sexta-feira, 14 de agosto de 2009

EH PÁ, OLHA LÁ O EXAGERO, Ò FAXABOR!!

Foto Google

Sabe quem me lê com alguma regularidade que sou um amante da cultura árabe. muito tempo de contacto profissional e turístico com aquela gente dá-me razões para o ser. Recentemente, na última visita que fiz à Jordânia, pude constatar o progresso que os países do Médio Oriente vão registando, paulatinamente, tanto em termos de infra-estruturas como sociais. Vê-se de tudo, desde os trajes mais tradicionais, até à mini-saia e top. Ninguém dispensa os lenços, no caso das mulheres, e turbantes ou bonés, no caso dos homens. Após dois dias de permanência, as queimaduras no pescoço fizeram-me dolorosamente lembrar porquê.

O fato de banho das senhoras, na praia de Amman (Mar Morto), erradamente chamado de burkini, chamou a minha atenção pela primeira vez. Dantes, tomavam um banho completamente vestidas, agora têm uma espécie de fato de surf para irem à água. Atenção, os homens vão à água com fatos similares!!

Houve uma franco-árabe que, querendo usufruir de uma piscina pública francesa, decidiu aparecer num destes fatos de banho. Após duas sessões, foi-lhe dito que não seria permitida a sua entrada na água naquelas condições. Justificação? O fato pode esconder feridas, infecções de pele, etc, além de que a lei proíbe que nas piscinas públicas alguém se banhe completamente vestido. Ora, eu até entendo que o fato pode esconder muito mais, como verrugas, operações plásticas mal sucedidas, parasitas indesejados, cintos de bombas e até pénis mal intencionados - e não me digam que davam logo pela diferença, isso é conversa do António Feio e do Zé Pedro Gomes!

A senhora achou-se no direito de apresentar queixa na polícia, e de tentar processar a administração da piscina por discriminação. Por mim tudo bem, ela até pode achar que tem razão. Mas não tem. Está a viver num país com leis próprias, diferentes da sharia ou de qualquer outra lei islâmica, que tem de aprender a respeitar. Além do mais, devia ser recambiada para o Magreb por falta de gosto. Sabendo eu que as mulheres árabes são loucas por três coisas, que são o sexo, a lingerie e o ouro (diamantes também servem), não deixa de ser curioso como tentam esconder o corpo de terceiros. Tudo bem, a tentação é o princípio da rebaldaria, mas nem sempre temos a sorte de isso acontecer.

A tentativa de manter os seus costumes e tradições num país estrangeiro é um dos grandes defeitos da comunidade islâmica emigrante. Se querem utilizar o lenço (sem grande utilidade prática em França, diga-se), ainda vá que não vá. Se querem utilizar túnicas, turbantes, sandálias e coisas afins, que o façam, no recato das suas casas. Nas ruas, há leis que se aplicam. Mas estas até são flexíveis. Em locais públicos, com regras próprias, desculpem lá, mas... não querem despir-se, não vão à piscina!

De referir que nas piscinas árabes ou nas praias públicas (não sou nada de praias para turistas ou resorts), sempre fui à água de calções, e a minha esposa, de fato de banho. É certo que nunca nos disseram nada, nem nunca impuseram uma regra de indumentária. Isso aconteceu apenas nas mesquitas, mas eu também tento não entrar numa igreja de calções. Mas isso não invalida que há regras para cumprir em cada país que visito, e em França também as há. Evidentemente que, nos países árabes progressistas, onde a sharia há muito foi revogada, este problema nem se põe. Mas sabemos que, por exemplo, no Sudão, as mulheres ainda são condenadas por usarem calças - mesmo as estrangeiras! O mesmo acontece em países como a Arábia Saudita ou o Iémene. Na Argélia, a sharia ainda está em vigor. Se na Argélia, tenho de cumprir as regras impostas pela sharia, por que razão não há-de uma argelina cumprir as regras de França, para mais vivendo lá?

Por isso, oh minha menina, olha lá o exagero, ò faxabor!!! Observa-te, criatura!!

PS: Já agora, devolvam lá o dinheiro das sete sessões que restavam e que a senhora pagou - não vão os árabes acusar os franceses de roubo (outra vez!)...

