas em si. Quando necessitavam de registar as datas, usavam uma combinação entre dois ou mesmo dos três calendários. Como os ciclos são muito diferentes entre si, e uma mesma data só possa ser coincidente nos três calendários após dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos, o registo era inequívoco e não dependente de uma data primordial, como acontece com o nosso calendário, dependente de uma data não confirmada para o nascimento de Cristo. Ou seja, os Maias encaravam o Tempo como uma sequência sem princípio nem fim, em vez de adoptarem uma data a partir da qual fazem contas. Só este conceito chega para nos pôr a cabeça às voltas, pois os cálculos envolvidos são de tal complexidade que não conseguimos sequer vislumbrar a sua verdadeira essência primordial.

Além desta complexidade com resultados incrivelmente precisos, o calendário de Contagem Longa tinha ainda outra particularidade. Era um calendário de acumulação de ciclos, ou seja, e daí o seu nome, era o calendário histórico, onde eram registados os acontecimentos históricos. Nada demais, certo? Mas aí vai a descrição do ciclo: 20 dias (kin)=1 uinal; 18 uinal=1 tun (360 dias); 20 tun= 1 katun; 20 katun = 1 baktun (394 anos); 20 baktun= 1 piktun (7885 anos). Por esta altura, esta contagem serviria para nos documentar a história conhecida da raça humana, certo? Pois, mas a coisa continua! 20 piktun= 1 calabtun; 20 calabtun= 1 kilchintun; 20 kilchintun= 1 alautun. Um alautun corresponde, grosso modo, a 63 milhões de anos. Ou seja, a data em que os dinossauros desapareceram da face da Terra! Um povo arcaico, sem conhecimento da roda ou da utilização de metal, apenas armado de uma notável percepção temporal e matemática, calcula o seu tempo até à data pré-histórica do desaparecimento dos gigantes da Terra! Os Maias acreditam que, a cada piktun passado, 7885 anos, o Universo conhecido é destruído e de novo recriado. A data de Dezembro de 2012, que muitos adoptaram como o final deste piktun, é altamente controversa. Pela conjugação dos dois calendários civis, seria uma data possível. Incluindo o calendário religioso, a data mais provável para o final do próximo piktun é, no entanto, 12 de Outubro de 4772.

Se podemos sonhar com o futuro, é bem verdade que poderemos também sonhar com o passado. Uma questão permanece como primordial. Porque razão os Egípcios tinham uma contagem de tempo até 150000 anos atrás? E porque razão os Maias (e antes deles os Precursores da Mesoamérica, os Olmelcas) ainda foram mais longe, calculando o seu tempo até ao último grande cataclismo global "conhecido"? Será que a nossa História é bem mais longa que o que nos ensinam ainda hoje nas escolas? Há indícios que talvez seja possível. Fica para um próximo post.