quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

É PRECISO É MANDAR NA MALTA!

O endividamento. Esse inimigo de todos. Ninguém avisou que endividar-se significa pagar aquilo que se pede. Com uma pequena retribuição chamada juro. A verdade atinge muitas pessoas como um raio.
Pungente a história a que assisti hoje. Uma reportagem extraordinária. Um dado senhor, já de meia idade, no desemprego. Flagelo que atinge todas as idades neste país, mas naquela idade, naquele hiato em que ainda se é novo para a reforma e já velho para arranjar novo emprego, é particularmente grave. Este senhor recorreu a todo o tipo de ajuda para lidar com os créditos que foi acumulando ao longo dos anos. Com o emprego a esfumar-se, esfumaram-se as hipóteses de lhes fazer frente. 
Este senhor, anónimo, afirma que sempre teve um bom carro, uma boa casa, os filhos no colégio... Alto! Mas de que estamos a falar, afinal? A empresa onde trabalhava foi à falência, era do ramo têxtil, e ele ficou sem o emprego, que era de Administrador... Recebia 5000 euros mensais líquidos, mas agora todos os créditos que tinha voltaram-se contra ele e não consegue fazer face às despesas.
E se o canal de televisão que fez a reportagem fosse brincar com o car#$%& é que fazia bem. Esta besta que desbaratava 5000 euros por mês e tinha os empregados a ganhar 400, agora está com dificuldades em pagar os créditos? Mas quais créditos? Os do BMW xpto da mulher e o do Mercedes otpx dele? Da mansão? Das propinas milionárias dos filhos nos colégios católicos que o Cavaco tão bem protegeu? Não soube guardar um tostão que fosse? Está na miséria? 
Então imagine, sua besta quadrada, aqueles que por sua incompetência foram para a rua e que agora quase não conseguem dar de comer aos filhos! Não tem dinheiro? A ganhar 70000 euros por ano e não conseguiu guardar nenhum? É esta gente que "administra" empresas em Portugal? Bem, se administrava a empresa da forma que administrou a sua vida, garanto-lhe, nem com todos os subsídios da UE que pode ter gamado a pobre empresa resistiria... Sinto realmente pena, mas dos trabalhadores que tiveram de trabalhar sob a sua "administração"...

15 comentários:

  1. Meu querido amigo: de volta!(eu)
    Artigo de uma actualidade tremenda!
    Corrosivo qb..`´E essa a triste verdade...uns comeram o que era dos outros e ,agora, pagamos todos para os alarves da sociedade!
    Mas merecemos...Veja se alguém se recusa a pôr a canga!...Contra mim falo!
    Continuam a roubar-me, despudoradamente, na pensão e eu...tal como os outros, como e calo!
    CALO...NÃO! Enquanto a voz não me doer, estarei na linha da frente a chamar a estes tipos ...LADRÕES!
    BEIJINHO
    Mª ELISA

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  2. Maria, seja bem vinda, espero que esteja melhor das enfermidades que tem experimentado.

    Pois claro, é assim, em pequenos BPN's espalhados por esse país fora, que se esgota a dignidade de quem trabalha. Há sempre um chulo qualquer no topo da cadeia económica. Se caírem do topo, não esperem a minha simpatia nem venham para as televisões lamuriar-se. Antes tenham vergonha na cara.

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  3. Vi a reportagem no telejornal.
    Não tiro conclusões quanto ao facto de o entrevistado ser ou não dono da empresa e se esta foi encerrou ou não as portas. O que vi nada dizia sobre isso... apesar de ser o cenário mais provável.

    Da reportagem retive uma frase do homem a dizer que os bancos tinham culpa da situação dele uma vez que não avaliaram os riscos e pensei:
    "Ora porra, se ele que era administrador não os avaliou o banco é que tinha que os avaliar?! No mínimo está a passar a ele próprio um enorme atestado de incompetência... mas afinal é isso que a maior parte dos pseudo-administradores são... nada de novo, portanto".

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  4. e o pior é que se ele pedir e conseguir o perdão das dívidas quem as vai pagar são os mesmos de sempre... os que não comeram mas pagam a factura.