24 comentários:

  1. Antes de viajares, eu bem que te avisei que devias seguir os conselhos da tua sogra e levar um chapéu! Não quiseste saber da sabedoria da senhora (nem da minha) e olha o resultado... queimaduras no pescoço!

    Relativamente ao restante texto sobre indumentárias e afins, concordo plenamente. Mas já sabias disso! Já aqui discutimos largamente essa questão. E a minha opinião, antes como agora, é de que cada estrangeiro que visite um país com costumes diferentes dos seus, das duas uma, ou os aceita ou então não vai lá!

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  2. Boa tarde pessoal.
    Muito bem dito, Pronuncia!
    Cirrus, o teu blog é do melhor que ja me apareceu por aqui, sem desprimor de uma meia duzia que sigo.
    Bem, a seres Vareiro, outra coisa não seria de esperar eh eh eh
    Como pouco ou nada sei sobre o medio-oriente, limito-me a ler-vos, para nao dizer asneiras :-)

    Um abraco
    Francisco

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  3. Pronúncia

    Como já te disse, já visitei meio mundo árabe (talvez mais...), e nunca por nunca me disseram como me vestir. A questão aqui é que há uma lei que tem de ser aplicada. Se eu fosse ao Hadj, provavelmente não poderei ir vestido normalmente, mas banhei-me no Mar Morto, bem como a minha esposa, com as roupas habituais, ao lado de senhoras (e homens!) com estes "burkinis". Não houve olhares nem despeitos nem comentários. Aliás, foram até bem simpáticas e simpáticos.
    Não se trata de usos e costumes, trata-se de lei. A lei da maior parte dos países árabes de hoje é tão laica como a nossa. Tal não é o caso da Argélia, já sabemos.

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  4. Francisco,

    Honra-me com o elogio, obrigado. Agora vou até ali à lareira babar-me um bocado e já volto!

    :D''''

    De facto, a minha avó materna era Vareira do Furadouro, e ainda tenho muitos primos vareiros nas praias de Esmoriz e Paramos, a minha terra natal.

    Tenho inclusivamente um primo em 2ºgrau que recentemente se estabeleceu exactamente na Murtosa, regressando da condição de imigrante de Newark, exactamente trabalhando no ofício que o seu post fotográfico tratou tão bem (também o visito, não pense que escapa!). Talvez até o conheça - é conhecido por Real. Penso que agora se dedica à pesca. Já não o vejo há uns anos, mas um dia destes vou visitá-lo.

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  5. Bem, imaginaria este artigo feito por qualquer um menos pelo Cirrus.
    Estou pasmado!

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  6. Dylan

    Não nego nem escondo (como bem sabes) as minhas preferências e opiniões. Não sou é cego no que toca a paixões ou amores. Se há defeitos, são para apontar.

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  7. É mais uma armada em parva, a querer impôr os seus costumes em ceara alheia, neste caso em piscina francesa.
    Ganha juizo miúda.

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  8. Forte,

    Cuidado com a língua, amigo. Ainda levas com uma "Intifada" aí, no Alentejo!

    Telefona-me para te ajudar. Conheço alguns Abdulah's da minha confiança que trabalharam na Mossad!

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  9. tu n és cirrus, és cumulonimbus!








    (q é q tu fazes, aeronauticamente falando?!)

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  10. Este caso revela dois importantes aspectos:

    1. O uso do véu é uma forma de resistência cultural da comunidade islâmica imigrante nos países ocidentais.

    Pergunto eu: porque é que só as mulheres muçulmanas é que fazem espalhafato todo e não os homens? Porque é que só elas exigem ser diferentes das mulheres locais? Dá que pensar...
    A mentalização da submissão é tramada...

    2. A comunidade islâmica auto-exclui-se de qualquer política de integração multicultural nos países ocidentais.

    Se nós, quando estamos num país islâmico, temos que respeitar as leis locais, por muito absurdas que nos pareçam, porque é que eles não fazem o mesmo no Ocidente? Por uma simples razão:
    Para eles a religião e a sociedade são indissociáveis, por isso não concebem uma sociedade laica. Daí considerarem a nossa civilização de satânica...

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  11. Conheço muito bem o seu familiar. Há vários anos. Gente séria.
    Um abraço

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  12. Forte,

    Mais uma vez digo que usos e costumes dentro de casa, tudo bem. Infringir regras sociais ou leis, é exagero!

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  13. Francisco, muito obrigada!

