terça-feira, 28 de julho de 2009

ÊXODO - CONTEXTO HISTÓRICO

Imagem do Google

Antes de começar a contar a saga do Êxodo, sem dúvida uma das mais valorosas páginas da história humana, quero contextualizar os acontecimentos. É certo, como digo, que esta é uma das páginas mais gloriosas da história do povo judeu, mas também uma das mais romanceadas na Bíblia. Uma pequena contextualização não faz mal a ninguém.

Estamos algures entre os anos 1350 e 1200 a.C.. O povo hebraico encontra-se exilado no Egipto. A primeira questão é: porquê? Pois bem, conta a narrativa bíblica que, desde os tempos de José, vendido pelos irmãos a mercadores e que parou vendido no Egipto, onde, graças aos seus poderes premonitórios, acabou por cair nas boas graças do Faraó de então (desconhecido), que o povo hebraico se estabeleceu no país, onde foi sujeito a escravatura.
Ora, hoje sabemos que o Egipto Faraónico nunca usou a escravatura no seu ou outros territórios. Então, porque estavam os hebreus, contra a sua vontade, no Egipto?

Há várias teorias. Uma das mais conhecidas é também a mais simples, o que não quer dizer, obviamente, que seja a mais certa. O Egipto, além do seu território das Duas Terras (Alto e Baixo Egipto), era um Império que mantinha presença forte nas suas colónias. Estas incluíam a Líbia, a Oeste, a Núbia, a Sul, e vários territórios a Leste e a Nordeste, onde se incluíam a Síria e a actual Palestina (disputadas pelo grande rival, o Império Hitita), parte da Jordânia e Arábia Saudita. Historicamente, as tribos hebraica e ismaelita (árabes) são originárias da Mesopotâmia, da cidade de Ur, uma das grandes cidades-estado sumérias, de onde provinha Abraão, de onde divergiram, através da descendência com Sara, os hebreus, e da sua relação com Agar, uma sua concubina, a tribo dos ismaelitas (árabes). Enquanto os ismaelitas se dirigiram para a Palestina, onde se fixaram, os hebreus optaram pelo estilo de vida nómada, muito provavelmente nos territórios hoje ocupados pela Jordânia e Sinai. Assim sendo, nada mais natural que os nómadas, sob domínio egípcio, se dirigissem ou fossem forçados a dirigirem-se para a capital Mênfis.

Por outro lado, há uma teoria que envolve mais riscos, mas igualmente com sentido. O Egipto foi governado por uma dinastia que conquistou quase todo o território aos egípcios (excepto a área de Tebas, a Sul), chamada de Hicsos, que literalmente queria dizer "os Reis Pastores". Estes povos hicsos são um dos mistérios da história. Ninguém sabia de onde vinham. Ultimamente, foi descoberto, ou pelo menos demonstrado, que os hicsos eram um povo semita (ao contrário dos Egípcios, de origem ariana). Não uma única tribo, mas provavelmente uma federação de tribos, entre as quais, quase sem dúvida, os hebreus e os árabes, que se aliaram contra o invasor e acabaram por conquistar Mênfis. Fundaram inclusivamente a sua própria capital, Avaris, no delta do Nilo. Governaram como Faraós e não com os seus rudes hábitos anteriores. Nesta teoria, os hebreus aparecem-nos como conquistadores do Egipto e não como prisioneiros.
Obviamente, e sob o comando de Ramsés I, os egípcios reconquistam Mênfis e arrasam Avaris, por volta do ano 1350 a.C.. A parte árabe dos Hicsos acaba por fugir de novo para a Palestina, onde tinha os seus povoados originais. Os hebreus, esses, e pela sua anterior natureza nómada, ficaram no Egipto, mudando a sua condição social de nobreza para povo e vistos como recurso de mão de obra para a reconstrução do país, que entretanto mudou a sua capital para Tebas (actual Luxor).

Se aceitarmos esta última teoria, é pouco provável que Ramsés I tenha legitimado o seu poder apenas pela força do exército. Terá casado, obviamente, com uma nobre da anterior dinastia, ou seja, com uma hebreia. O seu filho, Seti I, acaba por reunir os anteriores territórios antes controlados pelo Egipto. O filho deste, Ramsés II, consolida as conquistas e constrói uma grande parte dos templos mais conhecidos do Egipto. Terá sido num destes três reinados que se deu o Êxodo. Moisés subleva o povo, que parte, à força das Dez Pragas, para o Deserto do Sinai.

Há quem acredite, no entanto, que Moisés, indubitavelmente hebreu, mas também uma altíssima figura de Estado (possivelmente Sumo Sacerdote de Karnak, a segunda figura mais poderosa do país), seria mesmo irmão do Faraó. Nesse caso, não de Ramsés II. A hipótese seria a de ser irmão de Amen-hotep II, ou de seu filho, muito conhecido, Amen-hotep III, que mais tarde mudou o nome para Akhenaton, o criador da heresia do Deus Único, Áton, o Deus-Sol. Por sua vez, tio de Tutankhaton, que mudou o nome para Tutankhamon quando o seu antecessor Horemheb aboliu a heresia.