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  5. Pronúncia, da maneira que ele falou, a empresa tornou-se insolvente, embora não o tenha dito explicitamente - também nunca o diria, não é verdade? - mas não era dele. Era gestor contratado com um ordenado fixo de 5000 euros líquidos. Isso penso eu que ele disse.

    Quanto ao resto, nada de anormal, não é verdade?

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  6. Cirrus,

    Considero muito pertinente que tenhas apontado como elemento essencial aquele que realmente interessa; aquele que espelha a tónica dos resultados pela aposta, desde há 35 anos, de um modelo contrário à única linha política que deve e não o tem sido, para além dos oito golpes revisionistas que já sofreu, respeitada, a constituição da república.

    Já escrevia Garret, a modo de pergunta, e noutra estructura sintáctica: Saberão vocês quantos pobres são precisos para que exista um rico?

    Cumprimentos.

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  7. CRN, conta-se que durante os tempos do PREC, Olof Palme, na altura PM sueco, terá consultado Otelo para perceber o seu objectivo económico para Portugal, ao que Otelo terá respondido que era "acabar com os ricos". E Palme respondeu que o seu era "acabar com os pobres". Episódio conhecido. O que pouca gente conhece é que, uns anos mais tarde, em conversa com Mário Soares, Palme terá afirmado "o seu compatriota Otelo é que tinha razão - não é que, para acabar com os pobres no meu país, tive primeiro que acabar com os ricos?".
    Isto diz tudo. Não precisamos de ser todos iguais, não precisamos de ganhar todos o mesmo. Apenas precisamos de mais algum equilíbrio. Na Suécia não há, praticamente, fortunas pessoais. É um dos países mais evoluídos, humanamente, do mundo.

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  8. Cirrus,

    Mas assim mesmo, qual seria o problema de que todos ganhássemos o mesmo (ainda que não seja o que eu, ou mesmo o meu partido, defendemos) se todos tivéssemos as oportunidades de formação, laboral, sanitária, tributária, legal, etc?
    Em ordem contrária à exposição do teu último comentário, opino também, que, como é lógico, não todos somos iguais, diria até que não existe um Homem igual a outro, à excepção dos gémeos homozigóticos. Nesse sentido, já Marx propugnava no "Capital": "De cada um as suas possibilidades, a cada qual as suas necessidades".

    Cumprimentos

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  9. CRN, precisamente por que somos diferentes. Não creio numa sociedade em que partimos do princípio que somos todos iguais. Não porque fosse mau, apenas porque é impraticável. Há sempre um fdp qualquer que vai furar o sistema. Já não quero entrar no perfeito, que é inatingível. Só queria algo melhor, só queria algo mais digno. Só queria que alguém tivesse a coragem de dizer a verdade aos portugueses, a verdade que escondem de toda a gente: o povo português é dos que mais trabalha na Europa, e um dos que mais produz. Assim o deixem produzir, assim o dignifiquem. Estar numa Europa que todos os dias nos mente é triste.

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  10. "Assim o deixem produzir, assim o dignifiquem". Acrescento: "!"

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  11. Só poderia ter pena desse senhor pelo facto de revelar uma enorme pobreza de espírito! Fácil é viver na abudância à custa da precariedade e da pobreza dos demais. Difícil é saber viver com justeza e dignidade!

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  12. Malena, não saberia (nem soube) dizer melhor!! Bem visto!

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  13. Tudo isto só me faz lembrar a Síndrome de Estocolmo: muitos estão reféns destes gajos que só pensam em matar a galinha em vez de aproveitar os ovos, e ainda gostam e querem dose dupla!!!
    Caneco!
    Parecem as prostitutas que levam no todos os dias no toutiço, mas trucidam quem insultar o seu querido chulo! :S

    Concordo com o Palme, na medida em que é possível acabar com as grandes fendas, mas que só tenha um pouco mais quem merece, trabalha em prol do seu concidadão e partilha, e não quem rouba!

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  14. Sónia, seria tudo o que eu peço. Algum equilíbrio, alguma justiça. Que os bons empresários tivessem o seu prémio pelos riscos que correm, também. Mas não que esse prémio seja dado a quem não merece e à custa de quem trabalha apenas.

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  15. Precisamente!
    Assino por baixo!

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