    Cirrus, quando falei de usos e costumes é evidente que também me referia à Lei. Quem visita ou emigra seja para que país for, tem mais é que se adaptar a ele, e não o contrário!

    Já agora, e só por curiosidade, ainda existe o Dacasca em Esmoriz?!... muitas e boas noites de fim de semana lá passei :)

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  14. Marciana,

    Por onde andaste menina???? Bem aparecida!...

    Tenho muitas milhas, mas não trabalho na aeronáutica. Embora ponha os aviões a voar...

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  15. Maldonado

    O facto de haver submissão em casa não quer dizer que essa submissão passe para o exterior desta forma.

    Não concordo minimamente com a tua afirmação de que, se fores a um país árabe, tenhas de cumprir os usos árabes. Apenas nos países com sharia, que são três ou quatro. basta olhares para as comunidades judaicas de Tunis, Cairo e Amman, bastante numerosas e com regras próprias. Têm é de obedecer à lei. Por isso digo, não se trata de usos e costumes. A mim não me choca nada ver uma mulher de lenço ou um homem de turbante. Até porque os monges budistas e hindus que por aí andam vestem o que querem e ninguém lhes diz nada, e até acham exótico. Trata-se de regras e leis. Aí sim, penso que todos devemos obedecer à mesma lei, a do país em questão.

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  16. Francisco,

    Ainda bem que pensas assim. Já não o vejo há muito tempo, mas sempre gostei dele. E tem cá uma história de vida!...

    Um grande abraço!!

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  17. Pornúncia,

    Desde que obedeçam à lei, podem andar vestidos como quiserem. A questão vertente tem a ver com a Lei Francesa e não com os costumes franceses. Eu adapto-me bem a um país árabe, por razões óbvias. Mesmo assim, às vezes esqueço o turbante... Mas não me visto com uma gharabia sempre que por lá ando e ninguém mo exige. Se, no entanto, a Lei de determinado país diz que não posso beber álcool na via pública ou estabelecimento público, eu obedeço, fora do hotel. Lá dentro, bebo o que me apetece. Mas diz isso a um inglês ou até a outro português!

    Também temos de dar o exemplo, não te esqueças...

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  18. PROnúncia (desculpa lá), O Dacasca há muitos anos que não é em Esmoriz, mas sim na praia de Cortegaça. Se é este que te referes (penso que sim, pois o Dacasca em Esmoriz é de... 1985, por aí...), já não é uma discoteca, mas sim um bar. Mas ainda está aberto! E se é esta versão que conheces, então deves ter conhecido bem o Nautilus e o Smile, que faziam parte do "circuito"...

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  19. Então conheci o de Cortegaça... nos idos 90's! Porra que os anos passam :D

    Agora, o assunto sério! Quando eu digo que os estrangeiros têm que respeitar o país para onde vão, é evidente que se aplica a árabes (chineses, japoneses, africanos...) que viagem para o Ocidente e vice-versa... claro que temos que dar o exemplo! Também sei bem que há muitos ocidentais que pensam que podem fazer tudo e mais alguma coisa fora de portas, mas gente estúpida há em todo o lado!

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  20. Só ia ao Dacasca a partir das três, que era o horário de fecho do Smile e do Nautilus.

    Quanto ao assunto sério, é bom que nos comecemos a comportar como civilizados que pretendemos ser e não como colonizadores ou então daqueles que dizem: lá eles são isto ou aquilo. Lá eles estão em casa. Cá estamos nós.

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  21. Já percebi onde quer chegar , Cirrus...
    BEIJO DE LUSIBERO

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  22. Maria, mais claro não posso ser.

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  23. Concordo plenamente com o conteúdo do post: com a simpatia pela cultura árabe, e com a crítica ao exagero da não conformidade com os hábitos e cultura dos países de destino. Principalmente quando se impõem os próprios hábitos a quem vai para lá.

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  24. Cara Susana, isso não é verdade. Não me choca a mim ver um muçulmano vestido à muçulmano (ou muçulmana). A Lei ou regras é que têm de ser cumpridas. Se nós, moradores, tantas vezes somos contra os usos e costumes...

    Quanto a hábitos, em todas as minhas viagens por países árabes, nunca adoptei um único hábito desses países e nunca a tal fui obrigado. Estou a falar de países sem sharia, bem entendido.

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