O que há de engraçado nesta teoria? Nunca, até àquele momento da História Humana, se tinha verificado a implementação de uma religião de Deus Único, que, curiosamente, foi a religião seguida e imposta aos hebreus por Moisés. Será que Moisés pode ter sido irmão de Akhenaton e ter ajudado a criar a religião do Deus Único?
Ou será que Moisés é um pouco anterior e pode ter sido um hebreu descendente de Faraós Hicsos que chegou a Sumo-Sacerdote de Karnak, o Templo de Amón-?
Ou ainda poderia ser um pouco mais antigo e ser, simplesmente, um nobre Hicso, Sumo-Sacerdote de Heliópolis, o Templo de Hórus Heraktli (), perto de Mênfis, no Norte?

Poucas dúvidas há sobre um facto: Moisés foi um poderoso clérigo do Egipto, que, por alguma razão (queda dos Hicsos, criação do monoteísmo ou até a sua abolição, mais tarde), se viu forçado a sair do país e levar os seus seguidores consigo.

É este o contexto histórico, resumido como o conheço, do Êxodo. Há poucas certezas, mas há uma história lindíssima para ser contada!

12 comentários:

  1. Conhecia alguns dos factos, outros não. Vivendo e aprendendo.

    Não considero a Bíblia como um documento de rigor histórico. Acredito que se tenha baseado em figuras reais, mas cujas vidas foram, ao longo dos tempos, romantizadas e moldadas, ao sabor de quem faz dela Lei.

    E agora venha o Êxodo, segundo Cirrus Minor... ;)

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  2. Há registo histórico de José, nas paredes de Karnak. Parece ter sido Sumo Sacerdote. De Moisés, não, mas nunca esquecer que Moisés passou a ser persona non grata no Egipto, e que os registos tenham sido simplesmente eliminados. Abraão é uma figura histórica, é mesmo o pai dos povos semitas, incluindo os "primos" árabes e judeus. Há registos na antiga Judá, mas também em Ur, na Suméria, do tempo em que viveu.
    A Bíblia apenas tem de ser entendida, mas, a partir do Êxodo, permanece de um rigor histórico notável. Já o Novo Testamento carece de confirmação escrita de outras fontes.

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  3. Para mim, o grande problema está aí, no "tem que ser entendida".

    O Novo Testamento é algo que me soa, entre outras coisas, a um machismo atroz.

    Mas o meu conhecimento sobre a Bíblia é relativamente vago e resume-se ao que me ensinaram nos anos que frequentei a catequese e mais recentemente a uma série de documentários e artigos que falavam sobre o assunto.
    Por causa destes últimos ainda tentei ler os "Manuscritos do Mar Morto", mas não tive paciência e desisti...

    As tuas crónicas são bem mais divertidas e instrutivas :D

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  4. fantástico mesmo...
    é sempre bom aprender coisas novas... mas nunca pensei relacionar de tal modo Akhenaton e Moisés...
    já conhecia a história do primeiro mas de um certo modo até faz sentido a relação entre eles...

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  5. Anne, eu também penso que faz muito sentido. Moisés foi o segundo monoteísta, saiu do país do primeiro, e por volta da altura em que este reinou. Digamos que estes factos proporcionam a chamada "oportunidade histórica".

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  6. Cirrus, não leves a mal, mas estás a viajar um bocadinho...é como aquela velha história do 2 e 2 poderem ser 4 ou 22, entendes? Mas tudo bem, não vou pegar num só pontinho pois acho que cada um é livre de acreditar no que quer. E viva Rá.

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  7. Ção, não levo a mal nada, aliás, como outras pessoas não fazem. Estas são as teorias que conheço, se não concorda, pode sempre expor as suas, sou todo ouvidos.

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  8. Cirrus

    Obrigado. Muito interessante esta parte da história que eu desconhecia.
    Excelente

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  9. Não tens de agradecer.

    Mas se gostas, procura adquirir um livro já antigo, mas fabuloso, chamado "Deuses no Éden".

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  10. Fantastico, Deus continue a te inspirar nessas traduções?
    Esse cara q n concorda ai disse q vc tava viajando!
    Eu acho q ele é daqueles q so acredita no q ele acha q é certo! se ele disse q n ta certo, pq ele n mostra ai o certo?
    Aprendi muito em 5 minutinhos com essa leitura.
    Fica na Paz!

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  11. Quem não é soberbo e se dirige a Deus com sinceridade compreende a Biblia e seu objetivo. É preciso ter intimidade com Deus, pois o conteúdo da Bíblia é sobrenatural. Quem busca sozinho não entende nada, mas quem dá crédito a Deus percebe além das palavras a presença de Deus na inspiração das escrituras sagradas.
    Por isso o conteúo do texto acima é confuso e cheio de dúvidas, o que é claro, não esclarece nada. Como se não bastasse o altor do texto acima ainda usou uma imagem que revela seu interesse em ridicularizar uma passagem Bíblica das mais importantes da Bíblia, que só Deus poderia realizar. Lamentável!!!!!!!!!!
    "ARREPENDEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO"

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